Dennis Hoyt esculpia pássaros e painéis orientais em madeira antes de fazer o que ele realmente ama: esculturas automotivas "em alta velocidade". É ver seu trabalho e entender

Dennis Hoyt e a escultura do Porsche 917L. Tempo necessário para construção foi de oito meses
Divulgação/Dennis Hoyt
Dennis Hoyt e a escultura do Porsche 917L. Tempo necessário para construção foi de oito meses

Esculturas tendem a ser estáticas – esqueça as que pedem doações no centro de várias cidades do mundo, inclusive no Brasil –, mas não as de Dennis Hoyt. Feitas de madeira, elas representam uma das paixões deste norte-americano de 67 anos de Spokane, em Washington, quase na divisa com Montana, e que hoje mora em La Grande, no estado vizinho do Oregon e com cerca de 13 mil habitantes.

“Eu sempre tive uma paixão por automóveis. Minha mãe me dizia que, com três anos, eu sabia o nome de todos os carros que passavam por nós quando passeávamos. Posso dizer que foi aí que tudo começou. Mesmo tendo crescido em uma fazenda, eu sempre tentava esculpir carros com pedaços de madeira”, conta Hoyt. Mas, antes de transformar troncos em Ferraris e Porsches, ele esculpia murais, painéis, pássaros e “cenas da vida selvagem”. A sugestão de partir para os carros veio da esposa.

“Minha esposa disse que eu deveria criar algo em cima de carros já que eu só falava sobre isso desde o casamento. Decidi seguir em frente e fazer uma escultura de madeira, e nunca mais parei. Continuo examinando as minhas ideias e habilidades para criar algo diferente, algo que ninguém nunca tentou antes. Essa atitude e a paixão me levaram para onde estou hoje, mas a jornada não terminou. Sinto que mal comecei a explorar minhas ideias.”

Veja o processo de construção de duas Ferraris na galeria abaixo:

CARROS QUE PARECEM VIVOS

Uma dessas ideias foi encontrar uma forma de “ir além da imagem estática” e traduzir, tridimensionalmente, a velocidade dos carros. “Gostei de ‘carros que parecem vivos’. Nunca pensei desta forma, mas amei. É uma ótima forma de descrevê-los. Fico constantemente pensando nisso, como eu faço essas esculturas ‘andarem mais rápido’? Como aumento essa sensação de velocidade e movimento? Como bolei a ideia das esculturas borradas? Foi um processo. Primeiro você tenta algo e depois vai acrescentando. Meio que se desenvolveu.”

Além da madeira, Hoyt utiliza metal em determinadas partes do carro, como nos eixos da Ferrari F2004 de Michael Schumacher, um dos ídolos do norte-americano, mas que o objetivo é fazer com que o espectador não seja capaz de dizer o que é madeira e o que é metal.

Detalhe do Porsche 917L feito por Dennis Hoyt
Divulgação/Dennis Hoyt
Detalhe do Porsche 917L feito por Dennis Hoyt

Hoyt é fã de automobilismo e vai contra aquele velho ditado de que norte-americano não gosta de Fórmula 1. Heptacampeão da categoria, Schumacher é um dos “heróis” de Dennis, ao lado de um conhecido da torcida brasileira: Ayrton Senna.

“Não é apenas habilidade de controlar um carro e vencer corridas, mas pelo o que eles fizeram para ajudar os que precisam. Como você bem sabe, o Instituto Ayrton Senna continua até hoje em seu nome e espero, um dia, ajudar a fundação que ele iniciou", explica Dennis. Atualmente, ele se diz fã de Sebastian Vettel, tetracampeão da Red Bull, Kimi Raikonnen, da Ferrari, e Nico Rosberg, da Mercedes.  “Vettel está nesse caminho, mas ainda não chegou no mesmo nível dos outros dois [Schumacher e Senna]”, completa.

“MUITO FEIOS, UMA ABOMINAÇÃO”

Dennis só não se empolga muito ao comentar os carros, ou melhor os bicos dos carros, que Vettel, Raikonnen e Rosberg andam atualmente. “O design dos carros atuais da F1 são muito feios, é uma abominação. Às vezes eu fico me perguntando no que a FIA está pensando. Os dois melhores são Red Bulls e Williams. Espero que a FIA arrume isso no ano que vem. E depois da corrida em Melbourne, o que é esse ronco de motor? Não ajuda a aumentar a aura em torno da F1, para a falar a verdade, é prejudicial ao esporte”, critica o escultor.

Apesar de afetar a estética dos carros, gerarando assim protestos de fãs e designers, a mudança no bico tem como objetivo aumentar a segurança da categoria. Segundo as novas regras da FIA, a altura do bico em relação ao chão deve ser de 185 mm.

Já entre os mais bonitos, a lista vai um pouco além dos monopostos guiados por Vettel e Felipe Massa. “Ferrari GTO, BMW Gran Lusso, Rerrari Testarossa, Ferrari 275 GTB, vários carros de competição da Ferrari, carros franceses dos anos 30 e 40, Jaguar Saloon 3.8, Ford GT 40, os Porsches 917 dos anos 60 e começo dos anos 70, a nova Ferrari 458 Italia, a McLaren P1, os F1 do começo dos anos 60 e provavelmente o meu carro favorito de corrida, a Ferrari P4 de 1967.” E se tivesse que escolher só um? “Ferrari P4, o mais belo já feito, sem dúvidas”, responde o escultor.

Divulgação/Dennis Hoyt
"Borrão" da escultura foi desenvolvida aos poucos, diz escultor

QUANTO CUSTA?

"Peças pequenas de um carro começam em US$ 10 mil, peças maiores, como o Porsche 917L, custam US$ 175 mil, então depende do tamanho, da complexidade do design e se há exigências do cliente. A maioria dos preços fica nesta faixa”, afirma Dennis. A escultura “Seven”, homenagem aos sete títulos mundiais de Schumacher, por exemplo, está à venda por US$ 150 mil, quase R$ 350 mil.

Hoyt revela que alguns nomes como Sir Stirling Moss, quatro vezes vice-campeão de F1 (1955-1958), e Phil Hill, campeão em 1961 com a Ferrari, já compraram algumas de suas peças. E outros, como Derek Bell, bicampeão das 24 Horas de Le Mans, Brian Redman, piloto de F1 dos anos 60 e 70, Dan Gurney, 4° colocado da F1 em 1961 e em 1965, e Carroll Shelby, lenda do mundo automotivo, conheciam seu trabalho. “E fui informado pelo meu empresário que David Coulthard, Alexander Wurz, Martin Brundle e Karun Chandhok sabem de mim”, reforça o americano.

ESCULTURA DE DEZ METROS

Um dos projetos que, por enquanto, fazem parte apenas da imaginação do escultor é construir uma réplica "borrada" em tamanho de um F1 com dez metros de comprimento, de forma que as pessoam possam sentar no carro e, assim, fazer parte da escultura. Falta um mecenas que financie a empreitada, e ele poderá até escolher o carro de sua preferência. “O que o cliente quiser. Se alguém enxergar o potencial e permitir que ‘eu enlouqueça’, farei o carro que ele preferir”, diz Dennis. Alguém se candidata?

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