De vítima de bullying a fã de Bruce Lee e treinador de Robert Downey Jr.

Professor de Kung Fu desde os 16 anos, Eric Oram treina com “Tony Stark” desde 2003. Ao iG, ele fala da experiência, dá dicas para quem busca ganhar músculos em pouco tempo e do cinema com heróis mais “reais”

Brunno Kono | iG São Paulo |

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Robert Downey Jr., o Tony Stark dos cinemas, treina na academia de Oram desde 2003

Questionado sobre o que o levou a entrar para o mundo das artes marciais, Eric Oram é direto: “Bullyng”. Especialista em Wing Chun Kung Fu, modalidade que teve Bruce Lee como seu grande praticante, Oram aprendeu com William Cheung, professor de Lee. No entanto, seu primeiro contato com aquele é considerado a maior lenda do mundo das lutas veio um pouco antes.

“Eu tinha 10 anos, sofria bullying, tinha dificuldades. Meu pai me mostrou um filme com Bruce Lee, ‘Operação Dragão’, falei que queria ser como ele [Lee]”, diz Oram em entrevista por telefone ao iG. Aos 16 anos, ele começou a dar aulas, experiência que classifica como “batismo de fogo” por conta da sua idade na época, e de lá para cá são quase três décadas como professor.

Eric afirma que sempre teve interesse em trabalhar com cinema e que chegou a estudar teatro na faculdade. De acordo com o site IMDb, sua primeira participação foi uma ponta na série “De Pernas Para o Ar”, em 1994.

Mas são as últimas que lhe renderam maior destaque. Oram trabalhou como consultor – e às vezes dublê – nos três filmes do Homem de Ferro, em dois de Sherlock Holmes – os cinco estrelados por Robert Downey Jr. – e no primeiro Batman da trilogia de Christopher Nolan, “Batman Begins”.

Downey Jr., que viu sua carreira ressurgir de vez após interpretar o herói da Marvel, em 2008, é aluno da sua academia, em Los Angeles, nos EUA, desde 2003. É normal ver atores que mudam drasticamente sua dieta e rotina de exercícios com o objetivo de moldar o corpo – exclusivamente para filmagens, é importante ressaltar –, mas este não parece ser o caso de Robert, e Eric o usa como exemplo para quem entra na academia com o objetivo de ganhar massa muscular em pouco tempo.

“Ele [Robert] se mantém em forma, não passa por grandes mudanças, não precisa. Ele treina o necessário três vezes por semana, se mantém ativo, de forma que se tiver que passar por grandes mudanças, não será um choque para o corpo. Ele só intensifica os treinos. É um estilo de vida, sem lesões, caso contrário, o corpo não aguenta o peso. Tente incorporar no seu estilo de vida e tente manter”, diz o mestre em Kung Fu.

Robert Downey Jr. e Eric Oram. Foto: ReproduçãoWilliam Cheung, Robert Downey Jr. e Eric Oram. Foto: ReproduçãoWilliam Cheung e Bruce Lee. Foto: ReproduçãoEric Oram treinou Bale para "Batman Begins". Para fazer "O Operário", ator perdeu 28 kg. Foto: DivulgaçãoChristian Bale em "Batman Begins". Foto: Divulgação

HERÓIS MAIS REAIS

Embora Tony Stark e Bruce Wayne sejam dois exemplos fictícios que passam longe da realidade, eles estão distantes do arquétipo de “herói testosterona”, visto em nomes como Rambo (“Rambo”), Dutch (“O Predador”) e John McClane (“Duro de Matar”), até porque Homem de Ferro e Batman saíram de um universo, o das histórias de quadrinhos, que sempre foi voltado para crianças e adolescentes. Para Oram, isso é bom.

“É ótimo, é mais real. Meu professor tem 1,78 m de altura, não é grande. Eu entendo que eles gostem de mostrar músculos, mas a maioria das pessoas nunca vai ser assim. Sherlock [Holmes] não é grande, mas nós conseguimos mostrar o quão poderoso uma pessoa menor, principalmente nas cenas de luta. É mais realista, mais interessante”, defende.

Oram afirma que não existe certo e errado quando o assunto é heróis – e não apenas os baseados nas HQs – no cinema, mas elege três filmes que o marcaram: “Rocky”, de 1976, “Star Wars”, de 1977, e “Os Caçadores da Arca Perdida”, de 1981. No cinema recente, ele diz gostar dos últimos James Bond, estrelados por Daniel Craig.

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Eric Oram é fã do James Bond de Daniel Craig

ENSINANDO A JOGAR

Além de trabalhar com Downey Jr. e Bale, Oram também chegou a instruir jogadores de futebol americano, e se lembra de Chike Okeafor, atleta de defesa já aposentado e com passagens por equipes como San Francisco 49ers, Seattle Seahawks e Arizona Cardinals, este com quem foi disputou o Super Bowl.

“Basicamente, pegamos a sua posição [de defensor] e analisamos o que ele estava tentando conseguir. Trabalhamos para melhorar sua agilidade, reflexos e estratégias”, conta Eric. Okeafor não é baixo (mede 1,96 m de altura), mas como pesava cerca de 116 kg quando jogava, se via obrigado a ter de passar por atletas mais pesados na hora de enfrentar a linha ofensiva adversária.

No mural de depoimentos do site da academia de Eric, Okeafor diz – ele provavelmente disse isso quando estava em atividade – que Wing Chun é perfeito: “Sou um oponente menor lutando contra oponentes maiores. No passado, eu tinha dificuldades de usar força contra força. Agora eu derroto essa força com eficiência, esquiva e velocidade”.

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