País asiático conta com 200 cervejarias artesanais locais, número baixo se comparado a países como os Estados Unidos, mas segue em expansão e tem em Osaka sua "capital"

Durante muito tempo, beber cerveja no Japão significava implicitamente apoiar um dos quatro maiores produtores nacionais: Asahi, Kirin, Suntory e Sapporo. Porém, em meados da década de 1990, quando caiu a lei proibindo a operação de cervejarias de pequena escala, a porta se abriu para a cerveja artesanal japonesa, conhecida como ji-biru.

Mesmo hoje em dia, existem somente cerca de 200 cervejarias artesanais no país, assim, encontrar microcervejarias locais exige esforço; em comparação, os Estados Unidos contavam com aproximadamente 2.500 cervejarias artesanais operando em junho de 2013, segundo a Associação de Cervejarias dos EUA.

O lugar para provar essas cervejas relativamente raras e deliciosamente produzidas é Osaka, a terceira maior cidade do Japão. "Há muito tempo Osaka tem sido chamada de cozinha do Japão. As pessoas gostam de sair para comer e festejar", diz Mark Meli, professor da Universidade Kansai e autor de "Cerveja Artesanal no Japão", o primeiro guia sobre o assunto, publicado no ano passado.

Meli começou a trabalhar no livro, um guia indispensável para amantes da bebida em visita ao país, cinco anos atrás. Então, dava para contar nos dedos de uma mão o número de bares que serviam cervejas artesanais japonesas em Osaka. Já em 2012, "a coisa explodiu". Hoje em dia, existe mais de uma dúzia de lugares do gênero.

O início da explosão foi a abertura, em abril de 2012, do Beer Belly Tenma, terceiro e maior bar afiliado à cervejaria Minoh, de Osaka. A cervejaria pioneira é agora comandada por três irmãs que ganharam aclamação mundial pelas bebidas cheias de nuance, como a W-IPA que ganhou o prêmio de melhor cerveja do mundo de 2013 na classe Imperial IPA. O novo endereço no bairro de Tenma oferece excelentes cervejas da Minoh, tais como a sazonal White Ale, uma nova favorita que é feita com yuzu, mas o local também oferece comida de boteco satisfatória como peixe, batata frita e bolinhos grudentos de camembert frito.

Em Osaka, a proximidade dos muitos bares que servem cerveja artesanal é particularmente propícia para esse público. Saindo do Beer Belly Tenma, bastam algumas passos até o Craft Beer Bar Marciero, um lugar barulhento, confortavelmente apertado, com oito torneiras e uma grande seleção de ji-biru, como a Imperial Black IPA, da Shiga Kogen, e a Kokutou Sweet Stout, da Sankt Gallen.

Ao passar pela estação de trem Umeda, pare no Beer Stand Molto! e tome uma garrafa de Iwate Kura de trigo. Mais ao sul, no Yellow Ape Craft, boteco enfumaçado de dois andares, as torneiras forneciam uma cerveja belga especial do Osaka Mujina Beer Project, colaboração entre a cervejaria Ise Kadoya e vários bares do lugar.

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A pouca distância dali está o Dig Beer Bar, lugar amigável aberto no ano passado onde, após alguns copos de ji-biru em dezembro, Meli resumiu a abordagem expansiva das cervejarias artesanais japonesas. "Elas estão atacando em todos os estilos. É esse o conceito: pegar coisas de outros lugares, ajustá-las e deixá-las melhor."

O resultado é um mundinho da cerveja artesanal que pode agradar fãs de uma ampla gama de estilos, da cerveja de frutas, passando por variedades fortes, escuras, claras e IPA. Porém, manter uma variedade diversificada de estilos muitas vezes exige importar ingredientes não nativos, o que aumenta os custos. "O preço impede que todos experimentem", afirma Meli. Ainda segundo ele, a ji-biru é "duas a três vezes mais cara do que as outras cervejas".

De fato, a cerveja que estava bebendo naquela noite – uma weizenbock deliciosamente suave da Fujizakura Heights, microcervejaria situada nos arredores do Monte Fuji – não chegava a um quartilho, mas me custou mil ienes (quase US$ 10 pelo atual câmbio favorável). Curiosamente, muitas das pessoas dispostas a pagar pelos preços mais elevados costumam ser mulheres, contou Meli, explicando que a ji-biru tem sido muito anunciada para esse público em revistas e outros meios de comunicação.

Como era de se esperar, na sexta-feira à noite no Dig, as mulheres eram a maioria dos fregueses. Na noite seguinte, uma mistura nivelada de homens e mulheres, em casais ou grupos maiores, lotavam o Garage 39, bar cavernoso aberto em outubro. Eu, por outro lado, não precisei de nenhum incentivo para experimentar essas cervejas artesanais japonesas que começam a rivalizar com as melhores do Ocidente.

* Bebidas alcóolicas são proibidas para menores de 18 anos. Se beber, não dirija.

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