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Problemas na cama costumam ser associados a homens mais velhos e ao uso de medicamento, mas não é bem assim, e a pornografia pode favorecer isso

Um estudo revelou que 36% dos homens jovens, com idades entre 16 e 24 anos, tiveram problemas de desempenho sexual no último ano. A porcentagem é ainda mais alta para aqueles entre 25 e 34 anos, quase 40% dos entrevistados admitiram ter problemas no quarto. A disfunção sexual está frequentemente associada a homens mais velhos e ao uso de Viagra, mas não são apenas os mais maduros que podem ter problemas relacionados à parte sexual.

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Passar por uma disfunção sexual na juventude é muito mais comum do que se pensa, vários homens sofrem com isso
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Passar por uma disfunção sexual na juventude é muito mais comum do que se pensa, vários homens sofrem com isso


O estudo britânico realizado na Universidade de Glasgow mostra que homens de todas as idades passam por uma série de problemas sexuais, incluindo falta de interesse em sexo, falta de prazer sexual, ausência de excitação sexual, dificuldade em obter ou manter a ereção, dificuldade em atingir o orgasmo, ejaculação precoce ou ainda dor física. Entre 36% e 40% dos homens com menos de 35 anos enfrentam alguma disfunção sexual ou até várias delas.

Segundo informações do portal britânico "Metro", a principal autora do estudo, Kirstin Mitchell, acredita que os problemas sexuais podem ter um impacto de longo prazo no bem-estar sexual, especialmente entre os jovens. "Quando se trata da sexualidade dos jovens, a preocupação dos profissionais é geralmente focada na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e na gravidez não planejada. No entanto, devemos considerar a saúde sexual de forma muito mais ampla.”

A vergonha de se expor existe

Boa parte dos homens vê essa situação como embaraçosa, por isso, eles não conseguem conversar sobre o assunto com um amigo ou com a própria parceira. Os homens também estão menos propensos a ir ao médico. Em um panorama geral, eles visitam um especialista quatro vezes ao ano, já as mulheres costumam ir ao médico cerca de seis vezes ao ano. Esses fatores tem um efeito devastador na saúde física e mental da pessoa, ou seja, tem muitos homens sofrendo em silêncio por não ter coragem de buscar ajuda profissional.

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A terapeuta sexual Aoife Drury acredita que os problemas sexuais dos jovens estão relacionados ao fácil acesso a pornografia , pois esse conteúdo erótico faz com que eles desejem um sexo sempre de alta qualidade, já que os vídeos passam essa ilusão. “Os jovens que não tiveram uma educação sexual podem ficar se comparando a estrelas pornográficas em um nível físico e de desempenho (tamanho do pênis e quanto tempo eles duram no sexo). Isso pode causar problemas de ansiedade e autoestima, e isso pode dificultar a relação sexual com a parceira.”

Pornografia influencia ou é consequência?

Há quem acredite que a pornografia é a grande vilã, mas tem estudiosos que acreditam exatamente no contrário
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Há quem acredite que a pornografia é a grande vilã, mas tem estudiosos que acreditam exatamente no contrário


No entanto, nem todo mundo vê uma correlação direta entre a pornografia e problemas na relação sexual. Kris Taylor, uma estudante de doutorado da Universidade de Auckland, conta em entrevista a “Vice” que enquanto procurava por pesquisas que defendiam a pornografia como causa da disfunção erétil, encontrou uma variedade de outras causas para esse problema.

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“Pornografia não está entre eles. O que estão entre os problemas são: depressão, ansiedade, nervosismo, uso de certos medicamentos, tabagismo, uso de álcool e drogas ilícitas, além de outros fatores de saúde como diabetes e doenças cardíacas”, afirma. Na verdade, de acordo com uma pesquisa realizada em Los Angeles no ano passado, a disfunção sexual pode estar impulsionando o uso de pornografia e não o contrário.

Dos 335 homens entrevistados, 28% disseram preferir a masturbação ao ato sexual com outra pessoa. A autora do estudo, Nicole Prause, concluiu que a pornografia excessiva era apenas um efeito colateral de uma questão sexual já presente. A especialista ressalta que não há nada de errado em se masturbar ou assistir a vídeos de adultos, o problema é usar isso como uma referência na hora de ter relações com uma pessoa.

Falta de educação sexual

A conclusão geral é que é absolutamente essencial que os jovens tenham acesso a uma educação abrangente sobre sexo e relacionamentos que enfatize a importância da comunicação e do respeito mútuo. Parceiros que conseguem se comunicar efetivamente uns com os outros são mais propensos a ter experiências sexuais prazerosas e recompensadoras e qualquer disfunção sexual não será problema ou motivo de vergonha.

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