
Uma pesquisa feita pela plataforma internacional de dados Gitnux mostra que 75% dos homens continuam indo ao mesmo barbeiro mesmo quando o serviço fica mais caro.
Esse comportamento acontece porque a relação entre cliente e profissional vai além do corte de cabelo ou da barba, envolve confiança, rotina e um espaço para conversa e desabafo.
O estudo, chamado “Customer Experience in the Barber Industry”, aponta que a fidelidade ao barbeiro muitas vezes supera fatores como preço ou praticidade.
O barbeiro e empreendedor Danilo Reis explica que a fidelidade dos clientes está diretamente ligada a esse vínculo criado ao longo do tempo.
“A barbearia acaba virando um lugar de conversa. Muitos clientes chegam querendo relaxar, contar como foi a semana ou simplesmente ter um momento para eles. Quando existe confiança, a pessoa sente segurança em voltar sempre.” Danilo Reis, barbeiro e empreendedor
Barbearia como espaço de apoio
Além da relação de confiança, pesquisas indicam que a barbearia funciona como um espaço social, onde os clientes conversam, trocam experiências e, em muitos casos, encontram apoio emocional.

Esses ambientes são chamados de “terceiros espaços”, locais de convivência fora de casa e do trabalho, onde as pessoas falam sobre vida pessoal, saúde e questões do dia a dia. Esse tipo de interação é ainda mais frequente entre homens de grupos com menor acesso a serviços de saúde ou apoio psicológico.
Entre os principais fatores que explicam a fidelidade estão o atendimento sem julgamentos, o bem-estar durante o corte e a segurança de já ter um profissional que conhece o estilo do cliente. Isso reduz erros, aumenta o conforto e reforça a sensação de previsibilidade.
Segundo Danilo, esse ambiente de confiança faz com que a pessoa prefira continuar com o profissional conhecido do que arriscar começar em um novo local.
“É comum ver clientes que atravessam a cidade para manter o mesmo barbeiro." Danilo Reis, barbeiro e empreendedor
Pesquisas explicam o porquê da lealdade
Uma pesquisa publicada em 2022 na revista BJPsych Open, conduzida por pesquisadores da Universidade de Sussex, no Reino Unido, entrevistou 30 barbeiros do sul da Inglaterra. Eles relataram que muitos clientes revelaram ter piorado da saúde mental após os lockdowns, durante a pandemia de Covid-19, e que o ambiente da barbearia funcionava como um lugar seguro para conversar.
Os pesquisadores identificaram que a barbearia vai além do corte de cabelo, podendo ser utilizadas em ações de saúde pública, justamente por concentrarem pessoas que não costumam procurar serviços médicos com frequência. Eles também destacaram desafios, como a necessidade de treinamento dos profissionais e limites na relação com os clientes.

Outro estudo, publicado no Journal of Racial and Ethnic Health Disparities, entrevistou 100 barbeiros na região da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos. Nele, 77% disseram que encaminhariam clientes para serviços de saúde ao identificar sofrimento mental, e 72% demonstraram interesse em receber treinamento sobre o tema.
Já uma pesquisa da Universidade da Carolina do Sul, publicada em 2024, ouviu 56 homens negros em grupos de discussão. O estudo apontou que as barbearias permitem conversas abertas sobre saúde sem julgamentos, abordando desde alimentação e pressão alta até questões emocionais.
Os participantes também relataram que esses espaços funcionam como ambientes de troca de conhecimento entre gerações, reforçando o papel da barbearia como local de convivência, informação e apoio comunitário.