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Essa bebida tão apreciada por artistas e escritores pode ter um teor alcoólico de até 75%

O absinto contém três ingredientes principais: absinto (Artemisia absinthium), anis e erva-doce
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O absinto contém três ingredientes principais: absinto (Artemisia absinthium), anis e erva-doce

O absinto passou por maus bocados desde o aumento de sua popularidade nos anos 1800. Ele chegou a ser acusado de transformar homens em assassinos, mulheres em mártires e até de degenerar crianças. E de fato a bebida é bem forte: seu teor alcoólico varia de 45% a 75%.

Ao mesmo tempo, algumas das mentes mais criativas do século passado eram fãs da bebida - entre eles, Vincent Van Gogh a Oscar Wilde e o Ernest Hemingway . E enquanto a lista de artistas e escritores que apreciavam o destilado impressiona, estudos recentes sugerem que, embora alcoólatras, eles não tomavam a bebida de qualquer jeito: eram cautelosos com a qualidade do absinto e com as especiarias que colocavam nos drinques.

Hoje em dia, o absinto está voltando, e não apenas entre alcoólatras da boemia. Seu sabor único, cor marcante e complexidade farta o tornam perfeito para as misturas modernas, ou até mesmo para consumir puro.

Garrafada de primeira

Inventado em 1792 pelo médico francês Pierre Ordinaire , o absinto foi concebido como uma espécie de “garrafada” para pacientes. Cinco anos depois, Henri-Louis Pernod e seu sogro compraram a receita e começaram a distribuir o elixir entre a aristocracia francesa. Sua popularidade lhe rendeu o apelido de “Fada Verde” por causa da coloração e potência, e a bebida foi bastante consumida nos cafés durante a década de 1870, quando a produção de vinhos sofria com as pragas.

Você já viu a “Fada Verde”?

O absinto contém três ingredientes principais: absinto ( Artemisia absinthium ), anis e erva-doce. No entanto, outros ingredientes, como o coentro, zimbro e noz-moscada, podem ser adicionados para introduzir sabores diferentes. Antigamente havia rumores de que a bebida possuía propriedades alucinógenas, porém isto se deve a outras químicas acrescentadas para dar cor ao produto (e que apresentavam efeitos colaterais) durante nos anos 1850. O destilado contém tujona, uma substância que realmente pode causar alucinações. Porém, a quantidade é tão pequena que não adianta beber até cair: é mais fácil o indivíduo entrar em coma alcoólico bem antes de ter qualquer aventura psicodélica.

Tipos de absinto

Há três tipos principais de absinto: blanche , verte e absenta . O primeiro é engarrafado imediatamente depois da destilação, enquanto o verte é colorido com uma mistura de ervas antes de ir pra garrafa. Já o absenta é uma variação espanhola mais puxada para o doce, revelando breves notas cítricas.

Métodos franceses e o boêmio

Enquanto os puristas preferem mandar o absinto pra dentro só com uma borrifada de água -- o que é conhecido como “método francês” -- outras técnicas despertam novos aromas e experiências. Um deles, o “opaco francês”, envolve a dissolução de um cubo de açúcar em água gelada sobre o copo de absinto: a receita suaviza a bebida, que passa do cristalino para um tom leitoso. Já o “método boêmio” exige que o cubo de açúcar seja incendiado sobre o copo de absinto antes de ser pulverizado com água gelada e finalmente mergulhado no drinque. Estes métodos permitem que você aprecie melhor a profundidade do sabor do absinto e suas diversas ervas.

COQUETÉIS DE ABSINTO

Morte à tarde

30 ml de absinto e champanhe

Clássico de Hemingway . Coloque um shot de absinto numa taça e acrescente champanhe até a mistura se tornar opaca. Hemingway sugere ter bebido três a cinco destes durante o coquetel de celebridades que descreve no livro So Red the Nose, or Breath in the Afternoon (ainda não publicado no Brasil). De qualquer maneira, nem na literatura o autor recomendava sair pra caçar ou velejar depois de tanta bebedeira!

Terremoto

30 ml absinto, 30 ml conhaque

Atribuído ao baixinho pintor francês Henri de Toulouse-Lautrec , este drinque foi inventado no final dos anos 1800. Simplesmente misture conhaque com absinto numa taça de conhaque e saúde! Lautrec gostava do seu um pouco mais forte, misturando o triplo da dose de cada “espírito” um numa taça de vinho; embora isso não seja recomendável, especialmente se você não passa de 1,5 metro de altura.

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