
Comparações entre o Essencial Safran, da Natura, e o The Blend Amber Saffron , de O Boticário, se espalharam nas redes nas últimas semanas. Vídeos de influenciadores que receberam versões antecipadas do perfume do oBoticário puxaram a discussão. A pergunta se repete: um copiou o outro?
O Essencial Safran começou a ser vendido em março. O The Blend Amber Saffron ainda não chegou oficialmente às lojas, mas entrou em pré-venda nesta sexta-feira (10), após o envio de 200 frascos numerados a criadores de conteúdo. As duas fragrâncias foram desenvolvidas em ciclos longos e partem de estratégias já em andamento dentro de cada marca.
O ponto de encontro entre elas está no ingrediente principal: o açafrão. Conhecido como “ouro vermelho”, ele ganhou espaço recente na perfumaria por estar associado a fragrâncias mais densas, quentes e com maior fixação.
Projetos longos, caminhos diferentes
No caso do The Blend Amber Saffron, o desenvolvimento levou cinco anos. A fragrância nasce dentro de uma linha criada em 2019.
“Foram 5 anos de desenvolvimento para alcançarmos esse resultado”, disse Paulo Roseiro, diretor-executivo de perfumaria do Grupo Boticário.
Ele afirma que o projeto segue a lógica da própria marca.
The Blend já carrega, no seu DNA, a escolha de especiarias como protagonistas das composições, incluindo o uso do açafrão já no primeiro lançamento, em 2019 Paulo Roseiro, diretor-executivo de perfumaria do Grupo Boticário
Sobre a coincidência com a Natura, Roseiro descarta relação direta. “No universo da perfumaria, é natural que diferentes marcas explorem, em paralelo, famílias olfativas e acordes”, afirmou.
Do lado da Essencial Safran, o lançamento aparece como parte de uma sequência iniciada anos antes dentro da linha Essencial.
“Quando iniciamos esse movimento em 2017, a perfumaria árabe ainda era um nicho restrito no Brasil”, disse Diego Costa, diretor sênior de marketing da Natura.
Ele diz que o interesse atual reforça a estratégia da marca. “O olhar do mercado para o açafrão hoje prova nosso vanguardismo na categoria”, afirmou.
Costa também associa o lançamento ao comportamento do consumidor.
O interesse por fragrâncias mais densas e opulentas cresceu muito nos últimos anos Diego Costa, diretor sênior de marketing da Natura
Tendência puxa lançamentos para o mesmo momento
O avanço do açafrão acompanha um movimento mais amplo. Buscas por “perfume árabe” cresceram mais de 60% no último ano, segundo dados citados pela própria Natura.
O Brasil concentra parte relevante desse interesse nas redes sociais.
Esse tipo de fragrância passou a ganhar espaço por entregar projeção maior e permanência mais longa na pele, características que vêm sendo buscadas por consumidores.
As duas marcas chegaram ao mesmo ingrediente dentro desse cenário. A escolha não surgiu como resposta imediata a lançamentos recentes, mas como parte de planejamentos que já estavam em curso.
Mesmo ingrediente, resultados diferentes
Apesar da semelhança no nome e na proposta, os perfumes seguem construções distintas.
Na Natura, o açafrão aparece combinado ao ishpink, um ingrediente amazônico da própria marca. O produto foi desenvolvido em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em parceria com perfumistas especializados em fragrâncias árabes.
No Boticário, o açafrão é trabalhado junto ao âmbar, dentro da proposta da linha The Blend. A fragrância se apoia em uma base já consolidada de perfumes voltados a especiarias.
As duas escolhas levam a resultados diferentes no cheiro final, ainda que partam de um ponto semelhante.
A proximidade entre os lançamentos chama atenção, mas o histórico de desenvolvimento e a origem de cada projeto mostram trajetórias independentes.