Leilão por virgindade de brasileira passou de R$ 1 milhão, mas nem todos se sentem atraídos por ser o primeiro a transar com a garota. Segundo psicólogo, homens costumam achar estranho, e chegam a temer, uma mulher virgem depois de determinada idade

A brasileira Catarina Migliorini leiloou a virgindade na internet
Reprodução / Facebook
A brasileira Catarina Migliorini leiloou a virgindade na internet





A virgindade masculina não carrega tantos estigmas quanto a feminina. No ano passado, um leilão deixou clara a diferença de abordagem - e de valor comercial, mesmo - que há entre elas. A brasileira Catarina Migliorini e o russo Alexander Stepanov decidiram leiloar sua primeira vez, iniciativa que fez parte do projeto do cineasta australiano Justin Sisely.

Por Stepanov, uma pessoa do Brasil venceu com lance de US$ 3 mil (cerca de R$ 6,7 mil), enquanto o vencedor pela virgindade de Catarina, um homem do Japão, se mostrou disposto a pagar a fortuna de US$ 780 mil (cerca de R$ 1,7 milhão) para ser o primeiro a transar com a brasileira.

Apesar do alto valor, que deixa clara a obsessão de certos homens pela virgindade da mulher, nem todos têm a mesma convicção do japonês ou estão dispostos a passar pela situação, dependendo das circunstâncias. E ninguém está falando em pagar nada por isso.

TRÊS RAIOS NO MESMO LUGAR

Danilo*, de 25 anos, passou pela experiência três vezes. "Foi até engraçado. O terceiro raio caiu no mesmo lugar", conta o advogado, ao lembrar da terceira garota virgem com quem transou - e que ele namora há cerca de dois anos. A primeira experiência foi na adolescência, aos 17 anos, quando ele próprio não tinha experiência nenhuma, e a segunda aconteceu alguns anos mais tarde, com uma amiga de longa data.

O advogado relata que não esperava que a namorada, então com 18 anos, fosse virgem. "É um pouco complicado, não chega a ser um medo. Você sabe que vai ser totalmente diferente, tem que ter mais cuidado. Fui tranquilo, estava propenso a ficar com ela", afirma. Se não estivesse, Danilo diz que não iria adiante. "Pulava fora, eu não ia conseguir. É uma responsabilidade grande. Tem um monte de mulher, não precisa criar falsas esperanças".

“EU DAVA A NOITE COMO PERDIDA"

Para Diego*, também de 25 anos, não houve tempo de conhecer direito a única garota virgem com quem transou. “Estava em uma balada de Piracicaba (ele é de São Paulo), já dava a noite como perdida. Na hora de pagar, alguns amigos demoraram, e foi quando comecei a conversar com duas meninas na fila. Falamos por uns 30 minutos, fomos para o sítio de um amigo. Lá, ela me falou que nunca havia transado. Perguntei se ela tinha certeza [do que íamos fazer], ela disse que sim”, conta.

Depois daquela noite, em 2007, os dois nunca mais se falaram: “Eu a adicionei no Facebook, mas ela não me adicionou”. Questionado se hoje, anos depois, faria o mesmo em uma situação semelhante, Diego diz que não. “Foi atípico, meio assustador. Depois você fica com um peso. Não me arrependo, mas não faria de novo.”

Aos 30 anos, a velocista norte-americana Lolo Jones revelou recentemente que é virgem
Getty Images
Aos 30 anos, a velocista norte-americana Lolo Jones revelou recentemente que é virgem

A atitude de Diego de não repetir a experiência não é surpreendente, segundo Ailton Amélio, psicólogo e professor do Instituto de Psicologia da USP. “É uma responsabilidade. Há casos em que a mulher fala que é virgem na hora de transar, e o cara pula fora. Muita gente hesita. Perder a virgindade é uma experiência. Depois da segunda, terceira e quarta [transa], a diferença pode ser pequena. Entre 0 e 1 é grande.”

