Para criar um clima e embalar a conversa, a música que toca no carro é um fator importante na hora de sair com alguém pela primeira vez. Dois profissionais que trabalham com ela há mais de dez anos dão dicas do que ouvir e do que fugir nessas situações

O rádio do seu carro não é tão antigo assim. É bom a música também não ser, diz Michel Saad
Reprodução/Mecum Auctions
O rádio do seu carro não é tão antigo assim. É bom a música também não ser, diz Michel Saad

O que pode estragar o seu primeiro encontro com uma mulher? A barba foi cuidadosamente aparada, a camisa, passada, e o perfume, escolhido a dedo, nada muito forte que sufoque a pessoa – e a você mesmo –, nada tão fraco que evapore antes mesmo do encontro começar.

Você combina de buscá-la em casa, mas, por mais seguro que se sinta dentro do carro, sempre existe a chance daquele silêncio constrangedor surgir, uma vez que vocês ainda estão se conhecendo. E, no lugar do silêncio, é sempre bom ter uma boa trilha sonora na manga. Qual a trilha sonora indicada quando você mal conhece a garota? Algo lento e romântico? Nem sempre.

“Tem que ser uma música animada, não tem a ver com música romântica. Acho que tem ser uma nu-disco, música agradável, alegre, não é barulhenta e dá para conversar. Todo mundo costuma gostar”, diz Michel Saad, DJ há 12 anos e sócio da Disco, casa noturna de São Paulo, onde também toca. “Música lenta, romântica, é para horas específicas. Adoro ouvir Marvin Gaye, mas é para certos momentos”, completa.

Vitor Lambert sugere John Pizzarelli e Caro Emerald
Divulgação
Vitor Lambert sugere John Pizzarelli e Caro Emerald

Para Vitor Lambert, “não pode ser nada muito extremo”. “Não pode mandar um rock muito pesado ou algo pop ou brega demais. Pode até ser que ela curta, mas você não sabe em um primeiro momento. É mais fácil apostar em uma música mais leve. Um álbum que agradaria é o CD acústico dos Paralamas do Sucesso, a pessoa pode não gostar, mas não vai odiar”, diz o músico e professor de bateria.

Acostumado a tocar rock em casas como O Bar BarO e Café Photo, ambos na capital paulista, o baterista sugere grupos como Foo Fighters e Green Day, este último porque “pode ser que a pessoa não goste muito de rock, então o pop pode funcionar”.

Se a ideia é fugir de nomes já conhecidos, Lambert tem dois em mente. “Tem um guitarrista de jazz chamado John Pizzarelli, com um som bem leve e agradável, não cai para o rock, que a mulher pode não ser fã. E também tem uma cantora holandesa, a Caro Emerald, é uma mulher cantando, é bem agradável”, sugere. Você pode se perguntar “Caro quem?”, mas procure pela música “A Night Like This” e não fique surpreso ao ter uma epifania musical do tipo “então é ela que canta essa música”.

Outras opções são Crazy P, uma banda inglesa dona de uma música “bem coringa”, de acordo com Saad, mas se eletrônico não agrada, o DJ aposta em The XX, também do Reino Unido, com um som voltado mais para o indie rock.

O QUE EVITAR?

“Música antiga é nostálgico e dá um clima de lembrança, mas vai que ela tem uma lembrança ruim, lembra do ex-namorado? Não tem a ver música velha com uma pessoa que estamos conhecendo”, avalia Michel, que também vê no sertanejo, estilo que se mantém popular entre os jovens há anos, algo “arriscado”: “É que pode ter um lance de rejeição muito grande”.

Vitor também desaconselha, além do ritmo que tomou conta de diversas casas noturnas de São Paulo, estilos como funk, axé e um rock mais pesado. Um outro conselho, este muito mais simples, seria deixar o carro em casa e usar um outro meio de transporte como bicicleta, metrô ou táxi. Nessas situações não tem como discutir com o som ambiente ou com o narrador da “próxima estação”. Você pode negociar uma trilha sonora com o taxista, mas a possibilidade das histórias dele serem melhores de ouvir do que qualquer música vencedora do Grammy é enorme.

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