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"Percebi que ser pai não é necessariamente sair de manhã e voltar a noite para colocar dinheiro em casa". Saiba como é a vida de três homens que cuidam dos filhos em tempo integral

Ficar em casa e cuidar dos filhos é papel da mãe? Errado! Muitos pais passam por cima de diversos preconceitos para ficar em casa e cuidar dos filhos enquanto as esposas trabalham. Em outros casos, eles assumem a criação e educação dos filhos depois de serem abandonados por elas. Conheça as histórias de três homens que optaram por cuidar dos filhos e são a prova que um pai também pode cuidar da casa, fazer a comida e trocar fraldas.

Eduardo é pai de duas meninas, uma de 2 anos e 7 meses e outra de 1 ano e três meses
Arquivo pessoal
Eduardo é pai de duas meninas, uma de 2 anos e 7 meses e outra de 1 ano e três meses


Desde que se casou, Eduardo Costa queria ser pai . Depois de três anos,  veio a notícia  que o primeiro bebê iria chegar. Nesta época, Eduardo estava desempregado - ele tinha uma empresa, mas o negócio não deu certo e acabou fechando. A esposa tinha trombofilia e a gravidez foi de risco. Assim que a primeira menina do casal nasceu, a mãe entrou em depressão e, dois meses depois, ela precisou voltar a trabalhar.

“Quando aconteceram essas coisas, resolvi que queria participar de tudo. Como ela teve que voltar a trabalhar e não queríamos deixar com uma babá, decidi que iria ficar em casa para cuidar da nossa filha”, diz Eduardo.

Ele conta que morava perto da casa de sua mãe e que contou com a ajuda dela no começo. O problema é que a avó da menina queria que as coisas fossem feitas a sua maneira, e o pai não aceitou e resolveu que ele cuidaria de tudo sozinho.

Obstáculos

O pai de primeira viagem fala ainda que seu maior receio era na hora de fazer a higienização. “Eu tinha medo de machucar ou não limpar direito e isso acarretar em alguma infecção. Dar banho também era difícil, porque tenho dois metros de altura e a banheira era muito baixa. Eu ficava muito desajeitado”, conta Eduardo.

Alguns meses se passaram e quando tudo parecia estar se encaixando, veio a notícia que mais um filho estava a caminho. A gravidez novamente foi de risco e, com a chegada de mais uma menina, Eduardo decidiu que realmente queria ficar em casa para cuidar das filhas. Mas essa não foi uma escolha fácil.

“Tive muita vergonha de falar para os amigos e família. Eu me questionei muito e achava que o papel do pai não era esse. Foi aí que decidir fazer um Instagram para mostrar como era nosso dia-a-dia. Foi uma forma de escape. Comecei a postar e as pessoas foram gostando, e eu percebi que estava fazendo o certo”, desabafa o pai.

Eduardo fala que essa situação sempre foi bem resolvida dentro de casa. Ele conta que parentes distantes ficavam fazendo comentários maldosos, mas o dono de casa e a mulher, que segue trabalhando e sustenta a casa , resolveram ignorar. “Eu nunca fiz o papel de mãe, eu sou o pai. A diferença é que eu passo mais tempo com as meninas. Percebi que ser pai não é necessariamente sair de manhã e voltar a noite para colocar dinheiro em casa”, completa Costa.  

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Rumos diferentes

Eliezer criou sozinho sua filha que hoje tem 4 anos
Arquivo pessoal
Eliezer criou sozinho sua filha que hoje tem 4 anos

Trocar fraldas, dar mamadeira, ir a reuniões escolares e cuidar da casa também faz parte da realidade do vendedor Eliezer Fernandes da Costa. Ele foi casado e se separou quando a filha tinha apenas um ano e dois meses. Ele e a ex-mulher seguiram rumos diferentes e a pequena ficou sob os cuidados do pai. No começo, o vendedor foi para a casa da mãe, mas alguns meses depois, decidiu morar sozinho com a filha. “Na primeira vez que a vi, minha vida mudou. Cuidar da minha filha foi a experiência mais marcante que tive”, diz Eliezer.

Na época em que saiu da casa da mãe, o vendedor trabalhava por conta própria. “Recebi propostas de emprego, mas não consegui aceitar. Precisava ter tempo para cuidar da minha filha, fazer a comida dela e outras coisas em casa”, conta o pai.

O vendedor revela que não se arrepende e que passar por isso foi a melhor coisa da vida. “Eu amo cuidar dela, acompanhar seu crescimento e sentir nas suas atitudes que eu sou a pessoa que ela tem confiança”, conta. Eliezer fez o papel de pai e mãe  e brinca com a situação. "O bom é que recebo presente nas duas datas".

Ajuda dos pais

Mateus contou com a ajuda dos pais para criar os filhos
Arquivo pessoal
Mateus contou com a ajuda dos pais para criar os filhos


O motorista Mateus Leite Cavalcante também teve de cuidar dos filhos sozinho. Quando a mãe das crianças foi embora, eles tinham cinco e três anos. “Eu contei com a ajuda dos meus pais, porque era muito jovem e não sabia o que fazer e como educar”, lembra o motorista.

Mateus conta que se desdobrava para acompanhar os filhos. Ele trabalhava, mas não deixava de ir às reuniões escolares, apresentações e acompanhar cada passo dos pequenos. “O mais difícil de ser pai é educar. Hoje meus filhos são adolescentes, meio rebeldes por conta da idade, mas nosso relacionamento é ótimo”, conta Cavalcante.

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