Relógios com pulseiras de náilon, como os usados por Sean Connery e Honor Blackman em "007 Contra Goldfinger", de 64, são tendência, mas nem todos aprovam

Pussy Galore (Honor Blackman) e, no detalhe, o Rolex GMT Master com pulseira de náilon
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Pussy Galore (Honor Blackman) e, no detalhe, o Rolex GMT Master com pulseira de náilon

James Bond ficou com toda a glória, mas Pussy Galore o usava melhor.

Lá está ela, em uma cena do imperecível "007 Contra Goldfinger", em cima da asa de um avião leve, usando um colete justo de cetim sem mangas e calças pretas confortáveis, com o perfil emoldurado por uma juba cor de mel que era a marca registrada da atriz Honor Blackman. Sua mão esquerda está apoiada no para-brisa da aeronave. No seu punho, um robusto Rolex GMT Master em uma pulseira de náilon primorosa.

O James Bond de Sean Connery também tinha preferência pelas mesmas pulseiras resistentes em seus belos relógios; era um dos inúmeros detalhes da elegante indumentária dos filmes de James Bond que devem continuar a ser referência para os formadores de opinião por toda a eternidade.

Rolex Submariner de James Bond no filme
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Rolex Submariner de James Bond no filme "007 Contra Goldfinger"

Curiosamente, porém, a pulseira listrada do Rolex Submariner de Bond em "007 Contra Goldfinger" é acanhada, estreita demais para o relógio que sustenta.

Talvez fosse essa a intenção ou talvez o responsável por sua fabricação tivesse saído para almoçar quando o relógio foi feito.

A pulseira de Pussy, por outro lado, é ideal para um relógio talvez grande demais para a maioria das mulheres da época, embora bem calibrado para alguém que, no romance original de Ian Fleming, era uma ladra lésbica que liderava as "Misturadoras de Cimento", gangue feminina do Harlem, em Nova York.

Muitos se referem a esse tipo de pulseira como "Otan". Se ela é de fato uma Otan, isso é assunto de considerável debate na Internet, como a maior parte do que tem a ver com o mundo dos relógios finos e de James Bond.

Assim designada por conta da Organização do Tratado do Atlântico Norte, apesar de provavelmente ter sido criada para as forças armadas britânicas, a pulseira Otan clássica é uma tira de náilon liso tecida com duas alças de aço inoxidável e uma fivela de metal. Como Bond e Galore, ela é dura, resistente e difícil de matar.

Além disso, as pulseiras Otan são uma tendência bem visível. Pelo menos foi o que se observou durante a enorme feira de relojoeiros Baselworld, realizada na Suíça entre março e abril deste ano, quando vários deles mostraram o trabalho dispendioso que tinham realizado sobre as pulseiras da Otan, e antes disso, nos pulsos dos hipsters, que ainda são os desbravadores mais confiáveis em matéria de estilo.

Relógios (em sentido horário) da Tudor, Chopard, Bell & Ross e Hamilton
Andrew Giammarco/The New York Times
Relógios (em sentido horário) da Tudor, Chopard, Bell & Ross e Hamilton

Os puristas as odeiam. As pulseiras da Otan "não deveriam estar em nenhum relógio que custe mais do que elas", critica o especialista conhecido como Watch Snob, na Internet. Aliás, acrescentou ele, elas não têm que ser usadas em relógios aos quais "uma pulseira de couro possa ser anexada".

Esse ponto de vista, no entanto, pode ser questionado pelo belo equilíbrio de uma pulseira Otan usada com o Heritage Ranger preto da Tudor (a pulseira camuflada produzida pela renomada empresa familiar francesa Julien Faure); ou o laranja vibrante do Carbon Orange da Bell & Ross, um relógio quadrado cujo esquema cromático foi inspirado pelo instrumental da aviação; ou a faixa de náilon Khaki Pilot Pioneer, da Hamilton, com o relógio trabalhado em alumínio; ou mesmo do Grand Prix de Monaco Historique, da Chopard, feito de titânio. A pulseira Otan é capaz de elevar o nível mesmo do mais opulento desses relógios. Com ela, eles ganham um descolado toque de "Goldfinger".

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