Disponível por planos diários e até anuais, scooter é de fácil dirigibilidade e silenciosa, o que pode dar a impressão de que os motoristas não sabem que você está passando. Presente em sete países, serviço chegou recentemente ao Brasil

Moto elétrica (modelo e-max 120S) da Cooltra. É preciso ter CNH da categoria A
Divulgação
Moto elétrica (modelo e-max 120S) da Cooltra. É preciso ter CNH da categoria A

No semáforo, a surpresa vai do senhor com pinta de Hells Angels em cima de sua Harley-Davidson ao entregador apressado em dia útil. "Isso é elétrico? Funciona a pilha?", questiona o último a Kauê Agostinho , editor e cinegrafista da TViG e responsável pelo teste drive de três dias com a scooter e-max 120S.

A motocicleta é elétrica, não funciona a pilha e faz parte da frota da Cooltra , empresa espanhola que opera em sete países com aluguel de motos elétricas e que chegou há alguns meses ao Brasil. No entanto, se o apelo na Espanha, Itália, Croácia ou Grécia é com os turistas, na capital paulista, além do turismo, a ideia é dar uma opção de mobilidade urbana.

"Não é a única solução, mas é uma das opções para melhorar a mobilidade em São Paulo. Quem mais tem interesse é o jovem empresário que gasta muito para ir trabalhar e anda cerca de 10 km até o escritório", afirma Raphael Cagnotto , coordenador de comunicação da empresa no Brasil.

"A scooter foi feita para driblar o trânsito nas grandes cidades em pequenos e médios percursos. Como é de fácil pilotagem, em poucos quilômetros você se adapta ao acelerador e aos freios, a disco nas duas rodas aro 13, que são eficientes", avalia Kauê, que leva pouco mais de 20 km para ir até sua casa, na zona norte da capital paulista.

Um dos pontos destacados pelo jornalista é a opção de três velocidades da moto. "A aceleração tem uma resposta rápida no manete e é potencializada pelo botão 'boost', anexo ao acelerador. Nele, você tem três opções de torque, mostradas no painel: MAX, ótimo para saídas em farol, ultrapassagens e subidas; NORMAL (torque médio), para pilotagem em pista normal com poucos aclives; e ECO, que diminui o torque fazendo com que a scooter economize bateria."

Painel mostra velocidade, distância percorrida, nível da bateria e a opção de torque (normal)
Brunno Kono/iG São Paulo
Painel mostra velocidade, distância percorrida, nível da bateria e a opção de torque (normal)

Apesar da boa dirigibilidade, Kauê alerta para que o motociclista tome cuidado nos corredores urbanos por conta do ruído praticamente nulo de uma moto elétrica: "A scooter é extremamente silenciosa, o que causa um pouco de receio ao dar a impressão de que os carros não perceberam minha presença, principalmente por estar acostumado com uma moto tradicional a combustão e bem barulhenta".

Outro cuidado é com as rodas aro 13, comum em motos deste porte. "É necessário uma atenção com desníveis, buracos e tampas de bueiros. Qualquer desnível, mesmo em baixa velocidade, pode desestabilizar a scooter. Vale o cuidado para evitar acidentes", observa.

COMO CARREGAR A BATERIA?

Esqueça as pilhas. Para carregar a moto, basta ligá-la a uma tomada, 110V ou 220V. De acordo com Cagnotto, o tempo para carregar vai de 3h (na tomada 220V) a 4h30 (na tomada 110W). Com a bateria cheia, é possível ter uma autonomia de até 60 km, mas ele pondera que ela pode aumentar ou diminuir conforme o peso da pessoa e a forma como ela dirige. Ele diz ainda que o gasto a mais na conta de luz para quem anda 30 km por dia é de R$ 10 a mais por mês.

A potência gerada é equivalente a de uma moto de 50 cilindradas, mas o desempenho, dependendo de, novamente, como a pessoa dirige, chega perto de uma com 100 cilindradas. A scooter é capaz de atingir 80 km/h, mas, por questão de "segurança e conceito", todas estão limitadas a 60 km/h.

Assista ao teste das motos em Campos de Jordão (SP):

PLANOS E EXPANSÃO NO RIO DE JANEIRO

O plano mensal de aluguel custa R$ 650, mas Cagnotto explica que o valor será reduzido para R$ 499, mensalidade normalmente cobrada pelo aluguel anual, neste início de operações. Para quem precisa da moto por apenas um dia, o valor é de R$ 85. Todos os valores incluem capacete, seguro e assistência.

Atualmente, a Cooltra tem 50 unidades da e-max 120S em São Paulo, com a expectativa de que outras 100 cheguem nas próximas semanas. A empresa espera expandir o serviço para o Rio de Janeiro até o final do ano, com a diferença de que na capital fluminense o foco será quase todo voltado para o turismo.

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