Famoso por "Todo Mundo Odeia o Chris", ator escreveu livro com lições da sua vida para quebrar imagem de "macho alfa" e diz que sentiu-se "homem de verdade" quando varreu o chão de fábricas para sustentar a família. Em entrevista ao iG, ele fala dos erros, de como ser um homem melhor e mais

Terry Crews esteve em SP para promover a marca de desodorantes da qual é garoto-propaganda
Divulgação
Terry Crews esteve em SP para promover a marca de desodorantes da qual é garoto-propaganda

É para Los Angeles que muitos aspirantes a astros de Hollywood vão no início de carreira. Foi para lá que Terry Crews , mais conhecido no Brasil como Julius, o "pai do Chris" da série "Todo Mundo Odeia o Chris", foi em 1991. Decidido a sair de sua cidade natal (Flint, no Michigan), a qualquer custo, Crews queria trabalhar com cinema e TV assim que assistiu ao primeiro "Star Wars", em 77, mas a cruzada pelos EUA rumo à Califórnia foi para jogar bola, não entregar currículo em porta de estúdio.

Com 1,91 m, 111 kg e brutalmente em forma, Terry foi recrutado pelo Los Angeles Rams, equipe de futebol americano da NFL que atualmente está em St. Louis, para jogar na posição de linebacker, o "xerife da defesa", embora mal visse o campo. "Sete temporadas. Ia para os treinos e era cortado, sentava e esperava. Esperei sete anos, joguei por diferentes times", diz o ex-defensor em entrevista exclusiva ao iG .

"O ponto alto da minha carreira na NFL foi ter desmaiado no Monday Night Football (jogo transmitido no horário nobre de segunda-feira)", brinca. De fato, ele "apagou" após o choque com Clarence Verdin durante a partida entre o seu San Diego Chargers e Indianapolis Colts ( assista aqui ), em novembro de 93, mas as luzes se apagaram de vez três anos depois, após ser dispensado pelo 5° clube na carreira e ter decretada a aposentadoria dos gramados.

Capa de
Divulgação
Capa de "Manhood", livro escrito pelo ator

"HOMEM DE VERDADE"

Para Crews, estar dentro do mundo profissional da bola oval era a síntese do que é "ser homem". Aqueles ao seu lado eram os "homens dos homens dos homens", o que não significa que o momento mais "macho" na vida do ex-jogador tenha sido o esporte.

Leia também: Homem atual é mais "grosseiro" que o de antigamente, segundo pesquisa da Old Spice e do Instituto Ilumeo

"Assim que me aposentei, eu fali. Nos mudamos (ele e a família) para Los Angeles, eu tinha que fazer alguma coisa. Comecei a varrer o chão de uma fábrica, era terrível, mas, enquanto eu varria, percebi que estava mudando minha situação e me senti um homem de verdade. Porque um homem de verdade se responsabiliza por tudo que está acontecendo em sua vida. Recebi um cheque, pouco dinheiro (Crews recebia US$ 8 por hora trabalhada), comprei leite, gasolina... Me senti como um homem, mais do que em qualquer momento na NFL. Depois disso eu sabia, era trabalhar, não ser preguiçoso", lembra o ator.

Terry acredita que foi preciso falir para perceber o que estava acontecendo e se tornar um homem melhor, lição que virou o título do seu livro, " Manhood: How to Be a Better Man-or Just Live with One " – "Masculinidade: como ser um homem melhor ou apenas viver com um", em tradução livre –, lançado neste ano e disponível apenas em inglês.

A ideia de colocar esta e outras lições em um livro tem como objetivo mostrar justamente um outro lado do autor, não só o do ator cujo carisma foi galgado por personagens em produções como "Todo Mundo Odeia o Chris", "As Branquelas", a franquia "Os Mercenários" e, mais recentemente, os comerciais da Old Spice , marca que tem Terry como garoto-propaganda e que o trouxe a São Paulo nesta semana.

"O engraçado é que eu e minha esposa íamos para os lugares, as pessoas diziam 'você é ótimo, você é incrível', e ela fazia aquela cara de 'é, nem tanto'. As pessoas colocam as celebridades em um pedestal, as celebridades compram isso, pensam que são assim, e de repente tudo vai embora. Eu tinha que estourar essa bolha."

Veja fotos da carreira de Terry Crews no esporte, no cinema e na televisão:

"COMETI MUITOS ERROS, MINHA ESPOSA SABE BEM DISSO"

Entre as celebridades que compram o sucesso e depois se veem sem nada está Crews, embora ele não fosse um astro na época, mas um jogador perambulando de time em time na NFL: "Tive que matar meu orgulho, porque quando você é um homem orgulhoso, você não ouve as pessoas, mesmo se estiver na direção errada. Há uma linha tênue entre ser bom ser orgulhoso e você se passar por tolo. Tive que sair disso e descobrir que precisava ser mais humilde".

De tão orgulhoso e egoísta que era, Terry afirma que seu livro poderia se chamar "Terry Crews é um idiota e foi assim que eu sobrevivi". "Isso é muito verdade", diz o ator, aos risos, para depois voltar a falar sério. "Eu cometi muitos erros, minha esposa sabe bem disso. Eu não sabia o que estava fazendo, eu era esse cara extremamente masculinizado, tinha ciúmes dos outros jogadores, dizia para a minha esposa que eu era melhor. Ela então me perguntava por que eu não estava jogando, eu dizia 'não fale assim comigo'. Eu era outra pessoa."

Nos mudamos para Los Angeles, eu tinha que fazer alguma coisa. Comecei a varrer o chão de uma fábrica, era terrível, mas, enquanto eu varria, percebi que estava mudando minha situação e me senti um homem de verdade."

Uma de várias passagens do livro ilustra o que era esta "outra pessoa". "Um pouco antes dos Rams me dipensarem, eles me deram um bônus de US$ 40 mil para jogar uma segunda temporada. Eu fui lá e comprei um Nissan Pathfinder, o carro do momento na época. Não importava não ter um lugar para minha família viver ou morar com meus pais, contanto que eu tivesse um carro legal."

COMO SER UM HOMEM MELHOR?

"Não existe uma receita pronta. Você instantaneamente se torna um homem melhor quando você se livra do orgulho, é aí que começa. Muitas coisas te tornam um homem melhor. Aceite que você comete erros, se você não enxergar isso, você nunca mudará. Você vai mal em um teste, você assume que falhou, estuda e se torna um estudante melhor. Faça isso com a vida e torne-se um homem melhor."


Na previsão de Crews, Denver Broncos e Seattle Seahawks voltam a se enfrentar no Super Bowl em 2015
Getty Images/Jamie Squire
Na previsão de Crews, Denver Broncos e Seattle Seahawks voltam a se enfrentar no Super Bowl em 2015

PALPITE PARA O SUPER BOWL

Aos 46 anos e aposentado do futebol americano há quase 20, Terry Crews ainda acompanha a modalidade e eventualmente faz participações em canais esportivos, sempre ao seu jeito ( entenda aqui o que isso significa).

Questionado sobre quem disputará o Super Bowl, a grande final da NFL, em fevereiro de 2015, o ator e ex-linebacker dá seu palpite: "Difícil, gosto do Arizona Cardinals, o Denver Broncos está bem... Não tenho ideia, é o que torna isso mais empolgante. Vou com uma revanche do Super Bowl passado (vencido pelo Seattle Seahawks em cima do Denver). Seattle sabe como jogar nos playoffs, e quando você vence alguém como eles venceram (bateram Denver por 43 a 8), é difícil tirar isso da cabeça. Acho que ganham de novo".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.