Fabricada por monges na Bélgica, cerveja custa R$ 190, e kit, com seis garrafas e duas taças, R$ 1.300. Para comprar na abadia onde ela é produzida, é preciso reservar um horário por telefone e enviar até a placa do carro que vai fazer a retirada

Westvleteren 6 (tampa verde), 8 (tampa azul) e 12 (tampa amarela)
Brunno Kono/iG São Paulo
Westvleteren 6 (tampa verde), 8 (tampa azul) e 12 (tampa amarela)

Para bom entendedor, meia palavra basta, mas, às vezes, nem isso é preciso. A garrafa marrom sem rótulo e a tampinha amarela entregam a cerveja: Westvleteren 12. Produzida por monges trapistas da abadia de São Sisto, em Vleteren , na Bélgica, ela figura entre as melhores do mundo, de acordo com rankings – do BeerAdvocate  ao RateBeer  – e o paladar de entusiastas, e muitos não hesitam em colocá-la no topo.

Parte da aura em torno dessas garrafinhas com 330 ml se deve à dificuldade de conseguir uma, principalmente se você não tem planos de ir à Bélgica tão cedo. Os monges exportam a bebida que produzem em ocasiões extremamente pontuais, como em 2012, quando 15 mil kits – com seis garrafas e duas taças – chegaram aos EUA por US$ 85 cada. O objetivo dos religiosos era usar o dinheiro na reforma da abadia.

Para quem for para a Europa, é possível comprar uma caixa com até 24 garrafas por 40 euros (cerca de R$ 120), mas é preciso marcar horário por telefone – o site oficial da abadia já avisa que eles costumam ficar ocupados com frequência – e enviar a placa do carro que vai retirar a caixa. Aos que estão a pé e não se planejaram, um kit com seis garrafas é vendido. Nos dois casos, os monges ainda pedem que os clientes não revendam a cerveja, e cada cliente tem direito a apenas uma caixa ou kit. Não que todos obedeçam.

Em sites de leilão, alguns consumidores que não deram ouvidos aos monges vendem a cerveja – a unidade – por R$ 130, tampinhas, taças e até a caixa de papelão onde veio o kit por, acredite, R$ 89.

Em São Paulo, um bar especializado em cervejas artesanais tem a Westvleteren 12 em estoque desde o mês passado, mas os preços também não são muito convidativos. O kit que foi para aos EUA por US$ 85 sai aqui por R$ 1.300, enquanto a garrafa custa R$ 190. Não demorou para as reclamações surgirem.

"Muita gente reclamou. Alguns falaram que com esse dinheiro vai para a Bélgica e bebe lá, outros falaram que é caro, mas que é isso mesmo, que se puder comprar lá, compre lá. Por outro lado, é uma opção, é um serviço para quem quer, se quiser beber a cerveja, ela está aí. Não tenho cerveja de R$ 4 mil igual restaurantes têm vinhos por esse preço ou mais", afirma Paulo Almeida, dono do Empório Alto de Pinheiros.

Ele diz que as cervejas foram trazidas ao Brasil por uma importadora gaúcha, mas o alto preço cobrado inviabilizou a negociação: "Eu teria que cobrar R$ 300 por cada garrafa, não dá". Meses após o primeiro contato, a empresa, em vias de encerrar suas operações, consultou Paulo novamente, agora para saber se ele negociaria ficar com todo o estoque de Westvleteren 12. "Teve uma redução. Ia vender por R$ 300 e pouco. Se pudesse vender por menos, seria melhor. Imagina, US$ 85 no kit, eu compraria dois caminhões."

SEM CULPA

Se você estiver disposto a gastar R$ 190 em uma garrafa, não se preocupe. Beber uma dessas não te torna cúmplice de uma insubordinação aos mandamentos de "não revenderás" dos monges. As Westvleteren 12 que estão à venda no bar paulista fazem parte de algum lote que foi exportado, pois contam com rótulo, algo que não é exigido na Bélgica.

E vale a pena pagar tudo isso? "É relativo. Que toda essa aura ajuda, ajuda, mas os monges fazem a mesma receita há tanto tempo. Tudo isso faz dela a melhor cerveja, não que o líquido seja imbatível", opina Paulo.

* Bebidas alcoólicas são proibidas para menores de 18 anos. Se beber, não dirija.

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