Barbearias fogem do conceito de clínica estética masculina para atrair homens. Estabelecimento de Curitiba tem pacotes para "Dia de Rei" e frisa que o tratamento é "coisa de macho"

Ambiente da Barberia Clube possui até uma geladeira de cerveja
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Ambiente da Barberia Clube possui até uma geladeira de cerveja

Sofá, televisão, videogame, geladeira cheia de cerveja, mesa de pebolim e outra de sinuca. Não fossem as paredes espelhadas, as poltronas de couro e seus comandantes, os barbeiros, talvez a descrição do ambiente casasse com a sala de estar ou o bar dos sonhos do homem. E talvez seja exatamente esta a proposta.

Com um ambiente mais informal e que procura fugir das tradicionais clínicas de estética, algumas barbearias têm inovado na hora de atrair os homens, uma clientela que começa a encontrar cada vez mais espaços exclusivos para atendê-los sem que eles se sintam “menos machos” por isso, muito pelo contrário.

É o caso da Barbearia Clube, de Curitiba, no Paraná, cujo slogan é “coisa de macho”. “O ambiente é bem masculino, com cadeiras de barbeiro, mesas com cerveja e amendoim. Eles ficam mais à vontade para fazer outros serviços, acabam fazendo pé, mão, depilação de ouvido, nariz”, diz Meire Ferreira, dona do negócio. Ela revela que a manicure é o terceiro item mais pedido, atrás apenas dos tradicionais “barba e cabelo”.

Meire, que trabalhava em uma distribuidora de cosméticos, viu na carência do setor de estética masculina uma oportunidade, abrindo sua primeira barbearia em 2007. De acordo com a pesquisa de mercado que ela fez na época, o homem tinha o costume de gastar cerca de R$ 70 por mês em tratamentos estéticos. Meire diz que esse número pulou para R$ 139 mensais e tende a aumentar no ano que vem. “O mercado está entendendo”, diz.

Segundo a proprietária, a Barbearia Clube atende hoje pouco mais de 2 mil clientes em duas unidades na capital paranaense, que pode receber outras duas barbearias em breve. Um dos serviços mais requisitados da casa é o “Dia de Rei”, pacote que oferece ao homem – e seus amigos – três versões de tratamento. Enquanto um apara a juba, os outros podem jogar futebol de botão, videogame e dardos, além dos comes e bebes à disposição.

NÃO FIZ PENSANDO EM NEGÓCIO

Designer por formação e barbeiro por paixão, Tiago Cecco, de 32 anos, nunca chegou a trabalhar no ramo que estudou. “O tio de um amigo trabalha na área (de barbearia, é claro), aí eu aprendi, comecei a juntar uma grana e tive a ideia de montar a 9 de Julho”, afirma.

Inaugurada no feriado paulista, a barbearia de Tiago e seu sócio Anderson Napoles é cheia de lembranças que remetem à terra da garoa, mas a inspiração vem mesmo dos anos 50, no rock antigo e principalmente no rockabilly, estilo que tem Elvis Presley como um de seus principais representantes. Para Cecco, a decoração com “luz baixa, um tom mais amarelado, bastante madeira e quadros agrada o homem”. Ele diz ainda que ter revistas masculinas é algo “basicão” e que a diferença está na proximidade do barbeiro com cliente, da “conversa de homem que o homem quer ouvir”. A cerveja, oferecida no começo, foi cortada. “O pessoal não sabe parar no limite”, explica.

Seis anos depois da inauguração, os dois sócios estão presentes em cinco endereços de São Paulo, e embora Tiago diga que não entrou no ramo pensando em negócio, os negócios vão bem e podem melhorar. “São Paulo tem bastante campo, tem muito bairro que não é coberto e tem mais procura do que oferta, então a gente tem que suprir o que tem aqui, para depois começar a partir para outras cidades, talvez interior ou outras capitais, como o Rio de Janeiro”, diz.

Cadeira de barbeiro no espaço da L'Occitane
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Cadeira de barbeiro no espaço da L'Occitane

BARBER STYLIST

O conceito parece estranho, talvez requintado demais, mas serão eles, os “barber stylists”, os responsáveis pelos cuidados da barba – com navalha – e outros tratamentos na primeira barbearia da L’Occitane en Provence, inaugurada em São Paulo. “Nossos especialistas foram treinados pelos mais respeitados barbeiros do segmento, além de serem terapeutas faciais”, afirma Laura Barros, diretora de marca do grupo.

“O que procuramos fazer foi resgatar as técnicas da barbearia tradicional, com a inclusão de outros cuidados importantes que, no dia-a-dia, muitos deles – homens – não se dedicam a fazer”, explica Laura.

Ela acredita que o “setor está acompanhando a tendência de necessidades masculinas em relação aos cuidados com rosto e corpo”, e diz estar com uma expectativa alta para a novidade da marca: “Já vemos um público relevante procurando o novo serviço”.

Questionada se o conceito de barbearia é uma forma de não assustar o homem, Laura diz que não. “O conceito vem da necessidade de oferecer um serviço específico, voltado ao barbear, o que não tínhamos em nossos SPAs.” Em tempos em que a barba é tão valorizada, dar um trato nela com um pouco mais de esmero pode valer a pena. Elas vão apoiar.

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