Será o primeiro estabelecimento da cervejaria escocesa fora da Europa. Sócio do negócio, Gilberto Tarantino lembra que pensou ter sido enganado por um italiano ao pedir referências de cervejas da Escócia. Ele achou que a marca era norte-americana

BrewDog lança seu primeiro bar fora da Europa na próxima semana, em São Paulo
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BrewDog lança seu primeiro bar fora da Europa na próxima semana, em São Paulo

Foi em uma viagem pela Itália que Gilberto Tarantino tomou conhecimento da BrewDog pela primeira vez. Dono de uma importadora que leva seu nome – acrescido do “Beer” ao final – o empresário de 51 anos achava que a marca era norte-americana, logo, não o interessava – ele estava atrás de rótulos da Escócia. “Queria trazer uma escocesa. Já havia tomado a Ola Dubh, fiquei apaixonado por cervejas envelhecidas em barris de uísque”, diz.

Enquanto almoçava com o dono de uma adega italiana, ele pediu referências de cervejas do país mundialmente conhecido por seu uísque. O italiano anotou o nome em um cartão e lhe deu. Gilberto lembra que foi ver o nome depois de dias, já no Brasil, e ficou contrariado: “Vi o nome da cervejaria, na hora pensei que o italiano quis sacanear comigo”. Depois de checar que a BrewDog era escocesa – ele não foi enganado –, o empresário resolveu dar uma ligada. Quem atendeu foi James Watt, criador da marca. Começava aí uma negociação que ajudaria a trazer o rótulo – aclamado entre os fãs de cervejas especiais – e seu bar oficial, a ser inaugurado no próximo dia 22, em São Paulo, para o Brasil.

Depois de se identificar e dizer que trabalhava com importação de cervejas no Brasil, Gilberto comprou 72 caixas dos escoceses, que demoraram para chegar. “Eu sou corredor, em 2010 fui correr a Maratona de Paris, depois fui passear em Portugal. Achei em um mercado de Lisboa, comprei umas garrafas e fui experimentando. Foi paixão à primeira vista. Fui ver se a gente conseguia trazer um container, chegou antes das caixas e já saiu rasgando de vendendo, deu certo. Logo depois encontrei os donos nos EUA, os caras são jovens, gosto desse espírito mais louco de jovem, que não tem muitas regras. Em 2011, o cervejeiro deles, Graeme Wallace, veio para o Brasil e ficou impressionado com o sucesso da marca, por uma coincidência eles estavam lançando o projeto dos bares”, conta Tarantino. Os jovens, no caso, eram Watt e Martin Dickie, que criaram a cervejaria em 2007, aos 24 anos.

Dono do bar achou que cervejaria era norte-americana quando viu o rótulo pela primeira vez
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Dono do bar achou que cervejaria era norte-americana quando viu o rótulo pela primeira vez

MERCADO CERVEJEIRO EM ALTA; BRASIL NO TOP 5

Tarantino afirma que o Brasil está entre os cinco maiores importadores da BrewDog, fator que ajudou na decisão do primeiro bar fora da Europa ser aqui. “Foi um estudo que começou em 2011, nunca tive bar na vida”, diz o empresário, que trabalhava com comércio exterior antes de se aventurar no ramo. Ele e Paulo Bitelman, seu sócio na empreitada, além de um grupo de investidores, acreditam que o momento é o melhor possível para o segmento. “Nunca para de surgir novos bebedores, vai sempre crescer. As pessoas que já experimentaram vão evoluindo, tem muita coisa nova para chegar”, diz Paulo, que também assina o cardápio da nova casa.

“Não esqueço que eu pagava R$ 45 por uma Chimay em 2010”, completa Gilberto, que comentou também que o Delirium Café, bar oficial da Delirium Tremens no Rio de Janeiro, pode ganhar uma versão paulista em breve. O bar matriz da marca do elefante rosa, em Bruxelas, na Bélgica, é o atual detentor do recorde de casa com maior número de rótulos no mundo. Nenhum dos dois, no entanto, abre os números investidos para abrir o negócio.

COMO VAI FUNCIONAR

Bitelman explica que o número de pessoas contratadas é pequeno. Os clientes pagam apenas o que consomem e devem fazer seus pedidos direto no bar – nada de garçom –, “onde vão ser iniciados no mundo cervejeiro pela equipe”, diz o chef de cozinha de 32 anos. O serviço na mesa será mínimo, como limpeza e recolhimento dos pratos.

Por falar em pratos, o chef revela que são 12 opções, duas delas sobremesas, e indica duas sugestões. O “Dog Paradox” é um cachorro-quente com salsicha branca de vitela, bacon, chucrute e redução da cerveja que batiza o lanche, enquanto o “clássico BLT” vem com salsicha enrolada em bacon, acompanhado de alface e tomate. Entre as cervejas, Bitelman conta que rótulos de outras marcas internacionais, como a norte-americana Rogue e a dinamarquesa Mikkeller, e nacionais, como a paranaense Way Beer, serão servidos na casa. Depois de São Paulo, a BrewDog parte para o Japão, onde lançará seu bar, em março deste ano, na cidade de Tóquio.

SERVIÇO:

BrewDog Bar São Paulo
Endereço:
Rua dos Coropés, 41, Pinheiros
Telefone:
(11) 3032-4007

* Bebidas alcoólicas são proibidas para menores de 18 anos. Se beber, não dirija.

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