Enquanto alguns homens não veem a hora de se livrar da virgindade, outros escolhem esperar. Saiba o que motiva quatro deles; todos são do movimento "Eu Escolhi Esperar", com 2,4 milhões de seguidores no Facebook

Nelson Junior, de 37 anos, criador do movimento
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Nelson Junior, de 37 anos, criador do movimento "Eu Escolhi Esperar"









Lincoln evita o contato físico com a namorada para manter o desejo sob controle, Omitamar conta que os amigos o veem como um "louco", Emerson tenta se ocupar com outros assuntos para tirar o tal desejo da cabeça, mesma tática adotada por Junior, o mais jovem entre eles, com 22 anos.

Os quatro jovens não se conhecem, mas dividem o interesse pelo " Eu Escolhi Esperar ", movimento criado em 2011, no Espírito Santo, por Nelson Jr. , com mais de 2,4 milhões de seguidores no Facebook e que preconiza que a sexualidade deve ser orientada. "Tudo na vida há limites. Tem hora e maneira certas. Por que as pessoas ensinam aos mais jovens que o sexo não tem limites? Para nós, o ambiente ideal para viver essa experiência é o contexto da fidelidade, compromisso e companheirismo: o casamento", diz Junior.

A ideia de criar a campanha surgiu da própria experiência de Nelson. "Com 12 anos, eu decidi me guardar sexualmente até o casamento e fui descobrindo que não era uma decisão fácil. Além dos hormônios aflorados, tive que lidar com as pressões sociais e, mais tarde, trabalhando com jovens, notei que os conflitos deles eram os mesmos que os meus."

Já tive relação sexuais de forma intensa e, há cerca de um ano e meio, optei pelo movimento. Na minha idade (35 anos), assumir essa postura exige determinação. Para a sociedade é assustador, e meus amigos consideram loucura."

Embora incentive o sexo depois do casamento, o movimento não tem o objetivo de impor normas ou regras, de acordo com o criador: "Trabalhamos com orientações norteadas por padrões bíblicos. Segue quem se identifica e se sente confortável com essa escolha".

Nelson afirma ainda que eles não batem muito na tecla "virgindade" porque a ideia é ir além dela. "Queremos encorajar as pessoas a buscar relacionamentos saudáveis e duradouros. Mas é preciso ser virgem para participar do grupo? Não. O que vale é a postura daqui para a frente e, se nessa caminhada, a pessoa fraquejar, poderá sempre estar pronto a recomeçar", explica. Até porque ele diz que 70% dos seguidores não é virgem.

"MEUS AMIGOS ACHAM LOUCURA"

Omitamar Gualberto Ribeiro Tolaini , 35, é um dos que fazem parte dos 70%. "Já tive relação sexuais de forma intensa e, há cerca de um ano e meio, optei pelo movimento. Na minha idade, assumir essa postura exige determinação. Para a sociedade é assustador, e meus amigos consideram loucura." O gerente de vendas revela que usa o esporte e a leitura bíblica como válvulas de escape, e não se arrepende do esforço que faz: "Realmente vale muito a pena e dará uma paz inigualável".

Entre os amigos de Omitamar, um que definitivamente não vai achar loucura é Junior Lima , 22. "Muitas vezes buscamos uma princesa quando na realidade não passamos de um sapo. É preciso se igualar aos requisitos que você espera em uma pessoa, e assim ela virá", acredita o jovem empresário de Passos, em Minas Gerais. Para afastar os desejos sexuais, principalmente em uma idade como esta, dos 20 e poucos anos, Lima faz como seu colega: Bíblia, esporte e estar rodeado de amigos e familiares. "Sempre na multidão, nunca sozinho."

"EVITAMOS CONTATO FÍSICO"

Em um relacionamento sério há oito meses, Lincoln Borges , 28, teria tudo para também ser parte das estatísticas como Omitamar, mas não é. Ele e a namorada optaram por uma conduta um pouco mais radical: o primeiro beijo será no altar. "A campanha não impõe isso, foi uma escolha nossa. Evitamos o contato físico, o que nos ajuda a controlar o desejo e proporciona um tempo de qualidade com quem você ama", observa o músico de Vitória, no Espírito Santo.

PRECONCEITO

Esperar pela "princesa", no entanto, não é muito compreendido por quem não faz parte do movimento, segundo quem faz. "A sociedade pressiona para que a gente viva do modo deles e considera cafona a nossa decisão", critica  Emerson Santos Costa , de 23 anos.

Solteiro e adepto desde 2012, o designer gráfico de Salvador, na Bahia, revela que nunca teve relações sexuais e acredita que, se abrir mão, irá se arrepender. "Não significa que não tenho desejo de namorar, mas isso não pode ser o foco da minha vida. Me ocupo com outros assuntos: trabalho, amigos, viagens", conta. "Há uma banalização do sexo e não encaramos isso como algo saudável para os relacionamentos de pessoas cristãs", completa Nelson.

David Luiz, zagueiro da seleção brasileira e do PSG, é um dos defensores do movimento
Getty Images/Dean Mouhtaropoulos
David Luiz, zagueiro da seleção brasileira e do PSG, é um dos defensores do movimento





DESEJO SOB CONTROLE

Os quatro entrevistados pelo iG parecem seguir à risca as orientações do movimento de investir o tempo que poderia ser ocupado com as "tentações" em estudos, leituras religiosas, passatempos, amigos e família, ainda mais porque a masturbação, que seria uma válvula de escape mais direta, é considerada uma experiência sexual e não está liberada. "Quanto menos tempo ociosos tiverem, menos tempo para lidar com a tentação", esclarece Nelson. 

Encontro ocorrido em Aracaju, no Sergipe
Site oficial do Eu Escolhi Esperar
Encontro ocorrido em Aracaju, no Sergipe

QUEM MAIS PROCURA AJUDA?

"Em mais de 20 anos lidando com jovens, percebi que os que mais precisam de algum tipo de apoio psicológico são os que vivem desilusões amorosas e se entregaram sexualmente em amores que não terminaram em casamentos. Colecionar parceiros sexuais não torna alguém 'expert' em vida sentimental, pelo contrário, acumula feridas, frustrações e mágoas", responde Nelson.

Para Nelson, a maioria dos jovens que se identifica com o "Eu Escolhi Esperar" está cansada da banalização sexual coletiva e da cultura de libertinagem sexual: "A cultura do descartável está destruindo pessoas, famílias e relacionamentos".

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