O psicólogo afirma também que, se existe uma obsessão em torno da primeira vez de uma mulher, ela pode não estar necessariamente ligada ao fator sexual em si. De acordo com Amélio, costumes antigos como o lençol manchado de sangue (antigamente, o lençol manchado após a noite de núpcias servia como prova de que a noiva era virgem) podem fazer com que algumas pessoas associem a virgindade com honra e pureza.

RELACIONAMENTO COM PRAZO DE VALIDADE?

O engenheiro Paulo*, de 28 anos, não é da época em que um lençol manchado servia para validar ou não um casamento, mas diz que antes existia “uma certa palhaçada” de que era bom casar virgem. Durante a adolescência, ele se envolveu com duas garotas virgens. A primeira foi sua prima.

“A gente sempre ficava quando estava bêbado. Depois que aconteceu, o negócio ficou feio. Ela meio que se apaixonou, disse estar disposta a ‘enfrentar todos os bloqueios’. Falei que ela estava confundindo as coisas, e a partir dali não ficamos mais”, lembra. Os dois não se viam com tanta frequência na época e hoje, passados mais de dez anos desde que transaram pela primeira e única vez, o contato é mínimo, mas sem ressentimentos. “Ela mora no exterior.”

Na segunda vez, Paulo namorou por quatro anos a garota de quem tirou a virgindade, mas por mais que não enxergasse que a relação desse certo no futuro, ele acredita que o fato de ter sido o primeiro contribuiu para o término. “O namoro ‘foi para o vinagre’ quando ela entrou na faculdade. Gente nova, experiências novas. Deve ter passado pela cabeça dela que, com 18, 19 nos, ela só ‘teve um cara’.” Para o engenheiro, os cinco meses entre o primeiro beijo e a primeira transa serviram para a ex-namorada “filtrar” se ele era o cara certo, ou, em suas próprias palavras, se ele não ia dar um “pé na bunda” nela.

Hoje, ele diz que pensaria algumas vezes antes de se envolver com uma mulher virgem e cita sua experiência. “O homem prefere não ter essa responsabilidade, prefere que a garota não tenha um arrependimento [de ter transado com um único homem na vida inteira], uma pulga atrás da orelha. Provavelmente seria um ponto mais negativo do que positivo. Virgem assusta mesmo. Talvez não com 20 anos, mas mais velha, com 25, 26 anos, assusta”, diz. “Não sou babaca, fica uma ligação [após a primeira vez]. Se eu não a vejo como possível namorada, não vou querer marcá-la dessa maneira. Se for sexo casual, pulo fora”, completa Paulo.

Mariana Graciolli:
Arquivo pessoal
Mariana Graciolli: "Ser virgem faz parte da vida"

DEVER DE FAZER BEM FEITO

Acostumada a consultar dúvidas de leitores e internautas, Mariana Graciolli, colunista de uma revista masculina, diz que virgindade feminina não é um assunto recorrente entre os que a procuram. “Ser virgem ou não é normal, faz parte da vida, não tem que ser um tabu”, diz.

A radialista de 24 anos, também conhecida na internet como musa dos games, geeks e nerds, afirma que a responsabilidade do homem que tira a virgindade de uma garota está ligada ao fato dele ter que ser gentil, de tomar mais cuidado. “Acredito que a maioria das mulheres não perde a virgindade com o cara com quem elas acham que vão passar a vida toda, e sim com alguém que inspire confiança.”

Ela dá dicas para o marinheiro que já navegou algumas vezes, mas que embarca na primeira viagem da companheira. “Se o cara não é virgem e já tem certa experiência, não tem razão para ficar nervoso. Ele tem que ter em mente que ela inevitavelmente vai sentir dor e que seu 'dever' é tentar tornar esse momento mais prazeroso do que traumático para ela.”

* A pedido dos entrevistados, os sobrenomes não foram publicados.

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