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Francisco Neto, ou apenas Neto, classifica como uma grande coincidência o fato de ter trabalhado a vida inteira em restaurantes asiáticos. Em um deles, chegou a ficar duas horas amarrado e “piado” durante um assalto

Coincidência, afirma Francisco sobre ter trabalhado 28 anos em restaurantes asiáticos
Brunno Kono/iG São Paulo
Coincidência, afirma Francisco sobre ter trabalhado 28 anos em restaurantes asiáticos

Em uma época em que os rodízios de comida japonesa ainda não haviam invadido São Paulo ou os buffets de churrascarias, Francisco Neto, de 50 anos, já trabalhava como garçom em restaurantes orientais na capital paulista. “Olha, acho que é coincidência. Gosto muito do pessoal oriental, gosto também da comida, mas não sou muito chegado em peixe cru. Tem outras coisas, um peixe grelhado, aí eu gosto”, diz Neto, como é mais conhecido no Nanako, onde está há 13 anos e trabalha atualmente como mâitre.

Antes disso, foram 15 anos servindo comida chinesa em dois restaurantes. Vindo de Irecê, a “terra do feijão”, no interior da Bahia, Neto passou a trabalhar como garçom a convite do irmão, que já atuava no ramo. “Todo começo de serviço é meio difícil. Lavei louça, depois trabalhei na profissão de cortador, preparando legumes, e depois vim para o salão”, diz.

Peixe cru? Não, obrigado, diz Neto
Brunno Kono/iG São Paulo
Peixe cru? Não, obrigado, diz Neto

No salão, ele se encontrou: “Eu sempre tive facilidade de lidar com os garçons, gosto de lidar com o público, de conversar com as pessoas. Acho que é vocação, eu realmente gosto”. No salão, ele também teve que passar por um momento de aproximação com a clientela, mas que profissional nenhum da área gostaria de vivenciar, principalmente nos dias de hoje: um arrastão.

“Passei por um momento difícil no segundo restaurante que trabalhei, há uns 15 anos. Não tinha esse negócio de arrastão na época, mas vieram quatro assaltantes. Fiquei duas horas amarrado e ‘piado’ (amordaçado). Eu e mais oito funcionários, além dos clientes”, lembra Francisco.

A violência de São Paulo é um dos motivos que o leva a ter saudades de Irecê, onde tem um filho e não vai há oito anos. “Meu filho já está com 26 anos, eu o trouxe duas vezes, mas ele não se adaptou, não gosta muito de trabalhar, é um malandro”, brinca Neto.

O fato de ser solteiro aqui também ajuda no expediente, uma vez que ele trabalha em dois períodos e mora em um alojamento no próprio terreno do restaurante: “Entro às 11h, vou até 15h, quando fecha. Dá um tempo, recomeço às 21h e vou até 23h30, 0h”.

Embora o oriental tenha uma fama de ser mais tranquilo e reservado, Neto já presenciou discussões de casal no restaurante. “Parece que tem problema em casa, quer descontar em cima da gente. Tem que ter jogo de cintura.” Questionado se tem algo que o incomoda no comportamento de quem come fora de casa, ele mostra estalando os dedos: “Eu não gosto muito. Na verdade, ninguém gosta. Às vezes acontece”.

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