Nick Gilronan, de 27 anos, decidiu entrar em um concurso de "menor pênis" do Brooklyn, em Nova York, por "diversão". Após vencê-lo, conquistou também os "15 minutos de fama", como ele mesmo diz, e virou exemplo para homens com dificuldades de lidar com o próprio corpo

Nick Gilronan venceu concurso de
Model Mayhem
Nick Gilronan venceu concurso de "menor pênis do Brooklyn" e virou espécie de exemplo para os homens

Nick Gilronan tem 27 anos, trabalha em uma grande empresa do ramo de transportes expressos, foi promovido recentemente, mora no Queens, um dos cinco distritos de Nova York, lar do New York Jets – embora eles joguem em Nova Jersey –, equipe de futebol americano pelo qual torce e às vezes acompanha as partidas na companhia dos amigos, e diz estar firme na procura por uma namorada.

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Gilronan mora nos Queens, mas é do Brooklyn que vem sua fama. O título conquistado por ele soa como aqueles apelidos do faroeste e afugentaria muitos caubóis. Em julho passado, Nicholas entrou em um bar e saiu de lá com US$ 200 a mais no bolso, um beijo, fama e a coroa de “menor pênis do Brooklyn”.

O que era para ser apenas uma aventura, algo “divertido”, segundo o norte-americano, ganhou repercussão e o colocou em artigos da Playboy dos EUA e do site Huffington Post. De funcionário de uma transportadora – ele afirma que não pode mencionar o nome da empresa e que teve “alguns problemas” por usar o boné da companhia durante o concurso –, Nick virou uma espécie de exemplo para homens que não conseguem lidar com o próprio corpo.

Foi preciso mais do que apenas medir para decidir o vencedor (caso o contrário teria terminado em 10 minutos, onde está a graça nisso?). Vencer o concurso me rendeu uma grana, um beijo (é bom ser o vencedor) e, aparentemente, fama.

“Eu não tinha planos de virar exemplo, mas foi o que me tornei. Os homens se preocupam demais com o tamanho do pênis. Se importam mais com isso do que as mulheres. Se preocupar com algo tão besta como tamanho é perda de tempo”, diz Nick, em entrevista ao iG por e-mail.

Nick se diz “muito satisfeito” com seu corpo e 5 centímetros em particular – eventualmente são 10 cm – e que as mulheres gostam mesmo é de homens confiantes. “Não perca tempo e energia se preocupando com algo que não tem controle”, aconselha. Embora o concurso tenha lhe rendido fama, 200 dólares e um beijo roubado de uma loira após o anúncio do vencedor, ele ainda não encontrou uma namorada. A procura, no entanto, “segue firme”.

iG: Como você entrou em um concurso de “menor pênis”?
Nick Gilronan: Eu estava no Craiglist* procurando por oportunidades como ator e modelo. Foi assim que me deparei com o concurso. A chamada era “procura-se homens menos dotados”. Chamada que atrai o olhar. Cliquei e vi os detalhes, mas, a princípio, achei que era estúpido e fechei. Uns dez minutos depois me veio na cabeça “por que não?”. Por que não se divertir um pouco? Afinal, não é sempre que um cara como eu pode entrar em um concurso (a maioria é para homens e mulheres em ótima forma). Pensei em dar uma chance ao concurso, que talvez fosse divertido.

Americano trabalha em empresa de transportes expressos, mas já fez trabalhos como modelo nu
Model Mayhem
Americano trabalha em empresa de transportes expressos, mas já fez trabalhos como modelo nu

iG: Como o concurso funciona?
Nick Gilronan: O concurso foi no dia 20 de julho em um bar, tinha seis participantes e era dividido em três partes: traje formal, de gala e talento. O traje formal e o de gala – usados no pênis, não no corpo – eram providenciados pelo bar. Você podia fazer a sua própria fantasia para a parte de talento, e foi onde eu acredito que consegui uma vantagem na competição. Eu trabalho em uma empresa de transporte expresso, meus colegas de trabalho me apoiaram e me ajudaram com a fantasia. Cada participante tinha um apelido e o meu era “The Delivery Man” (faz sentido, não faz?). Com esse tema, coloquei uma pequena caixa de entregas em cima da minha genitália, e, imaginando que os outros iriam cantar ou dançar, decidi contar piadas para me destacar e deixar o público do meu lado. Os demais participantes estavam com roupas fornecidas pelo bar e, de fato, ou cantaram ou dançaram, então gosto de pensar que minha criatividade me deu uma vantagem.

iG: Você o venceu. Como foi isso?
Nick Gilronan: Como disse antes, foi dividido em três partes. Embora o título do concurso fosse “O Menor Pênis do Brooklyn”, foi preciso mais do que apenas medir para decidir o vencedor (caso o contrário teria terminado em 10 minutos, onde está a graça nisso?). Um corpo de três jurados e o público votaram após cada etapa para determinar o vencedor. Ficou entre eu e um cara chamado Rip Van Dinkle. Vencer o concurso me rendeu uma grana, um beijo de uma bela garota que trabalhou no evento (é bom ser o vencedor) e, aparentemente, fama mundial.

iG: De quão pequeno nós estamos falando aqui?
Nick Gilronan:
Flácido, cerca de duas polegadas (5 cm). Ereto, quatro polegadas (10 cm).

