Frustrada com o seu trabalho, Missy Suicide começou a fotografar as amigas, a maioria com tatuagens e piercings, para um projeto que desse espaço para a "beleza alternativa". 13 anos depois, o projeto conta com 3 mil garotas e criou um novo padrão de beleza, o das "garotas suicidas"

Aos 36 anos, Selena Moone é
Divulgação
Aos 36 anos, Selena Moone é "Missy Suicide", a criadora do site SuicideGirls


"Acho que nenhum de nós jamais sonhou que fosse crescer e virar uma empresa bem-sucedida como é hoje. Seria impossível imaginar, lá no começo, que nós ficaríamos 13 anos fazendo isso", diz Selena Mooney sobre o projeto que iniciou em 2001, logo após a Bolha da Internet. "Trabalhei para várias empresas de mídia online, mas fiquei frustrada com a Bolha e decidi voltar à escola e estudar fotografia", lembra.

Selena, que atende, e prefere assim, por "Missy Suicide", é a criadora do " SuicideGirls ", projeto que nasceu com o objetivo de dar um espaço para a beleza alternativa e que depois de 13 anos e mais de 8 milhões de seguidores (6,2 milhões no Facebook e outros 2,01 milhões no Instagram) nas redes sociais, praticamente criou um novo padrão de beleza: o das "garotas suicidas".

O termo – garotas suicidas – vem do livro "Sobrevivente", de Chuck Palahniuk (mesmo autor de "Clube da Luta"), mas Missy explica como ele se adequa às mulheres que tiram a roupa para o site: "É uma boa forma de descrever as garotas que cometem 'suicídio social' ao não aderir aos padrões". Com "não aderir aos padrões", a fotógrafa faz menção às tatuagens, piercings e cabelos das mais variadas cores de suas garotas suicidas. "Eu queria mostrar a beleza e dar uma plataforma para que elas pudessem compartilhar o que pensam."

As primeiras garotas que posaram para o site foram amigas de Missy. "Tenho sorte que muitas delas acreditaram na minha visão e toparam participar de algo divertido e, de certa forma, subversivo", diz. Passados três meses no ar, o projeto pessoal da fotógrafa começou a sair de Portland, talvez o berço ideal para um projeto alternativo como este, e fazer barulho. "Fui entrevistada para um programa de alcance nacional aqui (EUA). Foi quando percebi que o projeto era maior do que eu havia inicialmente projetado."

Veja quem são algumas das Suicide Girls na galeria de fotos abaixo:

"AINDA TEMOS UM LONGO CAMINHO"

Missy comemora o crescimento e a longevidade do projeto – "é ótimo que o mundo tenha começado a aceitar a cultura alternativa" –, mas, depois de quase 9 milhões de seguidores e um portfólio com 3 mil "suicide girls", cerca de 35 delas brasileiras, fica a dúvida se o embrião que deu origem ao site – a beleza alternativa – já não é tão alternativo assim. Missy acredita que ainda há um caminho pela frente.

"Nós ainda temos um longo caminho até que a sociedade aceite os diferentes tipos de corpos, e mais longo ainda para que as discriminações contra eles acabem. Eu acredito que o SuicideGirls será sempre um lugar para exaltar tudo que estiver fora do padrão, seja lá o que for no futuro", responde a fotógrafa.

Com suas 3 mil modelos, o site comercializa tudo que estiver ao seu alcance, das fotos, ao custo de US$ 12 por mês ou US$ 48 por ano, a livros, roupas, adesivos e até HQs. O próximo passo, de acordo com Missy, é investir na turnê do show burlesco "SuicideGirls: Blackheart Burlesque" e em filmes.

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