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Em apenas um dia, projeto de ex-aluno do MIT arrecadou o dobro do previsto inicialmente. Aparelho usa imãs, esferas metálicas e dispensa dispositivos de áudio

Bradley permite que cegos saibam a hora sem o auxílio de dispositivos de áudio
Divulgação
Bradley permite que cegos saibam a hora sem o auxílio de dispositivos de áudio

Formado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Hyungsoo Kim afirma que todos os relógios exigem a visão para que a pessoa enxergue as horas. Ninguém precisa ter o diploma de uma das mais renomadas instituições no mundo para saber disso, mas Kim está à frente do "Bradley", relógio para cegos que não necessita de um dispositivo de áudio que diga o horário para a pessoa.

"Verificar que horas são é um desafio para muitas pessoas com deficiência visual porque elas simplesmente não conseguem enxergar. Nós quisemos desenvolver uma ferramenta do tempo no qual você pode tocar o tempo. Esta é uma ferramenta do tempo, não um relógio. Porque você não precisa olhar para saber o horário", diz Kim - ele faz um jogo de palavras com "watch", que em inglês pode significar o verbo "olhar" ou o substantivo "relógio".

Usuário sabe o horário ao tocar as esferas
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Usuário sabe o horário ao tocar as esferas

O relógio criado por Kim e sua equipe utiliza duas pequenas esferas metálicas para determinar o horário. A que fica no centro da coroa determina os minutos, enquanto a localizada na lateral marca as horas - Imãs dentro do aparelho controlam os movimentos e não deixam que as esferas caiam.

Para saber as horas, a pessoa encosta os dedos no relógio e sente a localização das esferas - os 12 marcadores de um aparelho convencional ajudam nesta tarefa. Trata-se de uma experiência sensorial que pode ser complicada, a princípio, para quem vê, mas extremamente apropriada para cegos.

O Bradley - o nome é inspirado em Bradley Snyder, militar norte-americano que perdeu a visão após uma explosão no Afeganistão - pode ser adquirido no site de financiamento coletivo Kickstarter. A ideia dos criadores era levantar US$ 40 mil em 35 dias para iniciar a produção do relógio, mas a meta já foi superada e se encontra em US$ 81 mil. Por US$ 128 (equivalente a R$ 290), o usuário compra seu aparelho; quem doar mais de US$ 2,5 mil terá direito a participar das reuniões da equipe de Kim em Washington, capital dos EUA.

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