Paul Bischof, de 24 anos, conseguiu um emprego na atual tetracampeã da F1 com o hobby que tem desde pequeno. Ao iG, ele fala da paixão pelo automobilismo, como a equipe austríaca o descobriu e revela que seu grande ídolo é Ayrton Senna

Paul Bischof trabalhando na construção da Red Bull que lhe rendeu uma vaga na equipe austríaca
Arquivo pessoal/Paul Bischof
Paul Bischof trabalhando na construção da Red Bull que lhe rendeu uma vaga na equipe austríaca

Paul Bischof nunca imaginou que seu hobby de criança, iniciado quando tinha uns oito anos, pudesse levá-lo a trabalhar com a Red Bull, tetracampeã mundial de Fórmula 1, embora Sebastian Vettel e equipe estejam com algumas dificuldades nesta temporada – eles estão em segundo na tabela de construtores, com 97 pontos a menos que a líder Mercedes.

Foi com esta idade que Paul, natural de Dornbirn, na Áustria, e atualmente com 24 anos, ganhou o primeiro kit de montar de papel, presente do pai. Curiosamente, não foi um carro. "Era um avião, um Hawker Sea Hawk", diz Bischof em entrevista por e-mail ao iG .

Como a empresa que fabricava os kits de aviões faliu e os modelos de aviões que tinha vontade de montar não existiam ou não eram detalhados o suficiente, Paul começou a fabricar os próprios e logo passou para os carros. "Eu sempre construo os carros que gosto. Deve ser um carro bonito, do meu ponto de vista, e interessante. Os antigos já não são mais interessantes para mim porque as partes técnicas são relativamente simples."

"CONSEGUE ME IMAGINAR NÃO SENDO FÃ DE AUTOMOBILISMO?"

Bischof é fanático por automobilismo – tanto que rebateu a pergunta se é fã ou não com a questão acima – e já construiu mais de 40 carros, a maioria de F1. O primeiro foi a Red Bull Racing RB1, de 2005, que ele não tem mais, e o último, ainda em construção, é a Lotus E21 Renault, do ano passado, guiada pelo piloto finlandês Kimi Räikkönen, seu ídolo na atual F1.

E quem é o favorito de todos os tempos? Ayrton Senna. Não é mera coincidência que dos 44 carros de papel construídos pelo austríaco, três foram pilotados, na vida real, pelo brasileiro: Toleman TG183B (1984), McLaren MP4/4 (1988) e Williams FW16 (1994), este nunca terminado. E a Lotus 98T, com o qual Senna ficou em 4° na temporada de 86 e que Paul considera "o mais belo carro já feito", pode ser um dos próximos projetos. "É uma vergonha que nunca o construí. Ou, pelo menos, ainda não."

Ayrton Senna na Lotus-Renault 98T, o carro mais bonito já feito, na opinião de Bischof
Getty Images/Mike King
Ayrton Senna na Lotus-Renault 98T, o carro mais bonito já feito, na opinião de Bischof

COMO A RED BULL O ENCONTROU?

"Muitas pessoas no departamento de design [da Red Bull] acompanhavam meu blog enquanto construía o RB7. Para ser honesto, não só as pessoas do departamento de design, mas pessoas da fábrica inteira. Umas semanas antes de terminar o modelo, recebi um e-mail da Red Bull (de Rob Marshall, chefe de design da escuderia). Claro, tive que fazer uma entrevista de emprego, mas depois disso não havia dúvidas de que iria começar a trabalhar lá", conta Paul.

O RB7, carro guiado por Vettel e Mark Webber em 2011, é a obra de arte de Bischof. Com mais de 6.500 componentes, o modelo de 49 centímetros de comprimento e 0,5 kg de peso começou a ser montado em abril de 2011, sendo finalizado em fevereiro de 2012. Pequenos detalhes – do tamanho de uma moeda – como comandos do volante, bombas de combustível e cinto de segurança são reproduzidos com uma riqueza impressionante. "Se não fosse apaixonado por automobilismo, não teria tanta paciência para construir meus carros", explica.

Red Bull RB7, de 2011, o carro que mudou a vida do jovem austríaco de 24 anos
Getty Images/Paul Gilham
Red Bull RB7, de 2011, o carro que mudou a vida do jovem austríaco de 24 anos

"QUERIA SER ENGENHEIRO AERONÁUTICO"

Trabalhar em uma equipe de Fórmula 1, no entanto, nem sempre foi o sonho do austríaco. "Quando era criança, eu queria me tornar um engenheiro aeronáutico. O sonho da F1 veio pela primeira vez em 2005, por aí. A diferença entre ser engenheiro na F1 e de um avião não é muito grande. É tudo aerodinâmica e materiais leves. A maior diferença é o calendário apertado da F1 e provavelmente a responsabilidade, uma vez que uma equipe costuma ser muito menor do que uma companhia aérea", diz. "Nunca tive a expectativa de conseguir um emprego assim por causa do meu hobby. Agora eu sei que é possível."

PRÓXIMO PASSO

"O próximo passo na minha carreira é terminar meus estudos, eu ainda não me formei na faculdade (Paul estuda Engenharia Mecânica na Graz University of Technology, na Áustria). Depois disso quero voltar para a F1 e, quem sabe, estar em uma posição de liderança dentro de alguns anos. Este é o meu objetivo atual, mas isso pode mudar." Questionado se tem algum ídolo em sua área, Bischof, que está trabalhando no design das asas da atual Red Bull, cita Colin Chapman, fundador da Lotus, e Senna: "Em termos de atitude. Ser o segundo é o primeiro dos perdedores".

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