No Dia dos Carecas, quatro deles contam como foi perder os cabelos, assumir a calvície e as vantagens e desvantagens dela, enquanto elas dizem que, sim, elas gostam mais dos carecas

Marcus Vinicius, criador do Clube dos Carecas
Arquivo pessoal/Marcus Vinicius
Marcus Vinicius, criador do Clube dos Carecas

Com pai e irmãos cabeludos, Marcus custou a acreditar que, com apenas 20 anos, estava entrando em uma rota que poucos homens gostariam: ficar careca. Mesmo com uma dermatologista – sua mãe – dentro de casa, ele procurou os tratamentos mais “absurdos”, como ele próprio define, para reverter o quadro. “Peguei anticoncepcional e coloquei no xampu, já passei refrigerante na cabeça, dormi com a cabeça para baixo para ver se aumentava a circulação e crescia cabelo, passei por todo tipo de ridículo”, diz.

A mãe, especialista, insistia para que o filho procurasse ajuda profissional. “Relutei muito para aceitar, eu não me conformava, não tinha coragem de ir ao médico, de assumir. Como eu era muito novo, dava a impressão de que eu era bem mais velho, mais velho antes do tempo”, lembra Marcus Vinicius Brito da Costa, atualmente com 42 anos.

Passadas mais de duas décadas desde que começou a perder os cabelos, Costa hoje esboça algumas risadas ao recordar dos métodos usados no passado. “A calvície é uma situação inerente à masculinidade, o homem já entende”, avalia Maria Fernanda Gavazzoni, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Não foi o caso do gerente de TI, que chegou a iniciar um tratamento, mas sem resultados. A solução foi raspar a cabeça: “Comecei a viver de novo depois disso”.

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AINDA NA JUVENTUDE

De acordo com Gavazzoni, a calvície costuma ter dois picos de aparecimento no homem, o primeiro em torno dos 18 anos, que é mais preocupante, e o segundo quando ele já é mais velho, na casa dos 50 a 60 anos de idade. Médico e tricologista, Ademir Leite Júnior diz que já atendeu casos de jovens entre 15 e 17 anos.

Daniel e Renan não são pacientes de nenhum dos dois especialistas, mas começaram a ficar carecas antes de atingirem a maioridade. “Tentei esconder quando as entradas ficaram maiores. Eu já estava percebendo que ia ser calvo, pensei ‘vou tentar disfarçar um pouco’, então deixei crescer o ‘black power’, conta o arquiteto Daniel Gonçalves, de 26 anos.

Dois anos após se formar no colegial, em 2006, o arquiteto resolveu adotar o estilo de Vince Carter, jogador de basquete e seu ídolo na juventude: “Fui direto para a navalha”. E agora ele não deixa mais o que restou dos cabelos crescer, só que o temor agora é outro. “Estou cheio de cabelo branco, aí tenho vergonha deles”, brinca.

Com Renan Sabbag, de 25 anos, não houve muitos problemas. O engenheiro agrônomo diz que, como todos os homens da família da mãe são calvos, já imaginava que isso fosse chegar até ele, e de fato chegou quando tinha 17 anos. “Eu era muito novo, fiz tratamento com loção, chegou a dar uma melhorada, mas acabei desistindo e assumi. Não sinto falta, se eu continuasse [o tratamento], eu ia ter um pouco de cabelo, o que é quase nada.”

Du Moreira, baixista da banda André Abujamra e os Nerds, nunca teve problemas em ser careca
Arquivo pessoal/Du Moreira
Du Moreira, baixista da banda André Abujamra e os Nerds, nunca teve problemas em ser careca

“ME FIZ CARECA ANTES"

“Para mim [a calvície] começou de cara pela frente (acima da testa). Nunca me liguei muito ou me preocupei, pelo contrário. Quando eu tinha uns 20 e poucos anos, uns 27, já comecei a raspar, adiantei o que a natureza ia fazer. Me fiz careca antes. Nunca vou esconder”, revela Du Moreira, músico da banda André Abujamra e os Nerds, de 42 anos.