Eu não estava preparado para toda a cobertura que o concurso recebeu, relata Nick em entrevista ao iG
Model Mayhem
Eu não estava preparado para toda a cobertura que o concurso recebeu, relata Nick em entrevista ao iG

iG: Você não tem medo de mostrar a cara e falar abertamente sobre um assunto que os homens temem. Por que você se sente tão confortável? Isso te ajudou no concurso?
Nick Gilronan: Estou muito satisfeito com meu corpo. Além do meu cargo diário, também trabalho como modelo e ator, então estou acostumado a me apresentar diante de várias pessoas. E alguns dos meus trabalhos como modelo foram nus, então ficar assim em um bar não foi problema. Acho que o público percebeu que eu estava à vontade no concurso e isso me ajudou a vencê-lo, sim.

iG: O que mudou na sua vida desde o concurso? Foi bom para você?
Nick Gilronan:
Eu não estava preparado para toda a cobertura que o concurso recebeu, mas lidar com os meus 15 minutos de fama tem sido divertido. A maioria das pessoas não pode dizer que foi notícia em vários países e que deu entrevistas para TVs e rádios. Tudo isso foi muito divertido. Tornar-se um exemplo é muito bom e fico feliz se puder ajudar caras a superar quaisquer problemas de autoestima.

iG: Como os seus pais e amigos reagiram com esse prêmio incomum?
Nick Gilronan: Após anos aprontando, minha família e amigos não ficaram nem um pouco surpresos. A maioria apenas riu. Outros com quem eu não havia conversado sobre isso souberam por sites e falaram que acharam divertido. Acho que é meio estranho ver alguém que você conhece sendo abordado pela imprensa. Ainda assim, todos apoiaram bastante.

iG: Você tem namorada?
Nick Gilronan: Infelizmente, estou solteiro. Na verdade, eu cheguei a ter alguns encontros desde o concurso por causa da minha vitória, mas não havia química entre nós. A procura segue firme!

iG: Você quer ser um exemplo para os homens daqui para a frente? Como? Você se enxerga como um?
Nick Gilronan:
Eu não tinha planos de virar um exemplo para quem se sente mal com seu corpo, mas foi o que me tornei. Estou confortável com isso, diga-se de passagem. Acho que os homens se preocupam demais com o tamanho do pênis. Desde o concurso eu tive muitas discussões com mulheres sobre o assunto e a maioria pareceu não se importar, acho que os homens se importam mais com isso do que elas. As mulheres me dizem que a personalidade é mais importante que o tamanho. Assim como mulheres de seios pequenos não deveriam se sentir mal com isso, homens também não deveriam se preocupar. Algumas até preferem porque dizem ser mais fácil de lidar e não as machuca. Se preocupar com algo tão besta como tamanho é perda de tempo.

iG: Você tem alguém como exemplo?
Nick Gilronan:
Meu avô me influenciou muito. Ele ajudou a me criar e me ensinou muito sobre ser um homem.

iG: O que significa “ser um homem” para você?
Nick Gilronan: Para mim, essa frase diz respeito a alguém que é responsável e educado. Trabalhar duro, cuidar da sua família, ajudar amigos e até mesmo os desconhecidos que precisarem. Tudo isso faz do homem um homem, pelo menos para mim.

iG: O que você diria aos homens brasileiros?
Nick Gilronan: Não perca tempo e energia se preocupando com algo que você não tem controle. Tudo que isso faz é tirar sua confiança e as mulheres gostam de homens confiantes. Apenas seja você mesmo e faça o melhor que puder em tudo que faz.

Longe dos concursos de tamanho de documento, Nick sai com os amigos e vê os jogos do seu time, o NY Jets
Getty Images/Ron Antonelli
Longe dos concursos de tamanho de documento, Nick sai com os amigos e vê os jogos do seu time, o NY Jets

iG: O que você faz no seu tempo livre?
Nick Gilronan: Fui promovido recentemente no trabalho e isso limitou meu tempo livre, mas eu ainda encontro tempo para sair com os amigos, ver um filme, jogar boliche. Jantar nas noites de sexta-feira ou de sábado é algo que sempre fazemos. Assistir futebol na casa dos amigos também é divertido e barato (Nova York é uma cidade muito cara!).

iG: Você é grande fã do New York Jets. O que tem achado dessa temporada maluca? Ninguém previu que a equipe vencesse times como New England Patriots, Atlanta Falcons e New Orleans Saints.
Nick Gilronan: Confesso que não esperava ver o Atlanta Falcons tão mal, mas eu achava que os Jets poderiam terminar a temporada com oito vitórias e oito derrotas. Eu sabia que nosso ataque seria muito ruim, mas contava com a defesa para segurar o placar e é isso que tem acontecido. Sou um grande fã de defesas.

iG: Parecia improvável no começo da temporada, mas o New York Jets está na briga por uma vaga nos playoffs. Você está muito empolgado? Consegue imaginar um Super Bowl no estádio MetLife com seu time?
Nick Gilronan:
Por mais que eu amasse ver os Jets no Super Bowl, jogando em casa, eu sei que é um tiro no escuro. Se eles, de alguma forma, conseguirem chegar à final, farei o possível para ir. Não me importa quanto custe, a chance disso acontecer de novo são praticamente nulas.

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