Populares na Rússia, "câmeras de painel" estão disponíveis no Brasil. Entenda como elas funcionam e o que especialistas em segurança do trânsito acham delas

De quem é a culpa em um acidente de carro? Câmera pode ajudar quando não há um acordo
Thinkstock/Getty Images
De quem é a culpa em um acidente de carro? Câmera pode ajudar quando não há um acordo

Reza a lenda de que quem bate atrás do seu carro é sempre o culpado. Não, não é, mas como você prova sua inocência – partindo do princípio de que não foi sua culpa – quando é você quem atinge a traseira do carro alheio e o acidente de trânsito vai parar na Justiça? Ou quando você estaciona o veículo e, ao retornar, vê que ele está batido, mas não há sinais de quem bateu? Afinal, não é todo mundo que deixa bilhete no para-brisa.

Disponíveis no Brasil desde fevereiro, as câmeras da Thinkware, empresa sul-coreana especializada em GPS e câmeras automotivas, prometem ser uma espécie de "caixa-preta" do carro. Elas são instaladas no para-brisa, perto do retrovisor, e filmam o trânsito, salvando os arquivos em um cartão de memória. Como não possuem baterias – estão ligadas à bateria do próprio veículo –, são ativadas assim que o motorista dá a partida. "Não é para gravar a sua vida, é de vigilância. A principal função é assegurar o motorista de que ele terá o vídeo que precisa no caso de um acidente", explica Eduardo Han, representante da marca asiática no País.

Mesmo se o automóvel estiver desligado, como na garagem do prédio ou do shopping, o aparelho pode ser acionado por impacto, o que pode ocorrer no caso de uma colisão, por exemplo. Han afirma que o acessório não compromete a bateria do carro em situações como esta.

Se você ainda não entendeu o que são câmeras automotivas, rebobine a fita para fevereiro de 2013, quando um meteorito caiu em Chelyabink , na Rússia. As imagens da queda foram registradas por diversas "dash cams", populares na terra de Vladimir Putin devido ao alto número de supostas vítimas que tentam forjar acidentes e atropelamentos para receber indenizações.

Eduardo Han, da Thinkware
Divulgação
Eduardo Han, da Thinkware

Esta não é uma realidade brasileira, mas, para o empresário, o mercado nacional tem representatividade – ele espera faturar cerca de R$ 10 milhões e vender 10 mil câmeras até o final deste ano – por conta do índice de acidentes, um dos mais altos do mundo. Han acredita que, quanto maior o número de pessoas com câmeras no painel, mais seguro tende a ser o trânsito porque "os outros vão saber que se fizer algo errado, vai ter alguém filmando". Além da Rússia, Coreia do Sul, EUA, Canadá e Cingapura são países onde o acessório "está pegando", indica.

VALE A PENA TER UMA?

Na avaliação de João Pedro Corrêa, consultor do Programa Volvo de Segurança no Trânsito, trata-se de um recurso tecnológico bem-vindo no mundo automotivo. "Antigamente a gente dizia que o trânsito era formado por três 'Es': educação, engenharia e esforço policial. Hoje a gente diz que é formado por três 'Is': veículo inteligente, via inteligente e usuário inteligente. Outros países estão aproveitando ao máximo as novas tecnologias para melhorar a segurança, qualquer coisa que tenha o objetivo de preservá-la e prevenir o acidente realmente ajuda bastante."

Assista ao vídeo e veja como funciona a "caixa-preta" do carro:

Já Eduardo Biavati, sociólogo e especialista em segurança no trânsito, não vê como o aparelho pode melhorar a situação atual. "Não o vejo como ferramenta de prevenção. Não contribui, não repassa o posicionamento do veículo, a distância para o carro da frente. Não vejo como ganho de segurança, deste ponto de vista. Para termos de inquérito, prova ou contraprova do envolvimento do motorista em acidentes, por questão de segurança pessoal contra assaltos, aí tudo bem, é positivo", analisa.

Em termos de segurança no trânsito, aplicativos como o Safety Sight , de uma empresa de seguros e disponível para Android e iOs, podem ser mais eficazes, diz Biavati. "Ele calcula e te dá a distância dos veículos à frente, alerta quando a distância fica mínima. Um problema geral para condutores é que eles não têm retorno de sua pilotagem."

QUANTO CUSTA?

São dois modelos. O mais barato, com preço de R$ 599, tem câmera frontal de 2 megapixel e memória de 16 GB, suficiente para cinco ou seis horas de gravação diária em HD, de acordo com Han. O modelo top de linha sai por praticamente dobro, R$ 1.199, tem também o dobro de memória, câmera traseira e GPS interno. À medida que a memória do aparelho se esgota, os novos vídeos vão substituindo os antigos.

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