Você planeja sair da casa dos pais e morar sozinho em 2015? Veja algumas das dificuldades que você pode enfrentar, quem pode te ajudar e o que é bom saber antes de dar este passo

Eduardo Campos, criador do Parafuzo, com serviços voltados principalmente para solteiros
Divulgação
Eduardo Campos, criador do Parafuzo, com serviços voltados principalmente para solteiros

Sair da casa dos pais é um processo natural para muitos que estão na faixa dos 20 e poucos anos, chegando aos 30. É o fim da mordomia, das contas pagas e das roupas que vão para o cesto e voltam limpas e passadas como se fosse mágica. Se essa é uma das suas resoluções para 2015, encare esta matéria como um primeiro passo para dentro do lugar que você chamará em breve de seu (seja alugado ou imóvel próprio).

"Você tem que criar uma rotina. Não pode achar que só porque mora sozinho pode fazer o que quiser, deixar tudo jogado, não é assim. Bagunça não é legal", conta o jornalista e estudante de Direito, Pedro Sirna , 31, que mudou-se para um apartamento no centro de São Paulo há cerca de duas semanas.

Sirna afirma que sua experiência como intercambista nos Estados Unidos ajudou nesta transição de "morando com os pais" para o único responsável pelos afazeres domésticos, e que, por enquanto, as maiores dificuldades, além das causadas pelo tamanho do apartamento, são lavar e passar.

Diarista
Brunno Kono/iG São Paulo

"É algo que nunca fiz. Como não tem um local apropriado para lavar roupa e não tem lavanderia, comprei uma máquina portátil. Acabo lavando cueca, short, camiseta... Passar é de boa. Lavo uma vez por semana, depois que entra na rotina, você pega o ritmo e fica mais tranquilo", observa Pedro.

Luiz Fernando Vecchia , 28, compartilha das dificuldades iniciais de Sirna. Natural de Botucatu, no interior de SP, o advogado veio a São Paulo para fazer faculdade e morou sozinho por três anos ao término dela. "O mais difícil é perder a mordomia. Você não está acostumado a lavar roupa, passar, cozinhar... Em casa tudo é mais fácil. O mais difícil mesmo foi passar roupa. Advogado tem que usar camisa social, passar é um saco. O resto é com a prática, sempre tem alguém que também mora sozinho, aí você pergunta."

DIFICULDADES QUE VIRAM OPORTUNIDADE

De olho na necessidade de caras como Pedro e Luiz, a dupla Eduardo Campos , 28, e George Ferreira , 25, criou o Parafuzo , empresa que oferece a contratação de mão de obra para serviços domiciliares. Na verdade, não foi exatamente em Pedro e Luiz que Eduardo pensou na hora de criar o serviço, em março de 2014.

"A maioria dos nossos primeiros clientes eram mulheres, tudo foi voltado para a mulher. Começamos a ver que estávamos perdendo a oportunidade de atender um público masculino que tinha necessidades até maiores. Quando voltamos a comunicação para eles, tivemos um retorno muito bom", avalia Campos.

A princípio, a Parafuzo oferecia serviços de faxina e pintura, mas a demanda fez com que o portfólio aumentasse. "Um serviço que começou a ser bastante requisitado é o de passar roupa. A gente lavava e secava, mas não passava, então começamos a oferecer. A demanda nova é alimentação; muitos clientes perguntam se tem alguém para cozinhar. Hoje não temos esse serviço, mas estamos pensando."

"Para quem não é acostumado, como é o meu caso, pode ser um perrengue. Minha cozinha é do tamanho do talento do cozinheiro", diz Sirna sobre suas habilidades no fogão. "Mas também não dá para ficar gastando com comida fora de casa, embora as coisas sejam um pouco mais baratas no centro", completa.

Na hora do perrengue, na cozinha ou fora dela, a saída é uma só: YouTube. "A internet é seu melhor amigo. Tudo que você quiser aprender tem lá, tem tutorial de tudo. Para cozinhar, mexer no gás, trocar o gás, ele vai te ensinar", comenta Pedro. Na falta de internet, os pais ajudam. "Outra coisa que falo é ligar para os pais, mas isso ainda não aconteceu. Posso ligar e perguntar. Tem um problema no chuveiro, por exemplo, dou uma liga se não consegui resolver, eles podem me ajudar."

A lista de dificuldades (que logo viram dicas para os estão para se mudar de casa) inclui ainda disciplina na hora de limpar a casa, de pagar as contas – "você tem que aprender a guardar tudo e não deixar de pagar, e, mesmo se pagou, ter um controle daquilo", aconselha Pedro – e algo que nem Eduardo nem George poderão ajudar: a solidão.

"Algumas pessoas têm condições de morar sozinhos, mas preferem morar com mais gente porque têm alguém com quem conversar. Se o pessoal é tranquilo, acaba sendo legal, um ajuda o outro, você conversa, é até melhor do que morar sozinho. Eu fui morar sozinho porque estava estudando para concurso, com mais gente tem distração, foi bem difícil. Ficava o dia inteiro estudando", diz Luiz, que após passar no concurso, mora com três pessoas em Ourinhos (SP).

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