Embora a calvície nunca tenha sido um trauma na vida de Du, ele confessa que tem amigos que não encararam da mesma forma. “Quando você fica careca de cara é mais fácil, mas tem pessoas que tinham cabelo comprido, pode ser um assunto ruim para elas. Um amigo nosso fez implante algumas vezes, ficou bom. Não é uma questão de ser bem resolvido, eu, por acaso, ‘encano’ com outras coisas, fico muito mais preocupado em emagrecer, fazer academia”, diz.

O CLUBE DOS CARECAS

De tanto que procurou – sem muito sucesso – tratamentos para evitar a calvície, Marcus Vinicius resolveu fundar o Clube dos Carecas , em 2000, um site para reunir informações, carecas e, quem sabe, mulheres que se interessassem por ele. “Todo mundo achava que ninguém ia acessar, mas, no fundo, eu tinha certeza que outras pessoas tinham o mesmo problema de não encontrar informação em lugar nenhum. Hoje a gente recebe e-mails de apoio, inclusive das garotas que gostam de carecas, pedidos de camiseta”, comemora.

Ele até se surpreende em como a sua vida amorosa melhorou após assumir a calvície. “Na época em que montei o clube eu não conseguia parar com namorada, eu participava de programa de TV, era absurdo. É um espanto até para nós porque quando ficamos carecas, o pessoal brinca que é melhor casar logo porque a mulher vai sair correndo. Mas foi por isso que eu raspei, é pior quando reluta, fica escondendo, isso cria uma barreira terrível. Depois que se liberta, parece que as portas se abrem.”

É DOS CARECAS QUE ELAS GOSTAM MAIS?

“Eu nunca tive problema nenhuma, às vezes até acho melhor ser careca, chama atenção”, avalia Renan. “Todas são malucas por carecas, na verdade”, se gaba Daniel. Segundo pesquisa realizada pelo clube de Marcus, a maioria das mulheres entrevistadas diz não ligar se o homem é careca ou não, mas 20% afirmou ter uma preferência por caras parecidos – das sobrancelhas para cima – com Bruce Willis, Kelly Slater e Vin Diesel.

A gestora de negócios Débora Domingues, de 28 anos, é fã dos últimos dois: “Eu prefiro, acho bem bonito, sempre chamou minha atenção. Não tem uma explicação, a maioria dos meus ex-namorados é careca.” Slater também é a escolha de Alina Quiroga. “Ele é a cara do meu marido”, diz a historiadora de 29 anos, seguido de risadas e um “ele vai me matar”. E ela também não sabe explicar o que a atrai. “Sempre achei bacana, acho elegante, esteticamente bonito, é um visual mais limpo.” Outro ícone de admiração de Alina pode surpreender: John Malkovich.

O surfista - não se engane com o taco de golfe - Kelly Slater é um dos galãs carecas
Getty Images/Jeff Gross
O surfista - não se engane com o taco de golfe - Kelly Slater é um dos galãs carecas

“Existem atores que são considerados sexy e que são carecas, mas não são sexy porque são carecas. Quando essa conta, que é o sucesso de cada um se sentir atraente ao outro e o outro confirmar, fecha, não interessa se é alto, baixo ou careca. O Tom Cruise, por exemplo, é uma tampa (o ator norte-americano tem 1,70 m de altura)”, analisa Du Moreira. Casado e pai de um menino, o baixista fica imaginando se o filho passará pela situação: “Ao que tudo indica, ele vai ser calvo. O avô materno é careca. Não sei como ele vai lidar, fico pensando”.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Economizar dinheiro, não precisar ir ao barbeiro, praticidade e acordar e não ter que arrumar o cabelo são algumas das já conhecidas vantagens para quem não os têm. Questionados sobre desvantagens, Du, Daniel e Renan citam a atenção com o protetor solar, mas não enxergam o cuidado redobrado como uma desvantagem propriamente dita. Já as “brincadeiras da galera” são levadas numa boa, relata o arquiteto, que teve sua cabeça transformada em heliponto de um helicóptero de brinquedo – tudo devidamente filmado.

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