Apesar de 72% dos homens brasileiros concordarem que é responsabilidade do casal se proteger de DSTs e uma gravidez indesejada, apenas 31% deles e se previnem e só 55% acham normal falar abertamente sobre contracepção

Prevenir-se de uma doença sexualmente transmissível ou de uma gravidez indesejada não é uma responsabilidade apenas da mulher. Muito pelo contrário, já que quando ocorre uma relação sexual há mais de uma pessoa envolvida. Sendo assim, cabe à mulher e também ao homem tomar os devidos cuidados e ficar por dentro dos métodos contraceptivos.

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Entre os métodos contraceptivos, a camisinha masculina é a mais popular, mas não são todos os homens que gostam de usar
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Entre os métodos contraceptivos, a camisinha masculina é a mais popular, mas não são todos os homens que gostam de usar

De acordo com pesquisa realizada pela farmacêutica Bayer e o Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) , 72% dos homens brasileiros concordam que a responsabilidade é do casal. Entretanto, na prática não é bem assim. O mesmo levantamento indica que apenas 31% de fato se previnem. Outro número preocupante é que apenas 55% dos entrevistados consideram normal falar abertamente sobre métodos contraceptivos .

Mas afinal, qual o problema de falar sobre isso? A falta de educação sexual gera problemas graves, como o aumento no número de doenças sexualmente transmissíveis que está ocorrendo atualmente. E se você se interessou pelo assunto e já leu esta reportagem até aqui, saiba que não é nada difícil para o homem escolher o melhor método contraceptivo para si, já que são só duas opções.

Métodos contraceptivos masculinos

Enquanto a mulher tem uma variedade de métodos contraceptivos para considerar antes de escolher o melhor para sua vida, o homem tem apenas duas opções: a camisinha masculina e a vasectomia.

No caso da esterilização masculina, que é a vasectomia, é necessário que o homem passe por uma cirurgia para interromper a passagem dos canais por onde saem os espermatozóides. Mas não é nada complicado e nem mesmo precisa de internação, apenas de anestesia local. É um procedimento irreversível, então o homem não conseguirá mais engravidar qualquer parceira.

Apesar de evitar uma gravidez indesejada, a vasectomia não protege o homem de uma doença sexualmente transmissível. Para isso, é preciso utilizar um método de barreira, que, como o próprio nome já diz, vai barrar a transmissão de qualquer enfermidade. É o caso dos preservativos, e tanto o masculino quanto o feminino protegem o casal das DSTs. Só não dá para usar os dois ao mesmo tempo, já que o atrito do látex pode fazer com que as camisinhas rasguem.

“Não gosto”

Em 2015, mais de 39 mil homens foram diagnosticados com sífilis e 22,4 mil foram infectados com o vírus da Aids, segundo o Ministério da Saúde. Ainda assim 73% dos homens revelaram que já fizeram sexo sem usar pelo menos um dos métodos contraceptivos. Quando questionados sobre o porquê, 16% alegaram não querer “estragar a diversão”, 12% afirmaram não dispor de método contraceptivo no momento da relação, 11% simplesmente se esqueceram de usar, 10% “decidiram se arriscar” e 9% estavam alcoolizados ou sob efeito de drogas.

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Alguns homens também ficam com medo de falhar ao precisarem parar o que estão fazendo com a parceira para colocar a camisinha. Entretanto, é muito melhor fazer sexo sem o medo de uma doença ou gravidez indesejada do que com essas preocupações na cabeça.

Métodos contraceptivos femininos

Já quando o assunto são as opções que as mulheres têm para se proteger de uma DST e/ou gravidez indesejada, a lista é bem maior. É interessante que o homem entenda sobre esse assunto também para poder ajudar a parceira a escolher o que é melhor para ela. Primeiro de tudo, o método contraceptivo ideal é aquele que vai ser colocado em prática da forma correta. Não adianta a mulher iniciar a uso da pílula anticoncepcional, por exemplo, se não vai conseguir tomá-la todos os dias ou, pior, se ela sofrer com efeitos colaterais.

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Entender mais sobre o assunto também vai fazer com que a parceira se sinta mais acolhida pelo parceiro. O apoio é sempre muito importante em uma relação. Mas vale lembrar que é para ajudar a parceira na hora dela escolher um dos métodos contraceptivos, e não tentar tomar essa decisão por ela ou, pior, impor a sua opinião.

