O salão é o habitat natural de Carlinhos, Jandir, Almir e Neto. Juntos, os quatro somam mais de um século de trabalho no ramo. Com o tempo, eles foram promovidos e os anos de servir mesa em mesa ficaram para trás, mas não suas histórias

Garçom: o melhor amigo do homem que o homem não conhece nada a respeito
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Garçom: o melhor amigo do homem que o homem não conhece nada a respeito

Você não sabe o nome completo dele, idade e nunca perguntou se ele tem filhos. Por conta do sotaque, você acha que ele não é da mesma cidade que você, mas nunca checou se essa informação é verdadeira, e se é, não se interessou em saber de onde ele vem.

Ainda assim, você sempre abre um grande sorriso quando o encontra, aperta sua mão com força, às vezes o cumprimento é seguido de uma tentativa de abraço e não poupa nos apelidos na hora de falar com ele. Campeão, mestre e amigão são alguns dos que você mais usa.

Sua relação com aquele garçom do restaurante que você conhece há algum tempo é, de alguma forma, semelhante com a descrição acima? Pois saiba que hoje, além de Dia dos Pais, é também Dia do Garçom.

Conheça a história de quatro ex-garçons de algumas das mais tradicionais casas de São Paulo. Em comum, nenhum é de São Paulo, todos estão no mesmo restaurante há pelo menos 13 anos, não têm planos de sair e a maioria - três de quatro - sequer sabia que existia um dia em sua homenagem. Almir Paiva foi o único. "Também é dia do estudante e daqueles que vêm aqui tentar comer de graça", diz o gerente do Fasano ao se lembrar da famosa pindura.

Carlinhos, do Famiglia Mancini
Brunno Kono/iG São Paulo

"GARÇOM É VOCAÇÃO"

Natural de uma pequena cidade sergipana, Carlinhos está há 28 anos no Famiglia Mancini, onde já viu todos os tipos de astros nacionais e internacionais. Sua regra sempre foi nunca incomodar o cliente, independentemente de quem seja, mas ele se viu obrigado a quebrá-la com o cantor Daniel. "Ele é muito simples, dá esse acesso", diz. Já Danny Glover, de "Máquina Mortífera", não quis saber de cliques. "Esse eu não consegui fazer. Ele levantou e foi embora."

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Jandir, da Fogo de Chão
Divulgação

"SENNA ME CHAMAVA PELO NOME"

Torcedor do Grêmio, Jandir Dalberto ganhou uma aposta do pai, fanático pelo Internacional, e foi ao Rio de Janeiro pegar seu prêmio: ver um jogo do tricolor gaúcho em solo carioca. A convite de um amigo que já trabalhava no Rio, ele foi empregado em uma churrascaria. Prometeu trabalhar 60 dias e nunca mais retornou para o Paraná. Se mudou para São Paulo, e 23 depois, compartilha histórias que contam com nomes como Ayrton Senna e um ex-presidente dos EUA.

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Almir Paiva, do Fasano
Brunno Kono/iG São Paulo

"FUI O PROVADOR DA ROUPA DO FASANO"

Almir Paiva não gosta muito de falar sobre o assunto, mas seu primeiro negócio como garçom não deu muito certo. Depois que um sócio "fugiu com o que era deles", Almir conseguiu a vaga em um restaurante do Grupo Fasano. Nunca mais deixou o grupo.

Apesar de comandar um dos salões mais requisitados de São Paulo, ele não deixa de visitar Hidrolância, sua cidade natal, no Ceará, todos os anos.

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Francisco Neto, do Nanako
Brunno Kono/iG São Paulo

"DUAS HORAS AMARRADO E PIADO"

Arrastão não é exatamente um fenômeno do crime dos últimos anos para Francisco Neto, mâitre do Nanako. Há mais de dez anos, quando trabalhava em um restaurante chinês, quatro assaltantes invadiram o local e obrigaram todos a ficarem na cozinha, amarrados e amordaçados.

Não é uma história boa, mas é a que Neto se recorda na hora em que é perguntado sobre um momento marcante da carreira de 28 anos, todos em restaurantes asiáticos.

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