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Ele serviu o tricampeão de Fórmula 1, foi o responsável pelo churrasco de um ex-presidente dos EUA e brinca que deve sua carreira no ramo gastronômico ao Grêmio. Conheça a história de Jandir, presidente de operações da Fogo de Chão

Santo Antônio do Sudoeste, na divisa com a Argentina, fica no Paraná, mas o sotaque de seus moradores remete muito ao Rio Grande do Sul. Não é à toa que Jandir Dalberto, nascido na cidade de 19 mil habitantes e presidente de operações da Fogo de Chão no Brasil, torce pelo Grêmio, enquanto seu pai é Internacional. Foi uma aposta entre os dois envolvendo os clubes do coração que levou, por vias tortas, Jandir a entrar no ramo gastronômico, em particular o das churrascarias.

"Quando nós abrimos em Houston, o escritório da família Bush fica a meia quadra da nossa loja. Eles vão lá direto"

Vencedor da aposta, Jandir ganhou do pai as passagens para acompanhar uma partida do Grêmio no Rio de Janeiro, onde um amigo de infância trabalhava numa churrascaria. “Comprei dois ingressos e o chamei para ver o jogo comigo. Esse amigo me convidou para trabalhar, e como não era época de colheita e meu pai não precisava de mim na lavoura, liguei para casa e disse que ia ficar 60 dias no Rio, juntar um dinheiro e pagar de volta o que meu pai gastou com as passagens. Fui voltar para o Paraná só depois de dois anos. Se não fosse o Grêmio eu estava tirando leite até hoje”, brinca.

Se o tricolor gaúcho tirou Jandir da rotina de colher soja e cultivar gado, o dinheiro o levou a tentar a vida na capital paulista, no início dos anos 90, quando entrou na Fogo de Chão. A ascensão profissional foi meteórica. Em 14 meses, o então garçom foi promovido a gerente da casa, no bairro de Santo Amaro, zona sul da cidade. Desde então, são 23 anos dos 47 de vida com a churrascaria.

DE TRICAMPEÃO DA F1 AO EX-PRESIDENTE DOS EUA

O longo tempo de casa deve ter rendido inúmeras histórias, mas Dalberto é rápido ao se lembrar de duas que o marcaram. “O [Ayrton] Senna era nosso cliente em Santo Amaro, cliente assíduo. Ele me chamava pelo nome, e eu sabia o que ele comia. A carne predileta dele era a fraldinha. Tenho vários bonés e camisetas”, se recorda.

O outro ilustre protagonista das memórias do ex-garçom está longe de ter a mesma admiração que o tricampeão da Fórmula 1. Fã declarado de churrascos – texano que é –, George W. Bush veio ao Brasil, já como ex-presidente, e o churrasqueiro escolhido para sua festa aqui foi justamente o gremista de Santo Antônio do Sudoeste: “Tenho foto com ele”. E o ex-morador da Casa Branca gostou da carne brasileira? “Ele aprovou. Tanto que quando nós abrimos em Houston, o escritório da família Bush fica a meia quadra da nossa loja. Eles vão lá direto.”

30 SEGUNDOS É UMA ETERNIDADE

Embora sua passagem pelo salão como garçom tenha sido curta se comparado com outros profissionais, o churrasqueiro se orgulha de ter conhecido os “os quatro cantos da companhia”, desde a cozinha até os negócios do grupo, presente em nada menos que 23 cidades – quatro no Texas dos Bush – dos Estados Unidos. Ele diz não ter saudades do salão porque afirma nunca ter saído dele: “Me sinto parte da equipe junto com quem serve”.

Não será dessa vez que Jandir prepara o manual para o churrasco perfeito, mas com tantos anos de experiência no currículo, ele dá uma dica para você, cliente, saber quando tem total direito de reclamar por um serviço melhor. “Depois que sentou, 30 segundos é uma eternidade, um minuto é um século. Eficiência é um ponto muito observado. O atendimento tem que ser sincero, com rapidez”, diz.

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