De acordo com a Dra. Bárbara Murayama, ginecologista e coordenadora da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho, é possível dividir as opções das mulheres em métodos de curto e longo prazo e método definitivo.

Curto prazo

Pílula anticoncepcional é um dos métodos mais eficazes de se evitar uma gravidez, mas deve ser tomada corretamente
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Pílula anticoncepcional é um dos métodos mais eficazes de se evitar uma gravidez, mas deve ser tomada corretamente

Preservativo feminino
Funciona como a camisinha masculina.

Diafragma
É como um copinho que é colocado dentro da vagina da mulher. Tem um tamanho específico para cada pessoa e deve ser usado com espermicida.

Pílula anticoncepcional
Comprimido de hormônios que a mulher deve tomar todos os dias e no mesmo horário. A combinação camisinha e pílula é considerada a mais eficaz para evitar DSTs e uma gravidez indesejada. Entretanto, assim como qualquer remédio, a mulher pode apresentar alguns efeitos colaterais. Para que a pílula funcione adequadamente, é preciso que o organismo aceite o os hormônios que está recebendo.

Injeção hormonal
Ao invés de tomar a pílula, a mulher pode tomar uma injeção hormonal. Existe a injeção mensal e a trimestral.

Anel vaginal
Mais um método hormonal que substitui a pílula. O anel que é formado por um plástico flexível é inserido dentro da vagina e deve ser trocado mensalmente.

Adesivo hormonal

Outra forma de substituir a pílula, mas, assim como a injeção e o anel vaginal, não é tão eficaz. Para quem decidi usá-lo, é preciso trocar a cada semana, com uma de pausa, quando a pessoa menstruaria.

Longo prazo

Tanto o DIU hormonal quanto o de cobre são inseridos no útero da mulher para evitar que uma gestação ocorra
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Tanto o DIU hormonal quanto o de cobre são inseridos no útero da mulher para evitar que uma gestação ocorra

Implante
Conhecido como “chip da beleza”, o implante hormonal muda de acordo com as necessidades da paciente, então é um tratamento personalizado. É inserido sob a pele da mulher e dura por até três anos.

DIU hormonal
Pequeno objetivo de plástico que é inserido no útero da mulher por um profissional. Atua como contraceptivo hormonal por um período até cinco anos.

DIU de cobre
Assim como o DIU hormonal, também é um objeto pequeno que é colocado no útero da mulher. Neste caso, o material é de cobre, fazendo com que o organismo identifique um corpo estranho no órgão e o torne estéril pelo período em que estiver inserido. A validade é de cinco a dez anos.

Método definitivo

Apesar da laqueadura e vasectomia evitarem gravidez, é importante lembrar que não protegem contra transmissão de DSTs
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Apesar da laqueadura e vasectomia evitarem gravidez, é importante lembrar que não protegem contra transmissão de DSTs

Laqueadura
Procedimento médico para esterilizar as mulheres, assim como a vasectomia. Dra. Bárbara Murayama alerta, entretanto, que a chance de arrependimento é grande quando estes procedimento irreversíveis são feitos antes dos 30 anos de idade.

Mais arriscados

Tabelinha ou aplicativos

Muitos casais estão voltando a usar métodos bem antigos, que é o de controle do período fértil. Entretanto a ginecologista Bárbara Murayama alerta que quem não quer ter filhos de jeito nenhum deve ficar bem longe deste método. “Para conhecer o próprio corpo é bacana, mas o risco de falha é muito alto”, explica. Além disso, é no período fértil que a mulher fica com a libido mais alta.

Coito interrompido

Mesmo que o homem ejacule para fora do organismo da mulher, há a chance de espermatozóides que estão no canal saírem junto com aquele líquido que sai no início da relação para lubrificar no pênis. “A chance é baixa, mas pode, sim, acontecer. E também tem o fato de ser a parte mais gostosa da relação. E, às vezes, evita que a mulher tenha orgasmos. Atrapalha o andamento do ato.”

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DSTs

Para a ginecologista Bárbara Murayama, entretanto, o maior problema são as doenças sexualmente transmissíveis, que estão aumentando muito e independentemente do nível social ou estado civil. “É sempre recomendado que se use preservativo em todas as relações, não importa quais métodos contraceptivos estejam como segunda opção. E a camisinha está longe de ser o que atrapalha a relação. Se estiver ruim, está por outras razões.”

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