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Segundo pesquisadores finlandeses, os casados têm menos chances de sofrer problemas no coração em relação aos solteiros

Pesquisa revela que as pessoas que vivem sozinhas correm mais risco de desenvolver infarto do miocárdio
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Pesquisa revela que as pessoas que vivem sozinhas correm mais risco de desenvolver infarto do miocárdio

A rotina dos solteiros inspira aventuras infinitas se comparada à mesmice inevitável do casamento. Mas a ciência mostra que as emoções de tantos altos e baixos podem ser perigosas quando sofridas durante muito tempo. Tudo porque homens e mulheres casados estão menos propensos a sofrer um infarto do que os solteiros, de acordo com um estudo conduzido por um grupo de pesquisadores finlandeses.

Publicada pelo European Journal of Preventive Cardiology , a pesquisa revela que as pessoas que vivem sozinhas correm mais risco de desenvolver infarto do miocárdio. Os cientistas descobriram, por outro lado, que a vida de casal está associada “a prognósticos de eventos cardíacos agudos consideravelmente melhores, desde os primeiros sintomas até a chegada ao hospital com vida”.

Ao analisar registros em quatro regiões da Finlândia, os especialistas encontraram 15.330 mil eventos relacionados a síndromes cardíacas agudas no período de 1993 a 2002 -- deste total, mais de 7 mil casos resultaram em morte. Não houve diferenças notáveis entre homens e mulheres.

No entanto, os investigadores perceberam que a incidência em mulheres e homens solteiros era 60-65% maior do que entre os casados de ambos os sexos, independentemente da idade. A análise dos dados constatou ainda que as taxas de mortalidade também são mais altas entre os livres e desempedidos. Os indivíduos que vivem sozinhos correm maior risco de morrer do que a dos casados se já tiverem sofrido um ataque cardíaco no mês anterior.

O contraste entre os estilos de vida fica mais evidente com a idade. Enquanto 866 senhores casados de 65-74 anos morrem anualmente por causa de problemas do coração no país europeu, 1.792 solteirões inveterados “esticam o pernil” por motivos similares no mesmo período. Entre as mulheres, a diferença é brutal: 493 solteiras versus 247 casadas. Além disso, a taxa de fatalidade em maridos de 35 a 64 anos foi de 26%, bem abaixo dos 51% para os que nunca se casaram. No comparativo feminino, elas apresentaram resultados parecidos (20% contra 43%).

Segundo os autores, já se sabia que viver sozinho é um fator de risco para a mortalidade cardiovascular, porém nenhum outro estudo havia incluído informações classificadas por faixas etárias e mulheres.

Os motivos pelos quais os solteiros correm maior risco de ataque cardíaco incluem:

- Pessoas com saúde frágil tendem a se casar menos;

- No geral, casados mantêm hábitos mais saudáveis que os solteiros

- Ter sempre alguém por perto é decisivo quando ocorre um infarto

“A busca por ajuda e a ressuscitação são mais frequentes e rápidas para os indivíduos que vivem juntos. Descobrimos que uma grande porção dos homens casados receberam terapia de reperfusão no estado agudo da doença, o que pode contribuir para uma sobrevida melhor após a hospitalização”, garantem os cientistas responsáveis pelo trabalho.

Eles ainda especulam que a baixa aderência a medicamentos preventivos (aspirinas, estatinas e beta-bloqueadores) entre pessoas que vivem sozinhas pode influenciar bastante o prognóstico no longo prazo.

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