
Um estudo de longo prazo com mais de cinco mil adultos nos Estados Unidos indica que os homens começam a desenvolver doenças cardiovasculares cerca de sete anos antes das mulheres, e a diferença é ainda maior para a doença coronariana, principal causa de infarto, que surge aproximadamente dez anos mais cedo.
A pesquisa acompanhou participantes do estudo desde os 18 anos até a meia-idade, identificando quando os riscos de homens e mulheres passam a se separar.
O grupo incluiu 5.112 participantes birraciais, 51,6% negros e 48,4% brancos, recrutados em quatro cidades dos EUA, sendo 54,5% mulheres e 45,5% homens.
Até os 30 anos, homens e mulheres apresentavam risco cardiovascular semelhante. Por volta dos 35 anos, a incidência de doenças cardiovasculares entre os homens começou a crescer de forma consistente.
Aos 50 anos, a taxa acumulada era de 4,7% nos homens e 2,9% nas mulheres. Aos 50,5 anos, os homens já atingiam 5% de incidência, enquanto as mulheres só chegavam a esse nível aos 57,5 anos.
Para insuficiência cardíaca, a diferença surge aos 65 anos, com 3,0% nos homens e 1,7% nas mulheres.
Fatores de risco
Segundo Alexa Freedman, professora assistente de medicina preventiva da Northwestern University Feinberg School of Medicine e autora principal do estudo, “essa diferença permanece mesmo após ajustes para pressão alta, colesterol elevado, glicemia e hábitos de vida”.
O estudo mostrou que a pressão arterial alta ajuda a explicar parte da diferença entre homens e mulheres. Ao considerar esse fator, cerca de 15% da diferença no risco de doenças cardíacas foi reduzida. O restante, porém, indica que outros fatores biológicos ou sociais também contribuem.
O estudo destaca que homens jovens têm menor acesso a cuidados preventivos. Entre 18 e 44 anos, mulheres realizam mais de quatro vezes mais consultas preventivas, na maioria relacionadas à saúde ginecológica e obstétrica.
Rastreios precoces, antes dos 40 anos, podem identificar fatores de risco e reduzir a probabilidade de doenças cardiovasculares.
Historicamente, homens fumavam mais e apresentavam maior incidência de diabetes e hipertensão, mas hoje as taxas de obesidade, diabetes e hipertensão entre mulheres se igualaram ou superaram as dos homens, e o tabagismo se aproximou. Mesmo assim, a vantagem feminina em relação à idade de início das doenças cardíacas persiste.
O estudo alerta que os resultados podem não ser generalizáveis para outras etnias além de negros e brancos e que ainda não foi possível avaliar se a diferença de risco diminui após a menopausa.