Ao lado do marido, Colette Pelissier criou o X-Art, site com filmes adultos que fogem do estereótipo. Ela veio ao Brasil para lançar a versão em português do site: "Vi que há demanda e que ninguém oferece o que estamos oferecendo"

Colette Pelissier (à direita), uma das criadoras e porta-voz do site X-Art, e Franziska Duff
Brunno Kono/iG São Paulo
Colette Pelissier (à direita), uma das criadoras e porta-voz do site X-Art, e Franziska Duff

O que a crise imobiliária dos Estados Unidos e o X-Art, site de vídeos adultos – é sempre bom lembrar para não acessá-lo no computador do trabalho – admirado por produzir o que pode ser chamado de "pornografia artística", têm em comum? Colette Pelissier.

Corretora de imóveis na época da bolha, a norte-americana de 39 anos escolheu abrir o próprio negócio ao ver que as perspectivas para sua então área não eram nada boas. Como o namorado – e atual marido – Brigham Field é fotógrafo e estava acostumado a "tirar lindas fotos de mulheres nuas", principalmente para moda, a ideia foi tornar erótico o trabalho do companheiro. "Percebi que não havia produções eróticas de qualidade para as mulheres e os casais. Pensei: 'Por que não trabalhamos juntos?'", diz Colette ao iG . Nascia aí o X-Art.

Com uma boa câmera em mãos – comprada pela Internet –, o casal viajou para a República Tcheca, onde o primeiro filme foi gravado. O casal cobaia foi uma modelo tcheca e seu namorado; que tinham a ideia na cabeça há um tempo, mas não sabia quem poderia colocá-la em vídeo. "Voltamos para casa (nos EUA), ficamos 'vamos publicar ou não?', mas assim que publicamos, todo mundo amou”, lembra Pelissier.

"Começamos a filmar garotas com garotas, garotas sozinhas ou com brinquedos, casais. Muitas empresas não aceitam casais, nós aceitamos", conta Colette. Segundo a empresária, algumas das modelos aceitam filmar apenas se contracenarem com seus namorados de verdade, e que, desta forma, como os modelos não são profissionais, às vezes é necessário parar a gravação, o que pode eventualmente acarretar em mais custos com locação do set e com a equipe. "Não é tão fácil quanto você acha, não é fácil para os homens."

"ART"

Para quem nunca assistiu, os filmes produzidos por Colette e sua equipe não seguem a mesma linha adotada por cineastas adeptas do " pornô feminista " (clique para saber mais).

No caso do X-Art, há uma preocupação visível com luz e o local, e tudo parece acontecer em câmera lenta, o ator não se porta como uma britadeira na velocidade máxima. "No pornô tradicional, você pensa em um apartamento, um cara com tatuagens e essas garotas com peitos de silicone e muito 'ah ah ah' (Colette se refere aos gemidos que podem soar forçados), muita maquiagem. Estamos fazendo de forma mais natural. Estamos tentando tornar tudo bonito e aceitável para mulheres e casais."

Estigma sujo da pornografia sempre vai existir, algumas pessoas sempre vão odiar."

Na visão de Colette, sites como o dela e o Customs4u , de Tim Stokely, são alternativas ao tradicional no entretenimento adulto. 

"Ele [Tim] teve uma ideia muito inteligente, mas temos estilos diferentes. Acho que nós estamos revolucionando a indústria ao ser produzido por mulheres e para mulheres, para casais. O estigma sujo da pornografia sempre vai existir, algumas pessoas sempre vão odiar, queremos mostrar que não tem problema você assistir, apreciar, poder ser aberto em relação ao sexo. Isso não é ruim."

Amazona, Colette já veio ao Brasil duas vezes para competir
Arquivo pessoal
Amazona, Colette já veio ao Brasil duas vezes para competir

"BRASIL É UM PAÍS GRANDE E ERÓTICO"

Esta é a terceira vez que Colette vem ao Brasil, mas a primeira como empresária – nas outras duas ela veio como amazona para participar de provas de hipismo. Pelissier enxerga o Brasil como um "país grande e erótico", motivo pelo qual o X-Art acaba de ganhar uma versão em português. "Sentimos que o Brasil é um país que ainda não alcançamos. Vim aqui algumas vezes, vi que havia demanda, o que estava sendo oferecido e que ninguém oferece o que estamos oferecendo", comenta.

Colette acredita que este é o momento de "abrir" o mercado brasileiro de entretenimento adulto para as mulheres e, questionada se viu alguns filmes nacionais, ela não parece muito impressionada: "Procuramos alguns. Acho que é legal, mas é um estilo diferente. Não há nada de errado, eu só esperava mais".

Procuramos alguns [filmes pornôs brasileiros]. É legal, mas é um estilo diferente. Não há nada de errado, eu só esperava mais."

300 MIL MEMBROS

Com 300 mil membros – no caso dos brasileiros, cada um paga entre R$ 29 e R$ 135 por períodos de uso que vão de 30 dias a um ano –, o site criado pelo casal Field cresceu, passou a usar profissionais, como o ator James Deen, e virou uma "multinacional", brinca Colette: "Temos pessoas nos EUA, Índia, México, Canadá, Equador, Alemanha e República Tcheca". Ela calcula ter entre 30 e 50 funcionários, número que pode variar. "Se as produções estão em andamento, a equipe triplica", esclarece. Outra consequência do crescimento, esta não muito boa, é o número de filmes republicados sem autorização. "O X-Art lida com muitos casos. Procuramos verificar diariamente se outros vídeos estãos sendo roubados, temos um advogado que cuida de casos específicos."

QUEM SÃO AS MODELOS E ATRIZES

Já as modelos aparecem aos montes no site, são em sua maioria jovens com idades entre 18 e 21 anos, e magras, já que muitas delas saíram do mundo da moda. “Elas vêm de várias agências, algumas entram direto em contato comigo. Sempre me certifico de que a pessoa quer fazer o trabalho. Já vi casos de garotas que diziam que homossexualidade era algo errado, mas que fariam o filme porque precisavam do dinheiro para uma cirurgia da avó. Eu prefiro dar o dinheiro para a cirurgia de uma vez”, conta Pelissier.

Por que começar tão cedo? “Muitas jovens precisam de dinheiro. Quando ficam mais velhas, casam, têm filhos e perdem o interesse, por isso que elas chegam muito novas”, afirma a amazona. Franziska Duff é um exemplo. A alemã trabalhava como modelo e decidiu entrar para o elenco do X-Art aos 18 anos, se aposentou pouco tempo depois e agora, aos 24, trabalha com Colette por trás das câmeras: “Estou ajudando nos negócios”. Questionada se o salário na indústria adulta é melhor que o da moda, a chefe de Franziska é curta e grossa: “Definitivamente melhor, exceto pelas supermodelos”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.