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Brasileiros com o problema são os pacientes que mais se planejam antes de uma relação sexual e também estão entre os que mais fazem sexo no mês

Atualmente, a gente programa tudo o que vai fazer. Tem hora para levantar, hora para trabalhar, para sair de casa, para buscar os filhos na escola, ir ao médico, almoçar, jantar e assim vai. Por que não, então, nos programarmos também para fazer sexo? Para aqueles que tomam medicamento contra disfunção erétil esta pode ser uma forma de aumentar a frequência do prazer sexual.

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73% dos brasileiros com disfunção erétil concordam totalmente ou tendem a concordar sobre planejar um dia para o sexo
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73% dos brasileiros com disfunção erétil concordam totalmente ou tendem a concordar sobre planejar um dia para o sexo

De acordo com pesquisa feita pela Pfizer, divulgada nesta terça-feira (11), os brasileiros já sacaram que essa pode ser uma boa ideia. Foram avaliados pacientes dos sete países que mais consomem medicamentos contra disfunção erétil, e, dentre todos, os brasileiros são os que mais planejam o sexo . Coincidentemente, os brasileiros também estão entre os que mais têm relações sexuais: em média, 6,5 atos em 30 dias, enquanto a média dos sete países cai para 6 relações no mesmo período.

“São países com diferentes culturas: Brasil, China, Taiwan, Itália, Japão, Rússia e Turquia. São os principais mercados da Pfizer, fabricante do medicamento contra disfunção erétil mais conhecido do mundo. No total, 1,5 mil homens que haviam usado algum tipo de medicamento contra o problema nos três meses anteriores responderam ao questionário online”, explica o urologista Luiz Otávio Torres, presidente da International Society of Sexual Medicine.

Enquanto 28% dos brasileiros concordam totalmente que é necessário planejar relações sexuais em dias específicos da semana e outros 45% tendem a concordar, em Taiwan apenas 13% concordam totalmente e 32% tendem a concordar.


Como planejar?

Quem se planeja para transar costuma escolher um dia e um período para isso, não necessariamente uma hora exata, já que também há o período que se deve esperar para que o medicamento faça efeito. O urologista Luiz Otávio Torres acredita que o planejamento da vida sexual pode ser entendido como uma tentativa de minimizar as dificuldades trazidas pela falta de tempo e pelas rotinas atribuladas.

E não precisa achar que é errado programar a relação, entenda como se você tivesse se programando para ir a um motel ou para fazer algo diferente para sair da rotina com a sua parceira. Isso não quer dizer que você não terá mais relações não programadas, mas dá para se preparar para conseguir mais prazer.

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No Brasil, a maioria dos homens que fazem uso de algum medicamento para disfunção toma o remédio com até várias horas de antecedência. Outros 35% preferem fazer isso uma hora antes da relação sexual. Há também aqueles que o fazem um dia antes (18%) ou até com uma semana de antecedência (10%).

O urologista Luiz Otávio explica que o medicamento começa a fazer efeito depois de 12 minutos que a pessoa o tomou, mas pode variar até uma hora dependendo do organismo da pessoa. O que ela ingeriu antes disso também vai influenciar. Se o homem comeu um papelão de feijoada antes, por exemplo, pode demorar o dobro para fazer efeito, então é preciso atenção. Um dica é prestar atenção em quanto tempo demora em condições “normais”, sem álcool ou comidas pesadas, para conhecer melhor o próprio corpo.

Vida sexual ativa

No Brasil, maioria dos homens que fazem uso de medicamento para disfunção o toma com várias horas de antecedência
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No Brasil, maioria dos homens que fazem uso de medicamento para disfunção o toma com várias horas de antecedência

Não se sabe dizer ainda o porquê disso, mas os brasileiros, os mesmos que se programam mais para o sexo, também estão entre aqueles com maior frequência do ato sexual , com 6,5 relações em 30 dias em média. É mais que o dobro dos japoneses, com apenas 3 atos sexuais no mesmo intervalo de tempo.

De acordo com o urologista Luiz Otávio Torres, não é possível afirmar que a maior preparação esteja ligada com a maior frequência do ato sexual, mas pode sim ser um motivo. O Japão é um dos países em que os homens menos se preocupam em programar um dia específico para a relação. Apenas 45% deles concordam totalmente ou tendem a concordar com a ideia, assim como Taiwan.

Coincidentemente, ambos os países asiáticos estão abaixo da média em relação à vida sexual ativa, com 3 a 4 encontros sexuais mensais. Mesmo assim, as diferenças culturais também podem influenciar quando o assunto é sexo.

Tratamentos

Apesar de mais comum, o medicamento via oral não é o único tipo de tratamento para a disfunção erétil. Como o problema também pode ser causada por fatores emocionais, a terapia sexual é outra forma de melhorar o desempenho no sexo.

Há também a possibilidade do medicamente não fazer efeito em alguns homens, então nesse caso é possível optar pela aplicação de uma injeção diretamente no pênis. Basta esperar alguns minutos para fazer efeito, sem necessidade de qualquer estímulo visual ou diretamente na região, algo que é necessário com o remédio via oral. 

Em relação aos casos mais sérios, às vezes é necessário que o homem coloque uma prótese peniana. Ela pode ser maleável, fazendo com que o pênis fique rijo o tempo todo, ou inflável, que permite que o órgão volte ao estado mais flácido após a relação sexual. Exista ainda uma bomba de vácuo que pode ser usada para sanar os problemas desses pacientes, mas é menos usada no Brasil.

Pesquisa

Os especialistas receberam as repostas de 1.458 entrevistados, com idades entre 30 e 70 anos. Todos usaram algum tipo de medicamente para disfunção erétil ao longo dos três meses que antecederam a pesquisa.

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Para que as respostas pudessem ser as mais reais possíveis e para evitar que alguém mentisse no questionário, todo o contato foi feito via internet e sem que a pessoa precisasse se identificar. Além disso, caso alguém ficasse constrangido com alguma pergunta sobre sexo poderia encerrar sua participação em qualquer momento.

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