Personagem de "50 Tons de Cinza" é o príncipe encantado do conto de fadas moderno? Veja o que sai do quarto vermelho da dor e que pode vir a ser útil na sua vida

Jamie Dorman e Dakota Johnson, protagonistas da versão de
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Jamie Dorman e Dakota Johnson, protagonistas da versão de "50 Tons de Cinza" para o cinema


Bilionário antes dos 30 anos, dono de uma empresa que leva seu sobrenome e de uma cobertura com vista para a cidade, é adepto de máscaras que escondem traumas da infância e que afetam quem está ao seu redor na vida adulta, tem um cômodo em sua casa no qual só ele tem a chave, além de carros, helicóptero e avião particulares, um mordomo disponível 24 horas por dia e se autodenomina um "cavaleiro das trevas". Falamos de Bruce Wayne, certo? Não, falamos de  Christian Grey .

A esta altura, se você ainda não ouviu falar deste sujeito, é uma questão de tempo até que alguém comente. Grey é o protagonista do fenômeno literário de vendas " 50 Tons de Cinza ", cuja adaptação cinematográfica chega amanhã aos cinemas brasileiros. Escrito por E. L. James, o livro narra a primeira parte – de três – sobre o conto de fadas entre um bilionário e uma jovem estudante prestes a se formar na faculdade. Christian é o príncipe supostamente encantado do conto.

E há algo em torno do Sr. Grey que desperta a curiosidade nas mulheres, caso contrário a trilogia de James não teria mais de 100 milhões de cópias vendidas no mundo, o que a deixa no mesmo nível de títulos como "Harry Potter", e o filme não teria vendido mais de 47 mil ingressos antecipados no Brasil, segundo os números do site Groupon e da rede de cinemas Kinoplex.

Tamanho sucesso dos livros – e agora do filme – não significa que as leitoras saiam em busca de um Christian Grey da vida real, mas uma leitura da primeira parte da trilogia ajuda a entender o furor em torno do personagem. Se você é daqueles que jamais ousaria encostar em "50 Tons de Cinza", fizemos o trabalho por você para saber o que é possível absorver do fundador da Grey Enterprises Holdings antes que alguém diga "você deveria ser mais como Christian Grey".

50 Tons de Cinza
Getty Images/Andrew H. Walker
50 Tons de Cinza

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Em primeiro lugar, é preciso "despir" o personagem (não como sua companheira de trama, Anastasia Steele, gosta), tirando sua fortuna, cobertura, carros importados e outros luxos de seu império em Seattle.

ABERTURA NA CAMA

A dinâmica da história entre Christian e Anastasia está fincada no sadomasoquismo, prática sexual amplamente explorada por ele e totalmente desconhecida para ela, ressaltando o fato de ela pouco saber sobre sexo por ser virgem. Embora Grey tenha entrado no mundo BDSM de forma problemática e criminosa (abusado pela amiga da mãe quando era adolescente), se existe alguma mensagem aqui é ter a cabeça aberta para novas possibilidades e experiências, desde que tudo seja feito em parceria e de maneira consensual.

Falar sobre fetiches e fantasias com sua companheira pode não ser tão simples, mas quando 100 milhões de cópias de um livro que gira em torno deste tema são vendidas e salas lotam por conta da sua adaptação aos cinemas, a "desculpa" está aí. Converse, sugira, ouça, se preciso, imponha limites e não ultrapasse os dela (Grey nem sempre faz isso).

Veja fotos do filme "50 Tons de Cinza":

Aparentemente, nem casais "tradicionais" estão imunes aos efeitos de "50 Tons de Cinza". Nos EUA, os estados que fazem parte do chamado " Bible Belt " (Cinturão Bíblico) superaram as expectativas em ingressos comprados na pré-venda. No Mississippi, por exemplo, onde até pouco tempo atrás era proibida a venda de brinquedos eróticos, o número de ingressos vendidos foi quatro vezes maior do que o esperado.

No Brasil, um levantamento feito pela Hibou, especializada em pesquisa de mercado e monitoramento, com duas mil mulheres revelou que 80% das entrevistadas estão dispostas a tentar algo novo na cama, e 87% delas já usaram produtos eróticos como livros, filmes, revistas, óleos, brinquedos e fantasias. Quer falar de fetiches com a garota e não sabe como? Este é o momento.

PRESTE ATENÇÃO NELA

Não é preciso ler mais de 500 páginas ou ficar duas horas dentro do cinema para saber disso, mas como o foco é o personagem que o ator norte-irlandês Jamie Dornan dá vida nas telonas, vamos nos basear em suas ações. Desde o primeiro encontro, Grey coleta informações durante as conversas com Anastasia e as utiliza mais tarde para mostrar que se importa.

Ele não se esquece de que ela prefere chá à café, Londres à Paris e que seu pai é fã de pescaria, assunto para jogar conversa fora quando o conhece pessoalmente. Ela não espera que você seja um príncipe encantado, até porque eles não existem, mas ela espera que você não seja uma total perda de tempo.

ATENÇÃO É DIFERENTE DE OBSESSÃO

Somos lembrados constantemente que Grey é viciado em controle, seja no quarto ou no escritório. A obsessão é herança dos abusos na juventude (tema não explorado nesta primeira parte da trilogia) e o atrapalha, fazendo com que ele se utilize de meios não muito claros para saber onde sua parceira está o tempo todo e, em mais de uma oportunidade, ir ao seu encontro quando não é chamado.  Como se trata de um conto de fadas, ninguém vê problemas nisto ou acha que o protagonista precisa de ajuda profissional.

EXPECTATIVA x REALIDADE

Assim que Anastasia tropeça e cai de quatro em seu escritório logo no início da trama, Christian a enxerga como alguém nascido para ser submisso. O raciocínio é claro: treiná-la nas "artes do BDSM" e mostrar que as dores e espancamentos que fizeram com que livro e filme estejam sendo vistos – com certa razão – como a "glamourização" da violência doméstica contra mulheres, é, na verdade, um caminho para o bem dela. Nem tudo sai como o esperado para o protagonista. O que aprendemos com isso? Não exija que a pessoa mude só porque você quer. Às vezes ela muda por conta própria, às vezes não.

IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO

Assim como fetiches e fantasias sexuais podem ser discutidos em casal, o mesmo se aplica a temas bem menos picantes e muito mais corriqueiros. Perguntar se algo está errado é comum, insistir em saber o que acontece nem tanto, e nisto você realmente pode fazer como o anti-herói cinzento. Não deixe que conversas importantes sejam resolvidas por e-mail, mensagens de texto ou por telefone. Faça isso pessoalmente. 

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