Em termos de estilo, relógios inteligentes não substituem os tradicionais de ponteiros. "Homem é visto pelos sapatos e pelo relógio, e o analógico passa uma imagem muito melhor", diz Alexandre Taleb, consultor de imagem

Tim Cook, CEO da Apple, apresenta o Apple Watch durante evento da empresa no mês passado
Getty Images/Justin Sullivan
Tim Cook, CEO da Apple, apresenta o Apple Watch durante evento da empresa no mês passado

A apresentação da Apple – acostumada a transformar tudo que cria em tendência – no mês passado revelou que a gigante da maçã está decidida a surfar em uma onda tecnológica que já vem se formando há algum tempo, o dos relógios inteligentes, ou apenas "smartwatches".

O Apple Watch é o último de uma série de relógios inteligentes que estão ou estarão em breve no mercado. Todos oferecem interatividade, telas sensíveis ao toque, comando de voz, entre outros dispositivos, mas nenhum apresentou um desenho muito atraente para quem sempre usou relógios analógicos com seus tradicionais ponteiros.

Em artigo para a GQ norte-americana , o jornalista Steven Leckart questiona qual é o valor sentimental de um acessório "tão substituível", citando três relógios, um que foi herdado e dois que lhe foram dados de presente por padrinhos de casamento, que tem como exemplos do contrário. O título do artigo não poderia ser mais claro: "Sorry, Apple Watch. Men Need An Analog Timepiece More Than Ever", ou "Me desculpe, Apple Watch. Homens precisam, mais do que nunca, de um relógio analógico".

Alexandre Taleb assina embaixo. "Meu público é composto por homens de 40 a 60 anos, casados e com filhos, e dentro desse perfil, sempre falo para comprar um relógio analógico, é muito mais bonito. O homem é visto pelos sapatos e pelo relógio, e o analógico passa uma imagem muito melhor", diz o consultor de imagem.

"Sim, é indispensável, e acho que não vai cair em desuso de maneira alguma. Nenhum homem vai para um evento social ou uma reunião de negócios, onde a imagem conta muitos pontos, com esse smartwatch. Acho que ele ainda vai optar pelo relógio tradicional", reforça Bia Kawasaki , consultora de moda. Ela abre uma concessão se o seu cliente estiver em um cargo que exija todas as funções oferecidas pelo aparelho: "Aí eu indico desde já".

Veja alguns modelos de smartwatch que já foram lançados:

PARA O FINAL DE SEMANA

A importância de se ter um relógio analógico de acessório não impede, no entanto, o consumidor de testar um smartwatch. Para Taleb, embora o pequeno computador de punho não seja muito adequado para ocasiões formais, o mesmo não se pode dizer de situações menos sisudas.

"Vou indicar para horas de lazer, horas em que eles não estão trabalhando, no final de semana, no cinema, na academia, praticando esportes. Em lugares assim, é tudo bem. Já para usar direto, eu indicaria mais para o público jovem", aconselha Taleb, que tem apenas analógicos em casa, mas que não descarta adquirir um relógio inteligente como o da francesa Withings (veja na galeria de fotos). "Compraria com certeza porque não parece um [smartwatch]", explica o consultor.

EMPRESAS TRADICIONAIS NÃO FICAM PARADAS

A Withings não é a única a investir em um modelo "híbrido". No mês passado, o chefe da divisão de relógios da LVMH, Jean-Claude Biver, relevou que a Tag Heuer planeja lançar um smartwatch, mas que não pretende apenas seguir os passos de Tim Cook e companhia.

Em entrevista ao iG em novembro de 2013, François Nunez , diretor de criação da Victorinox, citou justamente o envolvimento da Apple como um termômetro para o mercado. Ele não se dizia fã dos modelos até então lançados, mas não deixou de lado a possibilidade de trabalhar com um smartwatch: "Me lembro de dizer que eu não ia entrar na web pelo celular, mas aí a Apple tornou tudo muito conveniente e bonito. Não digo que iremos [fazer] porque é muito cedo, se fizermos, será com uma qualidade que nós não temos ainda".

Já Leckart, autor do artigo que rendeu uma bela repercussão, está decidido a presentear o filho com um "relógio de verdade" quando ele se formar na faculdade, se casar ou completar 18 anos. Mas, se ele preferir "Apple Watch vintage da primeira geração em 2034", como o próprio Leckart coloca, ele também já sabe o que fazer. "Se este for o caso, vou respeitar sua decisão. Vou fazer com seu punho não pare de apitar com seguidos e-mails dizendo a ele: 'Cara, eu respeito sua decisão'."

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