Tabu entre homens e mulheres, estímulo na região anal pode gerar prazer para os dois, afirmam especialistas. "Não tem diferença", diz Carla Cecarello

Elas questionam opção sexual do companheiro quando eles pedem um estímulo na região anal, diz médico
Thinkstock/Getty Images
Elas questionam opção sexual do companheiro quando eles pedem um estímulo na região anal, diz médico

Sobre o que os homens não conversam entre si? Revelações sobre não corresponder na “hora H”? Talvez. Compartilhar os medos nas vidas amorosa e profissional? Nem tanto, toda mesa de bar é um tanto quanto terapêutica. Sexo? Tema mais do que batido e debatido. Mas e estimular a “porta dos fundos” do homem? Especialistas afirmam que o prazer delas é igual ao deles.

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“Do ponto de vista médico, todas as mucosas são passíveis de excitação: boca, vagina, glande do pênis e na região anal. São terminações nervosas muito grandes, recebem mensagens”, diz Amaury Mendes Júnior, médico e sexólogo. “Acontece uma vasodilatação, provoca prazer tanto para o homem quanto para a mulher, não tem diferença”, explica Carla Cecarello, psicóloga e coordenadora do projeto AmbSex.

Ele, do Rio de Janeiro, e ela, de São Paulo, revelam que dúvidas a respeito da estimulação anal no homem heterossexual – é importante ressaltar – são comuns, mas quem as leva para o consultório são elas. “Recebo muitas questões das mulheres sobre os parceiros, que ouviram pedidos para usar língua, dedo, e se perguntam ‘será que ele é gay?’”, diz Amaury. “Às vezes a própria mulher sabe o homem que tem, o provedor, o cara macho, mas cria certas dificuldades em agir dessa forma”, completa.

Carla ouve exatamente a mesma indagação de algumas pacientes: “Muitas realmente ficam preocupadas que isso pode ser uma questão importante. Na verdade eu não gostaria que fosse, existe um grande mito, não é tão simples. É algo que se perpetua de geração em geração”.

“MUITA IGNORÂNCIA”

Sexóloga há mais de 20 anos, Cecarello conta que um dos maiores temores do homem em relação a qualquer estímulo na região anal é “se tornar gay” depois disso. “Não tem nada a ver. Ser gay é algo muito mais complexo. Acha que vai entrar no consultório [na hora de fazer o exame de toque] heterossexual e sair homossexual? Que é mágico esse negócio? É muita ignorância, não se dão nem ao prazer de experimentar, poderiam estar desfrutando, é algo bem interessante”, responde.

“O próprio homem tem medo. Você não tem que provar para os outros que é macho, você tem que provar para si mesmo. A mulher encara a sexualidade de uma maneira mais fácil, vai ao banheiro, faz amizade com outras, diferente do homem, que só falta dar porrada ser encostarem nele”, brinca Amaury.

"PRÁTICA COMO QUALQUER OUTRA"

As opiniões dos amigos de Luis*, de 32 anos, foram e são variadas quando ele fala sobre algumas das suas preferências na cama. “Aí tem várias situações. Tem quem olha com cara de “meu Deus, você é ‘veado’”, tem cara que diz não é a praia dele, independentemente de ter tentado ou não, e nem cogita a possibilidade, e outros que tentaram e não gostaram. Tem também quem tentou e gostou, mas não são muitos”, revela.

Embora fale abertamente sobre um tema que é tabu entre os homens, o fotógrafo conta que prefere não ser identificado porque a companheira, com quem mora junto há três anos, não pensa da mesma forma: “Ela é bastante tradicionalista. Aos poucos vamos fazendo, mas bem aos poucos. É uma prática como qualquer outra”.

Luis conta que teve a curiosidade de experimentar por volta dos 17 ou 18 anos por sugestão de uma menina com quem estava envolvido na época, e ao contrário do que alguns amigos dizem, o fotógrafo afirma que é heterossexual e que ser estimulado em uma região tão delicada para grande parte da ala masculina “não é uma demanda” em seus relacionamentos. “Não tem problema se não rolar”, comenta.

"SIM, É POSSÍVEL TER PRAZER"

Questionada se sugere a prática para casais que vão ao seu consultório, Carla diz que depende. “Se surge essa oportunidade dentro da psicoterapia, eu sugiro, sim. A única coisa é que se for feito com a boca, isso precisa ser feito com proteção. É interessante colocar um preservativo como uma barreira. Dedo ou objeto, desde que seja próprio, não tem problema”, indica.

“Socialmente isso não é muito aceito, não se fala, não se comenta, mas é uma prática como qualquer outra. Outro dia eu estava vendo um documentário que fazendo [sexo] em bolo. Para eles é normal”, diz Luis. Médico terapeuta há 35 anos, Amaury defende: “Sim, é possível ter prazer”.

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