Com planta em Diadema (SP) e cinco rótulos no mercado (falta matéria-prima para o 6°), Votus é a nova marca no segmento de cervejas especiais. Você pensa em entrar no ramo? Veja as dicas que eles dão

Esq. para direita: Thiago Reis Oliveira, Flávio Athayde, Alex Holanda, Gabriel Mafra e Lucas Tatani
Brunno Kono/iG São Paulo
Esq. para direita: Thiago Reis Oliveira, Flávio Athayde, Alex Holanda, Gabriel Mafra e Lucas Tatani

Uma loira fez com que Flávio, Alex, Lucas, Gabriel e Thiago, que não eram um grupo de amigos até então, se tornarem um. Ela, a loira, é frequentemente vista na televisão, agrada a maioria, mas não todos, e faz cada vez mais sucesso no mercado brasileiro em diferentes formas e cores. O nome da loira é cerveja.

Formado em Administração, Flávio Athayde , 32, trabalhava com consultoria de gestão empresarial quando fez o curso de sommelier em 2012, já pensando em empreender na área. Lá ele conheceu o arquiteto Alex Holanda , 29. O empresário trocou de lado e passou ele a dar aulas sobre cerveja, tendo o publicitário Lucas Tatani , 24, como um de seus alunos. Por indicação do mestre cervejeiro  Matthias Rembert Reinold , o também mestre cervejeiro Thiago Reis Oliveira , 35, e o tecnólogo de alimentos e sommelier Gabriel Mafra , 24, foram os últimos a se juntar ao grupo. 

O resultado da união dos cinco (mais Matthias como consultor) é a Votus , cervejaria que chega ao mercado com seis rótulos, embora um deles, uma Belgian Trippel, ainda esteja na fase de produção por falta de matéria-prima.

"Comecei a pesquisar quando tinha uns 19 ou 20 anos, época em que começou a chegar ao Brasil as cervejas importadas de trigo. Meu interesse começou ali, e dali para procurar outras cervejas foi um pulo. Quando soube do curso, já fiz pensando nisso (em abrir uma cervejaria), principalmente porque o mercado estava crescendo", diz Athayde.

Cerca de seis meses após o curso, Flávio deixou o trabalho para se dedicar 100% à cervejaria. Ele chamou Lucas e Alex, depois vieram Gabriel e Thiago, além da consultoria de Matthias, que assina três dos seis rótulos da Votus. Com apoio de investidores, o empresário, que é o dono do negócio, comprou uma planta em Diadema, na Grande São Paulo, onde eles são capazes de produzir até 12 mil litros por mês, mas com espaço para, se um dia for necessário, ampliar a produção para 100 mil litros mensais.

"Parte do negócio é terceirizar produção ( entenda aqui como funciona o processo de produção terceirizado ou "cigano" ), é lucrativo, então há um motivo para ter a planta", afirma Flávio ao ser questionado por que não iniciar com o método cigano, como muitos outros pequenos produtores. "Marca da cerveja é uma coisa, planta é outra. Faz sentido ter as duas. Você economiza bastante."

"JÁ VI GENTE COM DINHEIRO PARA INVESTIR E TER QUE FECHAR"

Reunidos nesta semana para o lançamento oficial da Votus, os cinco cervejeiros deram algumas dicas para quem quer aproveitar o crescimento do mercado de rótulos especiais e empreender no segmento.

"Já trabalhei em outras cervejarias, vi gente com dinheiro para investir e não conseguir render, fazer funcionar, tiveram que fechar e cada um voltar para o seu ramo. Sem estudo, se não souber como trabalhar, pode ter certeza que fecha em um ou dois anos", diz Thiago. "Tem gente que entra no mercado de qualquer jeito, até porque o mercado tem vagas, tem oportunidades, mas você precisa estudar sobre o que quer fazer. Estudar sobre cerveja, sobre o mercado, beber bem e não ter preconceito com marcas e lugares", completa Alex.

Sobre o valor investido, Flávio não abre. "Não falo porque não quero dar a ideia errada. O retorno do investimento ainda não foi total e já vi pessoas falando números muito errados. Se quer descobrir o número mágico, é colocar na ponta do lápis, você encontra facilmente as informações separadas de quanto cada coisa custa. É ir atrás."

Rótulo número 006
Brunno Kono/iG São Paulo
Rótulo número 006

RÓTULOS

Para você, consumidor, deixamos o melhor para o final. A Votus produz seis rótulos (American IPA, Belgian Trippel, Doppelbock, Brown Ale, Weiss e Pilsen), sendo que a Belgian Trippel, de número 2, ainda não está totalmente pronta.

"Vamos ficar com estes seis rótulos até estabilizar a produção e conhecimento no mercado. Quando tiver um conhecimento legal da marca e dos rótulos, vamos pensar em novos", informa Flávio.

Elas são vendidas em garrafas de 300 ml e 600 ml por preços que variam entre R$ 12 e R$ 21 no site oficial . A distribuição, por enquanto, está limitada a São Paulo e ABC.

* Bebidas alcoólicas são proibidas para menores de 18 anos. Se beber, não dirija.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.