Lucas e Pedro criaram site de e-commerce com produtos voltados para estética masculina. Eles dizem que todo homem é um cliente em potencial: "Todo mundo tem barba". Veja abaixo quais são os dez produtos mais comprados na loja virtual deles

Lucas e Pedro, criadores do Men's Market, site de e-commerce de produtos de estética masculina
Divulgação
Lucas e Pedro, criadores do Men's Market, site de e-commerce de produtos de estética masculina

Não faz muito tempo que Lucas Amoroso Lima e Pedro Prellwitz deixaram o ambiente da faculdade. Formados em Administração e Direito, respectivamente, pela FGV, em São Paulo, os dois se tornaram amigos por intermédio das namoradas – atual do primeiro e ex do segundo – e, desde 2012, sócios no Men’s Market , site de e-commerce que criaram e que vende produtos de beleza e higiene voltados exclusivamente para o homem.

"A história começa antes disso, com o Pedro. Ele vendia alguns desses produtos, mais por hobby, para ganhar uma grana extra mesmo, e a gente sempre teve vontade de empreender. Pensamos no que estava ao nosso alcance, tinha esse negócio de cabelo, cera, resolvemos estudar o mercado e vimos que tinha público, tamanho e não tinha quem fizesse direito. Montamos a empresa com base nisso", conta Lucas, de 24 anos, um ano a mais que Pedro, ligeiramente distraído pelo confronto entre Atlético de Madri e Barcelona .

Para abrir a empresa, Lucas deixou seu emprego em uma empresa de gestão de investimentos – "é outro mundo em relação a empreender", diz –, enquanto Pedro saiu de um escritório de advocacia. "Meus pais me acharam maluco. Começar pequeno, só os dois, parece um negócio estranho sair de um prédio, reunião todo dia, e trabalhar dividindo uma mesa minúscula", lembra Prellwitz, que teve receio de contar a novidade para o pai, executivo, e para a mãe, empresária. O irmão, por outro lado, "apoiou muito". Já o pai de Lima, também executivo, deu sinal verde e disse que faria o mesmo na idade do filho: "Ele achou ótimo".

O MERCADO

"O principal ponto que queríamos entender era se o mercado é grande o suficiente. Não adianta nada ter uma baita ideia em um mercado pequeno. Imagine um mercado de capas para iPhone. Se temos 1 milhão de iPhones no Brasil e cada capa custa 30 reais, é um mercado de R$ 30 milhões. A gente queria ter certeza que era grande", explica Lima.

Não é por acaso que levantamentos da Euromonitor e da Nielsen colocam o País entre os três maiores consumidores na área de beleza, ao lado de EUA e Japão, e estima-se que os homens brasileiros gastem em torno de R$ 80 milhões por ano com a vaidade, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

TICKET MÉDIO DE R$ 150

No caso dos que frequentam o site de Lima e Prellwitz, o gasto médio é de R$ 150. "Colocamos frete grátis acima de R$ 99. Muitas vezes o cara leva um shampoo caro, mas compra três sabonetes e um desodorante para passar dos R$ 100", diz Lucas. Questionados sobre quais marcas tendem a fidelizar o homem, Pedro lembra-se de quatro: Gillette, Oral-B, Old Spice e Wahl, "marca norte-americana de máquinas de barbear". "Gillette é o maior exemplo. Quando você pensa em lâminas, não pensa em outra coisa", observa o advogado. Seu sócio completa: "Não pensa, mas tem outra coisa, sim, senhor. Existem outras opções".

E o que os homens mais procuram e compram? "O mais vendido é modelador de cabelo, cera e gel; depois é bem dividido entre shampoos, condicionador, e produtos para a barba, tanto para o preparo, como espuma, até pós-barba e lâminas", responde Pedro. Eles ainda oferecem cremes para hidratação, limpeza facial, das mãos e dos pés, perfumes e até um corretivo facial, mais conhecido pela ala masculina como "maquiagem" apenas.

Veja abaixo os 10 produtos mais comprados pelos homens no Men's Market:

DOS R$ 500 MIL AOS R$ 3 MILHÕES

O investimento inicial foi de R$ 500 mil, captados com uma "senhora dificuldade". Entre os investidores, cerca de dez, há ex-chefes dos dois sócios, profissionais de e-commerce e até o ex-CEO de uma empresa de capital aberto. O último a investir, no entanto, não é daqui. No final do ano passado, entre outubro e novembro, o holandês Kees Koolen, presidente do site Booking.com e apresentado aos dois jovens por amigos em comum, investiu R$ 3 milhões. "Vamos tentar captar mais no ano que vem", prevê Lucas.

Men's Market conta hoje com 14 funcionários
Reprodução/Instagram/mensmarket
Men's Market conta hoje com 14 funcionários

Com 20 mil clientes cadastrados em todos os estados do Brasil – Roraima foi o último a ter um produto entregue, no final do ano passado –, o Men’s Market emprega hoje 14 funcionários, contando com os donos, e espera faturar entre R$ 5 milhões e R$ 7 milhões em 2014, mais que o dobro do faturamento de 2013 (R$ 2 milhões). Isso faz de Pedro e Lucas dois milionários? Muito pelo contrário, eles dizem.

"As pessoas confundem faturamento da empresa com riqueza dos sócios. A gente leva vida de monge, não troca de carro", diz Pedro. "Eu moro com meus pais, isso ajuda muito em termos de custo. Eu não ia conseguir me sustentar se morasse sozinho", complementa Lucas. A ideia dos dois daqui em diante é uma só: crescer. "Temos que atingir o maior número de homens no mercado. Todos têm potencial de comprar nossos produtos. Todo mundo tem barba, nem todo mundo tem Internet", afirma o jovem formado em Administração.

QUERO SER GRANDE

Alinhados no objetivo de tornar a empresa grande, mesmo que isso custe, em curto prazo, "ver os amigos ganhando mais" que eles, os dois colegas de faculdade dizem que dinheiro não é o motivador por trás do negócio e, que se fosse, teriam permanecido nos antigos empregos. "Na GV, muita gente tem o sonho de ficar rico antes dos 30 anos. Respeito quem tem essa cabeça, não é fácil conseguir isso. A nossa é diferente", conclui Lucas, que vê no Zappos, site que começou vendendo sapatos, um modelo a ser seguido. Criado em 1999, o Zappos foi comprado pela Amazon por US$ 1,2 bilhão, em 2009.

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