Tamanho do texto

Brian Banks era uma promessa juvenil do futebol americano quando foi acusado e preso injustamente. Após cinco anos na cadeia e outros quatro em liberdade condicional, a "vítima" o adicionou no Facebook. Sua liberdade começava ali

Brian Banks tenta agora retomar o tempo perdido por conta da falsa acusação
Reprodução / Facebook
Brian Banks tenta agora retomar o tempo perdido por conta da falsa acusação

Neste momento, Brian Banks briga, no bom sentido, com vários outros atletas por uma vaga no elenco final de 53 nomes do Atlanta Falcons, uma dos melhores times da NFL, principal liga de futebol americano no mundo. O objetivo é entrar para a equipe, mas ficar de fora não é necessariamente uma derrota para o defensor de 28 anos, uma idade tardia se você está entrando na NFL.

Como muitos jovens nos EUA, Banks planejava seguir carreira no esporte mais popular do país. Aos 16 anos, o defensor era uma das promessas da Escola Politécnica de Long Beach, na Califórnia, e havia concordado em jogar pelo USC Trojans, já tradicional no mundo da bola oval universitária. Foi nesta época, em julho de 2002, que ele foi acusado de estupro e sequestro por Wanetta Gibson, uma garota com quem tinha ficado horas antes de ser preso.

Por conta da gravidade das acusações, Brian seria julgado como adulto e estaria sujeito a uma pena de 41 anos de cadeia à prisão perpétua. Sua advogada o aconselhou a admitir a culpa para escapar de uma sentença mais severa. Em entrevista ao jornalista Rich Eisen, da NFL Network, o jogador afirmou que teve que tomar a decisão entre confessar um crime que nunca cometeu ou brigar por sua inocência, correndo o risco de ficar atrás das grades pelo resto da vida, em cerca de dez minutos – ele não pode consultar sua mãe, que havia vendido a casa e o carro para pagar a advogada.

Banks recebeu uma pena de seis anos. Após cumprir cinco anos e dois meses em uma prisão estadual, ele foi solto em agosto de 2007, ficando em liberdade condicional. A vida fora da cadeia, no entanto, não foi prazerosa. Além de ser proibido de frequentar os mesmos ambientes que crianças, Banks tinha que se identificar como agressor sexual e usar um rastreador no tornozelo. “Eu não tinha vida social”, lembra.

AMIZADE NO FACEBOOK

O inesperado aconteceu no dia 27 de fevereiro de 2011. Wanetta adicionou o linebacker no Facebook e, pela própria rede social, disse que gostaria de vê-lo e deixar o passado para trás. A garota admitiu que nenhuma das acusações de 2002 era verdadeira, mas ao ser questionada por Banks se poderia vir a público para inocentá-lo, respondeu que não.

Após ser “violentada”, ela entrou com um processo contra o ensino de Long Beach, alegando que o ambiente escolar não era seguro, uma vez que ela e Brian se beijaram nas dependências da escola. Com o processo, ela recebeu uma indenização de US$ 1,5 milhão, dinheiro que ela disse não ter caso tivesse que devolver.

Banks sugeriu então que Wanetta se encontrasse com ele no escritório de um detetive particular, para que este pudesse dar orientações sobre o que fazer. Ela concordou e, sem saber, teve sua confissão gravada.

Munido da prova que o inocentaria, o jogador procurou o diretor do California Innocence Project, programa de uma universidade de Direito de San Diego cujo objetivo é ajudar pessoas na mesma situação que Brian. Em maio do ano passado, quase dez anos depois de ser condenado, o jogador foi inocentado de todas as acusações.

Uma das primeiras pessoas a entrar em contato com o defensor, agora livre, foi Pete Carroll, ex-treinador do USC Trojans e atual do Seattle Seahawks. Carroll o convidou para um treino em Seattle, gesto repetido por diversos outros times da NFL. Ele não conseguiu um emprego, mas pode sentir o gosto de estar em campo novamente, e chegou a participar de dois jogos do Las Vegas Locomotives, clube da UFL, antes da liga encerrar suas operações.

NOVA CHANCE

O Atlanta, que já havia observado o defensor em treinos do ano passado, o contratou em abril deste ano. “Estamos felizes em ver que Brian vai ter a chance de realizar seu sonho de jogar na NFL, e mal podemos esperar para vê-lo em campo”, declarou Thomas Dimitroff, principal dirigente do Falcons, na época da contratação.

Questionado por Rich Eisen se, agora que está em uma posição mais confortável, planeja processar ou de alguma forma se vingar de Wanetta, Banks disse que sua “vingança é o sucesso”. A antiga vítima terá que devolver o US$ 1,5 milhão que recebeu de indenização pelo suposto estupro.

Brian Banks no momento da assinatura de seu primeiro contrato na NFL
Reprodução / Site oficial do Atlanta Falcons
Brian Banks no momento da assinatura de seu primeiro contrato na NFL

AS CHANCES DE BRIAN NO ATLANTA

Brian tem uma bela história de superação, mas é cedo para imaginar se é capaz de ser a estrela que olheiros e treinadores projetaram um dia. Dez anos sem treinos adequados fazem diferença, e é natural que seu ritmo de jogo não seja igual ao de companheiros mais jovens que nunca pisaram na cadeia.

O camisa 53 terá quatro partidas de pré-temporada para mostrar serviço e convencer o treinador Mike Smith de que merece uma vaga no clube. No dia 31 de agosto, todos os times serão obrigados a reduzir o elenco a 53 jogadores – será quando o torcedor vai saber se Banks conseguiu ou não (se ele jogar mal, é possível que seja dispensado antes do prazo final). O primeiro jogo é amanhã à noite. Se você não tem para quem torcer no futebol americano, fique de olho em Brian e no Falcons. Quem sabe eles não ganham sua simpatia.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.