Segundo dados da ISHRS, 1.982 procedimentos foram realizados em 2004, contra 4.707 no ano retrasado. "Me deixou mais confortável para ter opções", diz designer de embalagens

Maurício não deixava a barba crescer por conta das falhas. Foto da direita foi tirada nesta semana
Divulgação e Brunno Kono/iG São Paulo
Maurício não deixava a barba crescer por conta das falhas. Foto da direita foi tirada nesta semana

Não faz muito tempo que Maurício Medeiros cultiva sua barba, praticamente um animal de estimação na visão de muitos homens. O designer de embalagens adotou o visual barbado pela primeira vez em abril, e se diz satisfeito com o resultado. Você deve imaginar Maurício como um jovem, recém-saído da faculdade, mas ele tem 53 anos.

"Nunca tinha deixado antes, eu cortava. Não deixava porque era algo que me incomodava, minha barba tinha falhas, então nunca deixei", conta Medeiros. O que ele fez para resolver seu problema? Um implante de barba. A intervenção estética, relativamente desconhecida aqui, é comum no exterior , principalmente nos EUA, Ásia e Oriente Médio. De acordo com dados da International Society of Hair Restoration Surgery (ISHRS), houve um crescimento de 237,4% no número de cirurgias entre 2004 e 2012, saltando de 1.982 para 4.707, 4.236 delas apenas nas regiões citadas acima.

Mauro Speranzini, cirurgião especialista em transplante capilar e com mais de 20 anos de experiência, afirma que alguns fatores como questões culturais, genética e um número maior de profissionais e divulgação explicam a concentração de casos em determinadas regiões, e aponta a tal "moda da barba" e a modernização de equipamentos e técnicas como outros fatores de influência.

No caso do Brasil, Speranzini diz que o crescimento é recente. "Antigamente, as cirurgias eram restritas a uma coisa reparadora, no qual a pessoa tinha uma cicatriz, uma queimadura. Hoje, muitos procuram por questão estética, para ter mais barba." O cirurgião atende, em média, três clientes por mês, e embora ele não fale em preços, cada um paga de R$ 12 mil a R$ 15 mil pelo procedimento.

COMO FUNCIONA?

A técnica mais utilizada é a FUE (Follicular Unit Extraction), que consiste no transplante de fios individuais, seja da própria barba ou de outras regiões do corpo, e não exige cortes. "Um aparelho vai fazer um corte de 0,9 mm em volta do fio e sugar o fio, vai tirar um cilindro de pele contendo o fio", esclarece Mauro. "Na outra técnica, FUT (Follicular Unit Transplantation), você tira uma fita de couro cabeludo com bisturi. Essa cirurgia deixa uma cicatriz, que fica coberta pelo cabelo."

Mauro Speranzini
Divulgação
Mauro Speranzini

A cirurgia dura por volta de sete horas, mas pode ser mais rápida, dependendo de qual é a necessidade do paciente. "Uma pequena falha leva uma hora", exemplifica o cirurgião. E a recuperação é rápida: "Você pode voltar a trabalhar em dois, três dias". Ele pede apenas um cuidado redobrado com o sol e ao se barbear.

"Foi um procedimento indolor. Minha pele absorveu isso muito rápido, tem um inchaço no primeiro dia, depois vai diminuindo", lembra Maurício, cujo procedimento durou quatro horas. Uma das vantagens do método FUE é que ele permite desenhar a barba, tirar pelos de locais indesejados – "maçã do rosto e embaixo do 'gogó'" – e colocá-los onde há falhas. "Além da vantagem estética, [o implante] é funcional pelo fato da barba ficar no lugar correto", completa.

Entre as contraindicações, Mauro alerta que não é possível fazer um implante se não houver fios suficientes e que a cirurgia não é indicada para quem está com algum tipo de processo infeccioso ativo, como acne ativa. "Se forem apenas cicatrizes antigas decorrentes da acna, pode fazer."

"SEMPRE TIVE VONTADE DE TER BARBA CHEIA"

Quem também tem falhas, mas ainda não sabe se vai preenchê-las, é Alédio Ferreira. O enfermeiro de 40 anos tem um transplante de cabelos no currículo e se interessou ao saber que agora também existe para a barba. "Desde os 20 e poucos anos eu sempre tive vontade de ter barba cheia. Como tenho falha, fica muito feio. Tenho vontade de fazer, vou pensar um pouco", conta. O "pensar um pouco" tem motivo, aliás, dois: apartamento na praia e a viagem de férias. "Preciso colocar as finanças em dia", brinca Ferreira.

"AS PESSOAS ACHAM QUE NÃO EXISTE"

Não saber que existe um procedimento como o implante de barba é normal. Foi esta a reação que Maurício ouviu ao contar que acabara de passar por ele: "As pessoas acham que não existe, ficam surpresas com isso". A resposta das pessoas, segundo o designer, foi positiva. "Falaram que combinou comigo, viram a diferença e gostaram. Isso me deixou mais confortável para ter opções de barba ou não ter barba. Depois que fiz o procedimento, não cortei mais." E o estudo que diz que a "moda da barba" já atingiu seu auge e que os homens passarão a tirá-las ganha mais um "inimigo".

Veja a diferença que a barba faz em homens como Jim Carrey e outros:


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.