6 milhões sofrem com disfunção erétil no Brasil. Técnica sem dor ou efeitos colaterais promete resultados em semanas

Falar sobre impotência ainda é um tabu para muitos homens. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia, 6 milhões sofrem com disfunção erétil no País e 95% deles demoram até três anos e meio para buscar ajuda médica. Muitos não tocam no assunto por vergonha ou até receio de como será o tratamento. 

6 milhões de brasileiros sofrem com disfunção erétil
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6 milhões de brasileiros sofrem com disfunção erétil


Chegou ao Brasil, ao final de 2015, uma máquina que usa ondas de choques de baixa intensidade para tratar o problema. De acordo com Wagner Raiter José, médico urologista membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia que trouxe o método para São Paulo, o tratamento é indolor e, até agora, não foram registrados efeitos colaterais. Em semanas o paciente já tem resultado. 

O tratamento

O pênis, como explica Wagner, pode ser comparado a uma esponja. Ele é repleto de vasos, que se enchem de sangue durante a ereção. Há uma capa que mantém o sangue no órgão, deixando-o rígido. "Quando se tem problema, não consegue encher o corpo cavernoso. Ou consegue encher, mas não consegue manter", fala o médico. 

Máquina usa ondas de choque de baixa intensidade para estimular fluxo de sangue
Divulgação
Máquina usa ondas de choque de baixa intensidade para estimular fluxo de sangue

As ondas de choque de baixa intensidade emitidas por essa máquina estimulam a circulação e também a abertura de novos vasos. "Essa onda de choque é divercionada para essa estrutura cavernosa, essa esponja. Atinge a crura (ao lado do escroto) e na haste peniana, também dos dois lados. Quando a onda atinge o tecido, promove liberação de óxido nitrico. Isso libera fatores para a neoformação vascular", explica o urologista. 

Com esse processo, quando se tem um estímulo sexual, o sangue vai para o orgão e encontra tecidos com novos vasos, ou seja, e esponja tem mais caminhos para se encher e conseguir a ereção. 

Para quem é indicado

A disfunção erétil pode ter diversas origens, físicas ou emocionais. Esse novo tratamento é indicado para pacientes com alteração de origem vascular. "Diabético, hipertensos, pacientes com alteração nas gorduras do sangue, como colesterol ou triglicérides, ácido úrico, pacientes tabagistas", lista Wagner.

Não há restrição em relação a idade do paciente. João* tem 78 anos e fez o tratamento em dezembro de 2015. Ele é diabético e já sofria com disfunção erétil há um tempo. "Tomava remédio desde 2000, 2003. Mas chega um momento que nem o remédio funciona mais", relata.

"Na segunda sessão já vi uma melhora e tive ereção espontânea. Na terceira e na quarta, a coisa obviamente melhorou. Hoje, por recomendação médica, ainda tomo medicamento, mas estou vivendo uma vida sexual ótima. Tenho relação pelo menos uma vez por semana", conta João.

Duração e resultados

O novo tratamento é feito em quatro sessões, uma por semana e custa em torno de R$ 12 mil. Segundo médicos e pacientes, é indolor e não tem nenhum efeito colateral descrito. "Não queima, não machuca, não doi e não arde. A sensação é de um pequeno golpe de ar", descreve Luis*, outro paciente. "É como se fosse aquele choquinho gostoso de fisioterapia", brinca João.

Método é indicado para com alteração de origem vascular, já que estimula a circulação e abertura de novos vasos no pênis
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Método é indicado para com alteração de origem vascular, já que estimula a circulação e abertura de novos vasos no pênis

Esse método é recente, de 2012, e ainda estão sendo feito estudos para analisar os resultados a longo prazo. Mas sabe que o auge acontece meses após as sessões. "Há um trabalho na Itália que diz que o platô  [ápice do resultado] é atingido três meses após o tratamento e que o paciente se mantém assim por até 20 meses", afirma o urologista.

Wagner ainda relaciona os resultados a idade dos pacientes: "Na faixa dos 40, a recuperação é muito rápida. Se é mais idoso, vai sentindo a melhora ao longo desses três meses".

Luis tem 45 anos e aprovou os resultados. "Tenho pressão alta e diabetes e, no passado, reclamei com meu médico que já estava mais como antes. Não cheguei a tomar remédio, mas não estava feliz. Fiquei sabendo da nova técnica e fiz. Na primeira sessão já estava bem, mas na segunda o resultado já foi brilhante. Não acreditava que fosse tudo isso, mas realmente recuperou tudo", detalha o paciente.

Segundo o médico, o esperado é que o paciente que não tomava remédio tenha uma vida normal. Para aquele que já usava medicação, ela vai voltar a fazer efeito. 

Parecer da SBU

Ao Deles , a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), responsável pelas Diretrizes da especialidade no país, ou seja, a criação de protocolos que orientam os médicos nas boas práticas do setor, explicou que os resultados ainda são preliminares, realizados em apenas um centro de saúde e com um número de pacientes restrito. "A SBU recomenda aguardar as conclusões de mais estudos, principalmente multicêntricos, placebos controlados, com seguimento longo, para confirmar essa alternativa terapêutica como realmente efetiva e segura", aponta a entidade em seu parecer.

*nome alterado a pedido do entrevistado

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