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"Não queremos que as pessoas considerem a morte de próprio filho, mas a morte também pode salvar vidas", explica o irlandês Mairtin Mac Gabhann

Mairtin Mac Gabhann (28), de Belfast, na Irlanda do Norte, é pai de Daithi, portador de uma doença cardíaca congênita que pode o levar à morte. A hipoplastia do coração esquerdo - anomalia que dificulda a chegada do sangue ao coração - já fez com que o menino de um ano e oito meses passasse por diversas cirurgias, e, agora, ele terá de recorrer à doação de órgãos para sobreviver.

Gabhann resolveu fazer uma campanha para incentivar outros pais a inserirem seus filhos na lista de doação de órgãos
Reprodução/Facebook
Gabhann resolveu fazer uma campanha para incentivar outros pais a inserirem seus filhos na lista de doação de órgãos


De acordo com os médicos, só um novo coração pode salvar Daithi, mas conseguir um transplante não é nada fácil. Percebendo a dificuldade de encontrar um doador, o  pai decidiu fazer um apelo nas redes sociais para incentivar outros pais a incluírem seus filhos no registro de doação de órgãos .

“A condição de Daithi é como uma bomba-relógio. Não queremos que as pessoas considerem a morte do próprio filho, mas a morte também pode salvar vidas. Não sabemos quanto tempo ele tem, mas sua condição é urgente. Se ele não fizer um transplante de coração, perderemos o nosso menino”, desabafa o pai em entrevista ao veículo “Belfast Telegraph”.

Diversas cirurgias de grande porte

O pequeno Daithi já passou por cirurgias complexas e agora espera o transplante
Reprodução/Facebook
O pequeno Daithi já passou por cirurgias complexas e agora espera o transplante

As complicações de saúde de Daithi começaram assim que o pequeno nasceu, em outubro de 2016.

A mãe do garoto, Seph Ni Mheallain, de 22 anos, só pode segurar o filho por alguns segundos, pois ele precisou ser levado da Irlanda do Norte para Londres de helicóptero.

“Ele passou por uma cirurgia de coração aberto com apenas quatro dias de vida”, lembra Gabhann.

Após a cirurgia, os médicos disseram que tudo havia corrido bem, mas, na manhã seguinte, os níveis de saturação do sangue do menino começaram a cair e ele precisou da ajuda de uma máquina para manter o coração  batendo.

Quando completou dez dias de idade, ele passou por sua segunda cirurgia de coração aberto.

“As chances estavam contra ele, e eles tiveram de deixar seu peito aberto por 18 dias, pois estava muito inchado para fechar. Ele contraiu septicemia (infecção generalizada), um problema no estômago e infecção na pele”, conta o pai. Depois de algumas semanas, o menino começou a melhorar. No entanto, em dezembro do ano passado, os pais descobriram que ele tinha um vazamento em uma válvula do coração.

“Isso significava que, considerando cada bomba de seu coração, cerca de 20% do sangue estava vazando em volta do órgão, fazendo com que ele trabalhasse mais. Isso descartou outra cirurgia cardíaca. A única opção agora é um transplante”, explica o pai.

Daithi está sendo avaliado a cada seis meses e espera um doador de órgãos aparecer, mas o tempo é essencial. “Não sabemos quanto tempo ele pode continuar lutando , mas se ele não tiver um coração nos próximos anos, nós o perderemos.”

Incentivo à doação de órgãos

Gabhann então resolveu expor o caso do filho nas redes sociais fazendo um apelo para que mais crianças sejam cadastradas no registro de doação de órgãos . “As pessoas passaram a entrar em contato comigo dizendo que os bebês já são doadores antes mesmo de nascer. Daithi também é doador”, orgulha-se Gabhann, que criou uma página no Facebook para postar fotos de pais e filhos que se tornaram doadoras.

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